Cartas na Mesa: Tarô Virtual

Artigos, programação e workshops do Site Tarô Virtual - www.kelmamazziero.com.br

Arquivo de Novembro de 2007

Não faça apenas a Sua parte: faça a diferença!

Estive lendo um artigo de Stephen Kanitz na Veja e fiquei intrigada. Ele foi perspicaz ao levantar polêmica sobre as Intenções por trás das palavras. Pedia, encarecidamente, para que ficássemos todos mais atentos ao ler ou ouvir àqueles que achamos ou conhecemos como “pessoas inteligentes”. A manipulação está por toda a parte. E pior que ser manipulado é querer ser manipulado, por pura preguiça ou covardia. Aqui vale um exemplo: quantas pessoas atualmente se agarram aos seus trabalhos mas não toleram o que fazem? Quando foi que se perdeu o Valor de realizar por alguma Causa? Quando foi que trabalho virou sinônimo de dinheiro apenas? Pior, quando foi que trabalho se tornou mero salário que paga contas e poupança para, enfim, pagar as férias tão esperadas em busca de descanso do odioso trabalho? Pois é, pois é. Não se ensina crianças na escola por amor, mas pelo salário. Sendo assim, tolera-se as crianças, não se forma nem educa. Afinal, “precisa-se do dinheiro”. Como viver sem um carro, no mínimo bacaninha, pra correr e furar farol mostrando independência e auto-suficiência? O mesmo acontece com a maioria das pessoas, que “engole” o emprego pra ganhar dinheiro e pagar terapia pra tentar “se trabalhar”. Uma loucura sem o menor sentido. Mas deve ter alguém pensando ” Ah, você não sabe o que eu passo”. Sei, sei sim. Eu lido com todos os tipos de pessoas e estou aqui pra defender o pedido de Stephen Kanitz: questione! Mas serei um pouco mais pragmática: questione-SE! Não vire mais um boi no pasto (ou seria baia o nome moderno?). Não estou fazendo apologia ao conceito “largue tudo e vá arrastar sandálias”. Mas reencontre o prazer, o gosto de trabalhar e conviver de forma saudável com o emprego, com sua ocupação, com sua vida cotidiana. Esperar pra juntar dinheiro e tirar férias é esperar - como um animal para o abate - para morrer sem dor. Morrer no conforto. Num bom caixão. Não é pouco, não? Com certeza é.
Kanitz também pede que as pessoas busquem mais os dados, ao invés de apenas comprarem as idéias. Concordo. Depois dessa nova onda de ” O Segredo”, tá na hora (já passou da hora!!!) de começarmos a buscar um pouco de dados, não somente engolir idéias de pessoas tidas como inteligentes. Sejamos honestos, tem coisas que deveriam ter parado de repercutir e ainda não pararam porque a gente não muda o esquema. Vamos a alguns dados? Ok. Mais de 80% das pessoas que procuram ajuda profissional não pensaram, ainda, na diferença entre trabalho e profissão. Mais de 90% também não sabe distinguir carreira de salário. 70% das pessoas que buscam um amor não têm um exemplo de relação que respeitem. Mais de 60% das pessoas que têm problemas com dinheiro não sabem equilibrar seus gastos, ou porque retém demais, ou porque consomem sem saber dos próprios recursos. 40% das pessoas que agendam uma consulta tentam atrasar o pagamento. E, quase 100% delas não consegue perceber que, ao enganar quem as ajuda, renega o Valor de recebere apoio quando precisa. 90% das pessoas não se preocupa com a Espiritualidade. Porém, 90% daqueles que estão num momento difícil pedem simpatias e trabalhos espirituais para sairem do buraco.
Eu sei, mais um artigo longo. Mas eu tinha que colaborar com essa tese de Kanitz: Forneci alguns (poucos) números e dados. Não basta defender a idéia de que o Tarô faz e acontece, que aquele tarólogo prevê e acerta tudo, que aquela bruxa resolve a vida de quem a procura. São somente idéias. Rótulos. Conceitos sem Valor.
Deixemos de ser mais uma cabeça de gado. Sejamos Vivos. Que tal?
Não faça apenas a Sua parte. Faça, por favor, a diferença!

Boa Semana à todos,
Kelma Mazziero

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Durabilidade é bom ou ruim?

Hoje prometo que vou tentar escrever pouco. Costumo dizer que a gente escreve como pensa e fala. Imagine o quanto eu sou tagarela. Mesmo assim tenho consciência de que alguns assuntos requerem pouco mais de algumas palavras, são bem claros e devem se manter concisos. Analise algumas frases e perceba que, nem tudo precisa ser prolixo: “Contra fatos não há argumentos”; “Quem está bem não acompanha louco”; “Barata velha não atravessa galinheiro”; “Quem corre de gosto não cansa”, “Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”. Pérolas. Quase todas herdadas de meu pai, um cara sensacional. E não digo isso porque ele morreu, mas sim porque era mesmo sensacional.
Aqui, vou deixar um questionamento sobre mais uma frase, desta vez dita pela minha mãe e que me deu um nó: “Nada dura para sempre”.
Oras bolas, veja que contradição: a Vida toda lutamos para ter seguranças, garantias, durabilidade. Sabemos que isso tudo é ilusão, afinal não existe garantia de NADA nesta Vida. Mas, em nossa fraca resistência ao Destino, sempre preferimos achar que tendo posse e segurança, tudo dura. Porém, existe o obstáculo, problemas aparecem, ficamos nesse vai-e-vem corrido e cotidiano tentando driblar tudo isso. Queremos tanto a segurança, queremos tanto a garantia, almejamos a durabilidade. Uma TV que dure mais, um eletrodoméstico com tempo longo de garantia, um sofá durável, comprar uma casa boa, dentre outras tentativas - vãs - de se certificar com longevidade. Mas e aí? Na hora de viver os problemas a gente quer que passem logo? Então vem a questão: durabilidade é bom ou ruim? Saio de casa em busca de uma TV que tenha tempo longo de garantia, que dure e não me traga problemas. Mas, ao ver o preço percebo que não posso comprar a “mais segura” e, nesse momento, vem a frase da mãe em minha cabeça ” Isso vai passar, tudo passa”. Poxa, passa o problema mas não passa a coisa boa? Que teorica mais doida é essa? A verdade é que a gente vive distorcendo a realidade pra fingir ter controle.
Me sinto profundamente seduzida a apostar e levantar a bandeira do “Tudo Passa”. Porque ao meu ver, o equilíbrio e o meio-termo entre durabilidade e transformação é o desapego.
Boa Semana a todos e um feriado repleto de coisas boas!!!
Kelma Mazziero
: )

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