Cartas na Mesa: Tarô Virtual

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Arquivo de Março de 2008

O Medo da Morte

Esta semana está representada pela lâmina XIII, conhecida como Ceifadora ou Morte. Antigamente era tida como o Arcano Sem Nome. As associações são realmente estranhas: Número 13, nome forte ou, na pior das hipóteses, nem nome teria. É aqui que analisamos a morte física? Não, não é. Mas o símbolo acaba remetendo ao pouco que sabemos sobre a morte física.
Pra gente morrer é terminar. Quando alguém (ou algo) morre acaba tudo. Na melhor das hipóteses a pessoa fala que, depois da Morte pode ter a Vida, mas é sempre de forma evasiva, já que o fato determinante é que ninguém esteve do “outro lado” pra saber o que acontece. Sendo assim, é um assunto que dá impotência, incômodo, preguiça, receio, sensação de pouco controle. E, na dúvida, ficamos com o dito popular, tentando acreditar (para acabar logo com o assunto ou finalizar o pensamento) que depois da Morte há Vida.
Porém, vale a pena gastar uns segundinhos para raciocinar com bom senso: a Vida não vem depois da Morte. A Vida vem antes da Morte. E, quando a Morte chega, ela proclama - acima de tudo e além de todas as expectativas - a própria Vida. Que idéia absurda, pensar na Vida como algo que acontece depois da Morte! Porque não viver antes de morrer? E porque não aceitar que a Morte é o fato mais cruel que nos conecta à Vida?
Quem chegou perto da Morte sabe do que estou falando. E quem não a quis tocar ou ver, fica na vala comum, sofrendo e se “matando” aos poucos por puro egoísmo. Ao se deparar com o inevitável, vemos que, o que nos resta é viver. E isso não é sempre uma opção! Todos aqueles que morrem fazem uma homenagem aos vivos, e, certamente deixam a mensagem : “viva!”. Se derramar em um final reticente e lento é somente fingir que não entendeu a mensagem daquele que morreu e deixou o presente mais digno que poderia: a continuidade. Não adianta chorar, não adianta sofrer, não adianta ficar de costas para o futuro em sinal de rebeldia. A Vida continua. E quem morre, destrói o mistério da Morte, quem morre conquistou o direito de romper a barreira mais limitante e assustadora que o ser humano criou: a própria morte.
Para esta semana fica registrado aqui o desejo de aceitarmos e compreendermos a morte como uma apologia à vida. Em qualquer esfera do cotidiano morrer é reviver, é destruir a barreira do medo, é renovar e renascer de outra forma através de outras pessoas. Tudo na vida que pede mudança pede morte. A gente nem sempre sai ganhando nas mudanças e indiscutivelmente toda morte gera uma perda, qualquer que seja.
Se ficarmos olhando pra morte como perda, mudança, medo e a grande inimiga perderemos a chance de ver o que se ganha com ela: Vida!
Uma Semana cheia de Vida e Energia à todos :)
Kelma Mazziero

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O equívoco do Sonho

O Pendurado é uma carta temida. Evitada. Tem gente que até ignora essa Carta do Tarô, para que ela não faça parte do cotidiano, em hipótese alguma. Porém, ninguém pensa que pode estar no centro desta Carta, estar se tornando um Pendurado com o passar dos tempos, sem ao menos perceber. Como isso poderia acontecer? Simples. O Pendurado vem acompanhado das “palavrinhas mágicas” que facilitam a decoreba das Cartas de Tarô. Sendo assim representa utopia, estagnação, passado, lembrança, dentre outros atributos antipáticos. Fomos (mal) acostumados a querer só ouvir coisas boas. Se o tarólogo diz que terei dificuldades a enfrentar, troco de tarólogo. Se o astrólogo avisa que a fase é complexa, resolvo que astrologia é superstição. Se a “bruxa” que me atende diz pra eu mudar, trato-a de forma rude e não vou mais lá ou atraso o pagamento dela. Eis o sonho americado, infeliz e mal formulado, que nos impele a querer ler e saber só coisas boas, porque “de complicada basta a Vida”. Poxa, e nós, terapeutas, falamos de quê, então? Se temos que analisar a Vida…seria honesto ficar fingindo uma espiritualidade e um alcance ilusórios?
Bom, voltemos ao Pendurado. Carta que assusta, então, tentamos fingir que ela não existe. Ok, fingir é o primeiro passo para estar nela, certo? Para deixar ainda mais perigoso, ficamos nutrindo essa visão “parcial” de tudo, tentando fugir do que nos faz mal e daquilo que nos abre os olhos…segundo passo para se aproximar ainda mais da carta. E, como se não bastasse, achamos e acreditamos que “lutar pelo Sonho” nos fará feliz. Pronto, viramos o Pendurado!
Impressionante como todo mundo se assusta ao se ver como essa Carta, no jogo de Tarô. Mas afinal, se hoje em dia compramos (sem ao menos avaliar com cuidado as regras e normas de uso do produto) que devemos lutar pelo nosso Sonho, correr atrás da felicidade, só ficarmos satisfeitos quando estivermos fazendo o que gostamos, não estaremos alimentando a utopia? Compramos essa idéia. Só não sabemos bem o que fazer com ela. Tirando fora as duplas sertanejas e participantes do Big Brother, não me lembro de ter visto alguém que tenha conseguido “realizar seu sonho”. Ouço sempre “Não desista de seu sonho“. E penso “Poxa, mas será que isso faz bem para todo mundo?“. Qual o parâmetro que é utilizado para eu acreditar que um cantor sertanejo ou quem vive meses trancafiado numa casa são pessoas mais capazes ou mais próximas da felicidade do que eu? Seriam os meios mais supervalorizados que os começos e os fins?
Porque será que temos tantas pessoas infelizes? Porque será que a moça que trabalha servindo pães, de doméstica, atendendo em loja, dando aulas (dentre tantas outras atividades) tem absoluta certeza de que nasceu pra ser modelo e é infeliz porque seu trabalho parece indigno? E os tantos lixeiros, porteiros, garçons que querem aparecer na TV ou ganhar um carro zero, importado? Será, mesmo, que vender esse sonho (plastificado, sem gosto e surreal, além de americanizado) é uma boa idéia? Não, o Pendurado mostra que não. Ele prova que não! A utopia, a fé de que o bom está longe de nós, a falta de atitude ou ausência do momento presente que nos impede de produzir olhando pra um quadro perfeito inexistente é uma apologia à depressão gradual e coletiva! Não acreditar neste sonho, ao contrário do que se pensa, é, sim, acreditar muito mais em si do que em uma fórmula mágica.
Portanto, aproveitei aqui o Pendurado a fim de analisar - além dos ítens básicos de sobrevivência para conseguir falar de uma Carta de Tarô - um conceito que permeia nosso dia-a-dia e pode ser muito nocivo. O tal do “Sonho”. A gente tem que sempre fazer só o que gosta, o que quer, porque todo trabalho é um sacrifício. Enquanto for assim, será sempre um conflito. Ganhar dinheiro vira fardo, ser útil se torna um problema de anulação de ego, ajudar os outros fica complicado porque acaba-se perdendo sempre.
Deixo aqui o diálogo do Pendurado como reflexão para a Semana. Um aluno me perguntou certa feita: “Mas então devo abrir mão do meu sonho? Não devo correr atrás do que sempre quis e sonhei fazer?” e eu respondi com outra pergunta: “E se você não levar jeito pra este Sonho e acabar desperdiçando seus verdadeiros talentos?“.
Melhor encarar o Pendurado a fugir dele. Seu sonho pode virar utopia e roubar seu dom mais precioso…

Uma Boa Semana à Todos;
Kelma Mazziero

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Vamos resistir?

Uma tendência cada vez mais alarmante, na maioria das pessoas, é a capacidade de encontrar boas justificativas.
Veja bem, não estou necessariamente falando que é o seu caso. Mas, convenhamos, é um fato comum, quase corriqueiro.
É curioso analisar, atualmente, quantas vezes ouvimos ou lemos as mesma frases. Ou seria a mesma mensagem dita de formas diferentes? Tanto faz, porque o resultado é que gera o problema.
” Eu não achei que seria assim…”
” Eu tentei, mas sabe o que é? No dia eu estava com problemas, não consegui resolver como deveria…”
” Puxa, a chuva me deixou atrapalhada(o), além de tudo fulano precisou de mim e me enrolei…”
São inúmeras as frases. Todas tratam de desculpar ou justificar fatos ou atos que não aconteceram. Ouvimos, lemos, vemos todo dia. Muitas vezes.
Essa Semana é regida pela Força. Acreditem ou não, a Força fala também de resistência. Nela, não tem razão, nem desculpa, muito menos justificativa ou explicação para não se fazer algo. Ali, na Carta XI, tudo acontece. Tem de acontecer. Porque? Porque ela não tem outra alternativa. Ela não pode dar errado, não tem o direito de vacilar, não se permite pedir desculpas. É neste estágio que descobrimos que, muitas vezes, a desculpa não ganha o jogo. Não adianta matar uma pessoa e depois dizer ” Poxa, foi mal, hein?”. Não resolve afender alguém, julgar, expor a pessoa e mais tarde proferir as velhas palavras ” Desculpe, não sabia o que estava fazendo“. Quem tem passado sabe que justificativa não muda nada.
Sendo assim, essa Semana pede Garra. Força. Resistência. Uma mulher que domina um leão, além e aquém de medos ou receios, controle, segura, afirma, domina, acerta. Não erra. E não dorme em serviço, porque sabe que para se manter alerta é preciso parar de choramingar, não reclamar, nunca se deixar `a deriva dos acontecimentos. Simplesmente se aceitar como um Ser Abençoado, capaz e realizador. Afinal, quem derruba a gente é a gente mesmo.
Portanto, na Força não dá pra fraquejar. Ali se descobre a graça de realizar por mérito próprio e manter a atenção. A Vida é assim.
Boa Semana `a Todos! Que a Páscoa nos permita renascer, também, em nossa Força.
:)
Kelma Mazziero

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O Eremita e os atrasos

Agora intercalo as notícias e mensagens semanais entre a Newsletter e o Blog. Assim acabo incentivando a diversidade de alguma forma :)
Esta Semana cheguei atrasada, bem no andamento do Eremita. É uma tarefa corajosa e exigente escrever todas as semanas sobre as Cartas de Tarô e suas mensagens. Sabem uma coisa que acho engraçadíssima? A tendência que muita gente tem de achar que escrever a Carta da Semana, Carta do Dia ou até Aconselhamentos Virtuais é mais fácil. Fico pensando comigo “Será que essas pessoas têm mesmo a noção do que dizem?“. Explico: é exatamente o contrário. Sentar aqui, de frente pro computador, pensar e ser inspirada pra redigir coisas diferentes todas as semanas dá um trabalho do cão! E, ao contrário do que se pensa, não é mensagem genérica, nada! É carinhosamente elaborada e preparada por mim! Mas isso é só um pequeno desabafo, porque não tem lá tanta importância saber que o ser humano continuará rotulando tudo, enquanto pra ele for mais fácil se vender derrubando seu semelhante. Infelizmente faz parte.
Bom, Eremita, né? Vou escrever algo que falo em consultas e aulas: basta olhar pra Carta e ver ali um velho. Sim, eu sei que hoje em dia o conceito de velhice é relativo (e acho ótimo, aliás!). Mas estamos falando de Simbologia, certo? Ou seja, na lâmina vemos o padrão da velhice, que se reporta ao que está definhando, perdendo vitalidade, se tornando antigo. Sendo assim, percebemos que nesta Carta lidamos com lentidão, a demora, a rabugice, a teimosia indistinta, a sabedoria envolta em padrões e pensamentos cristalizados, que pararam no tempo.
Nossa, mas quanta coisa ruim! Não, não sejamos comuns a ponto de julgar sem refletir! Todos temos um pouco de Eremita dentro de nós e é pra isso que caminhamos, lenta mas indubitavelmente, não é? Exatamente como está na Carta.
Sendo assim, essa Semana requer sabedoria para que vejamos em nós o lado mais ranzinza e inflexível. O nosso Velho Interior. Não basta pedirmos aos céus, todos os dias, dinheiro, trabalho e saúde. Precisamos também pedir força e sabedoria pra trabalhar nossas fraquezas e ignorâncias. Façamos isso. Ainda dá tempo.
Aproveitando a deixa, vou convidar vocês para fazer meu Curso Básico de Tarô, no dia 15/03, um sábado. Será aqui em São Paulo, um dia todo de aula com muito debate, esclarecimento e prática de jogos. Já escrevi em minha News, mas vale repetir aqui: não prometo milagres neste Curso nem vou focalizar o assunto em meu conhecimento. Quero, sim, saber quem vai fazer a aula comigo, conhecer cada aluno, explicar tudo da melhor forma possível e mostrar o que o Tarô pode oferecer dentro do prazo estipulado. Para fazer um fast-learning, não dá, sou meio “Eremita” demais para correr com o Conhecimento. Mas, para quem pretende conhecer o Tarô, esclarecer dúvidas e ainda praticar alguns jogos, estarei disponível, com boa vontade e bom humor, para ensinar e treinar junto com vocês!
Como escrevi no início deste artigo: muita gente diz que o trabalho virtual é fácil. Enganam-se mesmo. Cada consulta, cada aula, cada trabalho é tão personalizado que faz com que eu possa ver e auxiliar cada pessoa, individualmente, sem precisar simplesmente mostrar o que sei e depois ir embora, deixando as pessoas se virarem com tudo o que foi dito. Cada um tem sua escolha, não é mesmo? A minha é, antes de mais nada, ver que, onde quer que esteja e independente do formato, ali tem uma pessoa requerendo meu trabalho. E ela merecer respeito, dedicação e (porque não?) exclusividade.
;)
Abração à Todos
Kelma Mazziero
PS. Para se inscrever pro Curso basta enviar e-mail pra mim, no taro@kelmamazziero.com.br. Eu mesma responderei pra você ;)

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