O segredo da maturidade
O naipe de Paus tem sempre um pano de fundo de consciência, busca por equilíbrio e harmonia, além de altruísmo e maturidade. E por isso muitos alunos ou praticantes acabam dizendo sempre a mesma coisa quando sai uma carta desse naipe (qualquer que seja ela). Porém, mesmo dentro desses temas existem detalhes, aspectos importantes, nuances. Não basta dizer “positivo” ou “bom”. O ser humano quer saber “de que jeito” isso acontece e como poderá se manter.
O 6 de Paus tem um detalhe muito importante. Caminhou bastante, passou obstáculos, esperou, trocou, confrontou, ajustou, entendeu, superou… e está na fase de vislumbrar um bom final. E é nessa hora que pode se escorregar. Porque até na consciência e na maturidade surgem armadilhas. A sede pelo poder - até pelo domínio - cega em qualquer momento de uma jornada ou processo individual. Não é mero empecilho que, ao ser transposto, desaparece. Não. De vez em quando, sorrateiramente, a própria mente se empolga com a capacidade percebida e se joga facilmente para o comodismo, a certeza, a arrogância, a prepotência e - mais delicada das inimigas - a intolerância. Ganha-se em conhecimento e experiência, perde-se em disponibilidade e simplicidade.
É por isso que, mesmo maduro, é preciso não cair nas ciladas da própria experiência de vida. Se, nalgum momento, for perdida a humildade será inevitável perder também o brilho do que foi aprendido com a luta e uso do próprio talento. E é tão fácil enveredar pelo caminho de defender a si mesmo (e esquecer de ouvir, ver, ser humilde) que um mero problema se torna um verdadeiro labirinto. São os problemas que costumo chamar de “problemas sem solução”, os quais a pessoa cria sozinha, ela mesma, em seus caminhos tortuosos.
Por isso, essa semana inspira a retomada da humildade. Não serve a humildade que dói, que vence pelo cansaço, que obriga a engolir tudo como se fosse o único jeito de retomar o controle. Mas sim aquela calma e estabilidade agradáveis que dão novas cores aos assuntos, à vida, às situações. Poder gostar do sucesso do outro, apreciar um evento que favoreça a terceiros, aceitar pontos que não agradam tanto, mas são inevitáveis… sorrir acreditando que nenhum problema existe sem que haja, como tampa de sua panela, uma solução. Essa fé, essa humildade, esse jeito simples devolvem a maturidade verdadeira e a faz perdurar por longos períodos. Só vai mudar quando, novamente, surgir à frente mais um desafio de poder e cobiça. Mas sem nada disso a vida seria um tédio, não é mesmo?
Uma ótima semana a todos ![]()
Abraços
Kelma
Trabalhando com a sorte
No 5 de Paus adentramos temas que nem sempre caminham de mãos dadas em nossos conceitos: dedicação e sorte. É interessante notar que muitas pessoas acreditam que a sorte acontece de maneira “avulsa”, “sozinha”, sem nenhum esforço. E, se acreditam que a sorte ocorre gratuitamente, a tendência é acharem que aquele que precisa se esforçar não tem os mesmos resultados daquele que tem sorte. Bom, isso acaba tirando mérito, tanto de quem tem sorte quanto de quem trabalha duro para conseguir o que quer. Através do Arcano Menor da Semana - o 5 de paus - podemos perceber que esforço e sorte caminham juntos e podem valorizar um ao outro.
Quando estamos num processo de buscar alguma coisa, atingir qualquer meta ou reconstruir nossa vida, não adianta nos dedicarmos achando que somos mais fracos que as forças externas. Ou seja, ter fé no que existe fora de nós é tentar se livrar do trabalho inerente a qualquer objetivo. Não estou dizendo que a fé é uma bobagem ou que respeitar as forças externas seja perda de tempo. Mas, como tudo na vida, deve haver um limite. Esperar que o amor, o dinheiro, o trabalho e a solução venham “do nada” é conferir poder maior a qualquer coisa (ou pessoa, ou evento, ou acontecimento) que não seja a nós mesmos.
É claro que não dá pra achar que podemos tudo, pois isso seria uma afronta ao próprio Destino. O Destino explica muita coisa: um encontro, uma surpresa, uma “coincidência”. Mas também não dá pra achar que tudo é culpa do Destino e que basta torcer, mentalizar, rezar pra conseguir. Ao Destino devemos respeitar sua parte. E à nós, trabalharmos para que façamos a nossa.
Portanto, nessa Semana, a sugestão é conciliar sorte com trabalho. Manter a dedicação, o esforço, a boa vontade para que a sorte ajude. Podemos correr o risco, naturalmente, de fazermos tudo o que pudermos e - ainda assim- não vermos a sorte chegar. Porém, facilitar esse encontro feliz seria o mais sensato a fazer. Poder acreditar que tivemos sorte porque colaboramos para isso é uma sensação incrível, além de ser um gesto otimista. Por isso, vale sempre à pena trabalhar e fazer a sua parte, sabendo que esforço e sorte podem caminhar de mãos dadas, e por isso, nós mesmos abrimos os caminho para melhorar nossa vida.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
A maturidade pede coragem
Na semana do 4 de paus temos diversos temas interessantes. Dentre eles: benefício, aliança, superação de conflitos, resultados por esforços e dedicação. Mas é carta “baixa”, ou seja, o ciclo não termina por aí. Não é porque se ganha benefícios que será pra sempre desse jeito. E aqui temos um gancho perfeito para falar a respeito de maturidade.
Explico: o ser humano tem mania de achar que problema dá direito à paz. Ou seja, bastou viver uma fase mais complicada que já se espera a recompensa ou algum ganho pelo bom desempenho. Só que a vida não é assim. Conforme amadurecemos percebemos que os problemas (aparentemente) aumentam. E por que será? Parece que o descanso fica cada vez menor, que o intervalo entre uma encrenca e outra diminui…parece perseguição! Mas não é isso. Na realidade, a maturidade oferece resistência e base para lidarmos com problemas mais complexos. E não tem intervalo, não tem prêmio, nem sempre tem recompensa. É assim que as coisas funcionam. Mais velho, mais maduro, mais preparado.
Tudo bem, isso parece mais uma praga do que uma conclusão. Porém é mais comum ver gente de idade avançada e alma imatura (assim nunca será preciso encarar as dificuldades da vida adulta) do que ver gente de idade compatível cronologica e mentalmente. Não é uma crítica, é mera constatação. E o 4 de Paus fala justamente disso: momento de ganhar, momento de ver frutos, e nem por isso achar que a coisa vai ser pra sempre assim. Aproveite a fase, invista em si mesmo, semeie mais, se fortaleça porque a vida continua, os processos cotidianos também, portanto, problemas sempre estarão presentes para enriquecer e dar mais experiência para quem está a fim de viver pra valer.
Quem não está a fim de viver fica ali, parado, fingindo que cresceu no papo, mas agindo como sempre (ou não agindo como sempre). Nesses casos, não adianta reclamar: a pessoa não cresce, não enfrenta problemas sérios porém em contrapartida não ganha experiência nem maturidade. Porque para ser maduro é preciso ter coragem! É preciso encarar a vida, o tempo, a velhice. As dores de cabeça, a flacidez, a canseira, a impaciência… e também o riso fácil, o tempo pouco que se tem pra admirar uma árvore,para se reconhecer nos olhos dos filhos, sobreviver com o que se ganha sem ter que fingir que é seu o que vem de outro. Não é fácil mas vale à pena.
Na dúvida sempre escolha a maturidade e seu alto preço. Porque parar na vida não garante longevidade, garante apenas um vazio, que não se preenche nunca (nem com grana, com pose ou sobrenome pomposo). E é por isso que num 4 de Paus podemos respirar, aliviados, curtir o que já foi feito e conquistado, sabendo que a vida não é tão simplória a ponto de nunca mais nos mandar problemas. Assim como o ganho faz parte, a dificuldade também faz. Precisamos saber viver tudo, cada um a seu modo, para que nosso ciclo nunca se acabe e deixemos algo realmente valioso nessa existência, além de nossas pequenas necessidades e ilusões.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
(Deixo esse texto em homenagem ao Sr. Felizberto, que foi corajoso e autêntico pacas, deixando um legado sem igual para todos nós).
2 comentários »Cooperar é trocar
3 de Paus é carta que sabe interagir. O próprio número 3 já é símbolo de comunicação, criatividade, difusão. Unido a um naipe de altruísmo, consciência e maturidade, se torna um número ainda mais dinâmico, interativo, fértil em criar e expandir. E o mais interessante é notar que viver o 3 de Paus nem é tão complicado assim. Basta estar disposto, conseguir trabalhar em equipe e se manter aberto para agregar idéias, atitudes, projetos, possibilidades.
Por exemplo: quando queremos algo e percebemos maior dificuldade em realizar o que desejamos, nunca pensamos em questionar esse desejo, para então abrir espaço de pessoas próximas sugerirem outras alternativas. É mais comum vermos as pessoas super irritadas com sugestões que lhes dão do que ouvindo e pensando sobre elas. Dizem que a Vida fala através de outras pessoas para nós. Se fosse isso, a Vida já deve estar cansada, porque é muito difícil ouvir qualquer coisa que venha de fora e que não tenha nascido no íntimo de nossas vontades.
Outro exemplo: o conselho. Muitas pessoas criticam os profissionais que cobram para aconselhar e orientar. Porém, quem leva a sério um conselho dado despretenciosamente? Poucos. Para pedir conselho já é uma luta. Aí, ouvir e considerar, é praticamente impossível. Tanto que muitas pessoas se sentem mais seguras de pagar para ouvir um aconselhamento (e mesmo assim poucas levam a cabo, por incrível que pareça!). E isso é natural, a gente tende mesmo a defender nossas idéias com unhas e dentes.
Por isso essa semana inspira a troca. Pois a troca facilita a cooperação. Trabalhar juntos, em equipe, é muito mais rico do que se pode imaginar. E, vale dizer, a “equipe” à qual me refiro pode abranger muitas possibilidades, tais como: um relacionamento afetivo no qual se vive em parceria, uma amizade que permite bom convívio, uma relação profissional que favorece trabalho em conjunto, o processo criativo que fica cada vez melhor quando se pensa acompanhado, uma decisão que pode ser tomada conjuntamente, e assim por diante.
Aproveitemos a semana para trocar, cooperar, acompanhar. Nascemos sós, sentimos a sós, mas podemos agir em parceria em alguns bons momentos. E, sempre que tivermos essa chance, devemos aproveitá-las, elas nos permitem crescer, fortalecer, evoluir.
Boa Semana a Todos e um bom carnaval ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Esperar nem sempre gera prejuízo
2 de Paus é conhecido como carta de espera. Quem nunca ouviu a frase ” Fiquei ali esperando feito um 2 de Paus” ? Pois é. Porém, a forma de lidar com a espera muda toda a situação, dependendo o que surgir à sua frente.
Hoje em dia qualquer tipo de espera é “pagar mico”. Esperar na fila é perda de tempo, esperar o farol é absurdo, esperar para ser atendido é falta de respeito. E esperar outras coisas? Esperar resposta de trabalho, esperar para ser convocado, esperar para ser solicitado, esperar alguém ligar, esperar uma pessoa se tocar…pior ainda. Por que isso acontece? Porque fica cada vez mais difícil entender (e aceitar!) o ritmo das outras pessoas. As necessidades e tempos alheios são cruéis com nosso ego e nossa vontade de “quero resolver agora, já!”.
Tudo bem, eu sei que é um inferno ver gente dando murro em ponta de faca ou escondendo sol com a peneira. Mas a questão é: será que na nossa vez será diferente? Porque pra gente é fácil pensar que o outro tem que resolver tudo logo? E quando a gente é que tem que resolver fica tudo simples como parece quando é com o outro? Claro que não. Dizer que não liguei porque não estava a fim é magoar. Admitir que não quero ir até alguém pode estremecer o relacionamento. Demitir, desistir, separar, confrontar, decepcionar …são situações delicadas e cada um leva seu tempo para fazer isso da melhor forma possível. Ouço sempre perguntas clássicas, como: “Poxa, mas se ela não gosta de mim porque não fala logo?”. E eu tento explicar, toda vez, que a gente pode não estar mais apaixonado por alguém, mas sempre há sentimento e consideração, e justamente por isso não fica fácil abrir o jogo e virar as costas definitivamente. Aliás, consideração é também uma palavra que pega mal atualmente, é sinal de pena. E, na verdade, se trata de algo valioso, pois é um termômetro que impede qualquer maluco de sair metralhando quem gosta simplesmente porque não está mais apaixonado ou envolvido como antes.
Por isso, esperar é chato sim, concordo. A gente tem sempre aquele desejo meio ilusório de entrar no banco e ser atendido na hora, de fazer entrevista e ser aceito (em meio a fogos de artifício de preferência), de receber a ligação tão esperada na primeira hora do dia seguinte, de saber tudo o que está acontecendo com a outra pessoa no mesmo instante. Mas não é bem assim porque as relações, as pessoas, as situações precisam de suas sutilezas e seus detalhes. E às vezes o tempo é sinal de consideração (não consideração que parece ofender, mas consideração que inclui afeto e respeito).
Essa semana façamos como o 2 de Paus. Olhemos para o outro e para o seu ritmo de forma mais compreensiva. Essa carta só consegue negociar porque busca compreender antes de reclamar e de apontar o dedo. Conseguindo interagir e respeitar o tempo do outro (a espera, o ritmo alheio) poderemos controlar também nossos anseios, desejos, ego e autoritarismo. É uma boa negociação! Assim, quando for a nossa vez de resolver será possível ter o respeito das outras pessoas para refletir, definir e expor a decisão ou um resultado. Toma lá dá cá. Se eu dou compreensão posso recebê-la de volta. E isso cultiva a relação madura e uma busca real por entendimento em qualquer tipo de interação.
Boa Semana a todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero