Cartas na Mesa: Tarô Virtual

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Arquivo de Abril de 2008

O que fere mais:armas ou palavras?

Semana da Estrela.
Carta bem aceita pela maioria por se tratar de símbolo harmonioso, perseverante, pueril, inocente…porque uma frase tão pesada para intitular esse texto, então? Respondo: porque a gente adora esta Carta mas não a pratica sempre… simples assim. O comportamento ingênuo, otimista e transparente simbolizado por uma mulher nua (sem máscaras) à beira de um rio, que derrama água de um jarro na correnteza (jogando fora o que precisa ser eliminado) e com outro jarro despeja água sobre a terra (fertilizando o que precisa e merece ser brotado) é raro hoje em dia. Ou chamamos quem se comporta assim de bobo-alegre ou já rotulamos de pessoa falsa. É difícil conhecermos alguém e não julgarmos essa pessoa. É, aliás, comum nos reportarmos aos outros com frases repletas de idéias subliminares tais como ” Sabe como é Fulana, sempre fechada...” ou ainda ” Nem adianta tentar entender porque ele nunca fala o que pensa…” ou até ” Ele me decpcionou” e tem o bom e velho” Ela está sempre disponível, pode ligar“. Podemos perceber que, sendo bom ou sendo ruim, trata-se de rótulo imposto ao semelhante. E como diria meu falecido pai ” Não matamos uma pessoa somente com armas”. Acho, inclusive, que já falei sobre isso aqui num texto mais antigo.
Sendo assim, fica aqui uma sugestão. Na verdade, fica aqui um pedido: que tal tentarmos praticar realmente a Estrela e sermos fiéis aos fatos e pessoas sem colocarmos neles uma impressão pessoal? Que tal descolar os rótulos dos outros? Assim, quem sabe, poderemos nos desfazer daqueles que estão impregnados em nós também!
As palavras, proferidas indiscriminadamente, podem matar uma esperança, uma fé, um pouco de nossa “criança interior”. Quando nos obrigamos a dizer “tudo o que pensamos” com a falsa roupagem de honestidade, ficamos cruéis e imprimimos sensações que caricaturizam as outras pessoas e situações que vivenciam.
Que tal aplicarmos a simbologia tão apreciada em nós mesmos para vivermos mais leves de verdade? A Estrela - dentro de cada um - certamente agradecerá :D
Boa Semana para todos!
Kelma Mazziero
PS. Aguinaldo Silva: nem te conheço mas AMEI seu post recente sobre a Melancia. Os rótulos, realmente, turvam nossas visões.

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Quando a base é feita de areia…

…a construção certamente cairá!
O mais impressionante é saber que as pessoas que mais temem a Torre sabem que ela está por acontecer. Não quero deixar as pessoas com medo dela, não. Esta carta é extremamente útil e importante em nossas vidas, caso contrário nunca saberíamos distinguir o que vale (ou não vale) à pena. Somente pela dissolução vemos que o que nos parecia seguro não seria duradouro nem estava bem estruturado. Cabe aqui um exemplo: quantas vezes vivemos na base do Medo? Medo de perder, de sermos abandonados, de perdermos contato, de sermos afastados, demitidos…e parece que é exatamente o que mais tememos que acaba acontecendo. Os mais “esotéricos” dizem que é porque atraímos isso pra nossas vidas. Eu, pessoalmente, acho uma chatice esse papo de que eu mesma atraio coisas ruins pra mim. Seria eu uma ignorante por não conseguir distinguir a energia que eu mesma emano? Nossa, me dá calafrios pensar que eu mesma atraio coisas negativas pra minha vida! Não concordo com isso, não. Tanto que penso de modo diferente. Acho que todo ser humano que se preze tem intuição ou tem instinto. E é essa porção que nos avisa quando aquela situação em nossa vida não está bem embasada, quando algo no cotidiano vai acabar caindo, rompendo ou acabando. E a gente, por sentir isso lá no fundo, percebe o medo, fica receoso… sabendo que pode perder o que (acha que) gosta. Portanto nos agarramos àquilo como a uma tábua de salvação. Neste estágio vemos as pessoas que negam enxergar a realidade, fingem que seus relacionamentos estão bem, ou, nalguns casos, se tornam praticamente desequilibradas por adquirirem mania de perseguição e desconfiança extremas. Tudo isso, gente, é medo de encarar a Torre!
Não é pra ser julgado, não é pra ser ironizado nessa fase. Todo mundo já viveu isso e sabe que é um inferno. Aliás, o medo é pior do que o evento em si. Mas é ruim à beça encarar, quando acontece. A gente confunde perda com fracasso, desilusão, erro. Por mais que seja uma limpeza…parece que demos a vitória de bandeja aos outros. Porém, lembremos: é uma fase. E como toda fase…passa. Melhor treinarmos nossa resistência para superar esses instantes de dor, aprender com tudo isso, buscar bases mais sólidas, aceitar os rompimentos com menos relutância para que o Novo tenha espaço.
Bem… eu escrevi tuuuudo isso, na verdade, para mostrar que é neste momento que conhecemos a maioria das pessoas (nós, tarólogos ou terapeutas). E é por isso que, antes de buscar uma Leitura de Tarô, é importante que esse cliente veja, consigo mesmo, qual a disposição dele em ouvir a realidade. Não adianta depois brigar no meio do atendimento! Consulte seus medos. Consulte suas bases antes de consultar as cartas. Busque um aconselhamento se, realmente, estiver disposto(a) a receber isso como esclarecimento, não ofensa. Se você vive esta fase de se agarrar às beiradas do precipício, talvez não seja o melhor momento para jogar Tarô! Não há nada de mais (nem de mal!!!) estar agarrado(a) à beira do precipício, mas, seria esta a melhor hora de esclarecer os fatos? Pense, consulte suas bases, não procure fora um culpado pelo seu Momento. A Torre faz parte da Vida, mas, como cada um deve cuidar da sua…a melhor hora para enxergá-la depende unicamente de você.
Boa Semana à Todos
:)
Kelma

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O Diabo: Negue a própria vaidade quem for capaz…

Nem vou começar o texto dizendo que esta é mais uma das cartas “temidas” do Tarô. Isso vai acabar virando clichê. Se a gente pensar objetivamente quase todas as cartas de Tarô são temidas, aliás, até hoje a profissão-tarólogo ainda é temida e mal falada. O tempo passa mas os rótulos continuam. Por isso, pulemos a parte óbvia de que esta Carta é assustadora, vamos ao que interessa: não é uma lâmina que fala do Diabo sob o ponto de vista católico, também não se trata de simbolizar a figura do mal, muito menos indica perigo. É um pouco tosco afirmar que o Diabo é carta de má sorte (mesmo eu já tendo lido isso diversas vezes e até levado “bronca” de visitantes do Site que dizem que puderam presenciar o quanto esta Carta é má e nagativa!).
Nesta simbologia do Diabo temos a representação da tentação. E se tivermos que usar de honestidade, atualmente, a tentação é um termo visto até com certa aceitação, não é mesmo? O tema em si é abrangente, sei disso. Dizemos que estamos “tentados” a fazer algo e temos medo daquilo, ou que sentimos a tentação e isso é diferente/emocionante, ou até que fulano de tal fez coisas erradas porque foi tentado muitas vezes (normalmente nesses casos falamos sempre na terceira pessoa porque não queremos nos expor demais). Seja lá qual for a conotação, tentação liga à idéia de desafio, conquista, poder, manipulação. Todos (repito: TODOS) estes termos são parte integrante e frequente em nossa rotina. Até porque a emoção - ou aquilo que chamamos de paixão - dá sempre um colorido novo, tira o tédio e a exaustão dos dias de hoje.
Mas quem seria o primeiro a levantar a mão e dizer que resiste às tentações? E aqui me refiro a qualquer tipo de tentação. Porque fazer pose e dizer que resistiu a uma proposta tentadora dá até um certo ibope, um certo status (temas presentes na Carta XV também!) mas, resistir à tentação de si mesmo, seria possível? Como não julgar o outro usando a si mesmo como parâmetro? E como aguentar não opinar quando se trata de problemas e condutas alheias? De que forma evitar o brilho próprio, mesmo precisando dar uma leve pisadinha em quem está perto, pra sobressair-se num momento estratégico? Ah, tenha dó, isso é o dia-a-dia! É discutir o sexo dos anjos, nunca chegaremos a uma conclusão, é tudo tão alinhavado!
Sendo assim, o problema não está no Diabo. Nem na tentação que ele representa. O problema é fingir que isso não acontece com todo mundo, deixando de ser carola e puritano, assumindo naturalmente que o pensamento retrógrado ainda é visto com bons olhos num País no qual a mulher é enaltecida pelo tamanho do bumbum. Numa época na qual ninguém perde a chance de dar um pitaco sobre a morte trágica de uma criança - seja para falar o que acha ou para criticar quem fala o que pensa - e rotular ou analisar o sentimento coletivo como se estivesse vendo a tabela de informação nutricional de um pacote de biscoitos. Aprovar pesquisas científicas para compreender a razão física pela qual uma pessoa nasce com maior propensão ao crime que outra é recriminado pelo super-hiper-entediante programa dominical Fantástico , afinal, eles justificam que somos seres humanos, não máquinas. Mas depois, quando acontece algo trágico, rapidamente todos analisam, filosofam, criticam, rotulam.
Enfim, lidar com o Diabo é bem mais chato do que se pensa. Porque ele está intrinsecamente ligado ao ato e ao poder. Essas coisas são valorizadas cada dia mais em nossas Vidas, independente de serem coisas boas ou más. Mas arrisco dizer que a negação da própria vaidade é praticamente impossível para o Homem atual. Ignorar este fato seria tolice. Portanto, deixo aqui a reflexão da semana: Rejeitar participar desse Sistema é possível? O que você faria para purificar-se disso? Bem, a resposta certamente só interessará a quem responder com sinceridade, e, principalmente para si mesmo.
Boa Semana a Todos;
Abraços
Kelma Mazziero

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A Arte da Temperança

Já começamos a semana em ritmo de Temperança. Debater essa Carta do Tarô é fácil. Quem gosta de exibir conhecimento e gastar horas a fio em papo-cabeça adoraria falar dela, afinal, é a representação da ponderação, do chove-não-molha, da reflexão excessiva, da falta de atitude por preferir se misturar à multidão passando desapercebida. Pois é, pode parecer ruim. E, sinceramente, quando precisamos fazer isso, muitas vezes, é ruim mesmo. Mas analisemos outro lado da Temperança: ela sabe ser estável. Não me refiro aqui a ser seguro ou ter garantias (isso são paranóias das pessoas medrosas) porém conseguir manter uma estabilidade interna é algo invejável.
Costumamos absorver informações e conceitos alheios com mais facilidade do que imaginamos. Por exemplo: todo mundo fala, escreve e repete que é na hora do “aperto” que vemos os verdadeiros amigos. Dizem também que nos momentos ruins ou de maior pico em nossas vidas é que sabemos quem são os amigos e podemos contar com a família (pois eles sempre estão lá). Eis um conceito medíocre. Estar ali nas fases mais destacadas de vida é fácil, afinal, não é sempre que passamos por grandes problemas. Estar disponível nos grandes obstáculos é obrigação de quem se envolve com outra pessoa: faz parte do pacote-relacionamento-á-moda-antiga. Porém, estar ali nos pequenos momentos é uma Arte. E a Temperança, eventualmente, vem com este nome: a Arte. Pode ser que seja referente à Arte da Alquimia, sim. Mas não seria uma alquimia perfeita conseguir transformar o corriqueiro em pérola?
Pois então, aqui podemos ver uma parte muito rica da Simbologia da Temperança: ela está ali. Sempre. Não precisa alardear, aparecer dando tchauzinho pra câmera na hora do escândalo, prefere até deixar seu nome fora dos falatórios e comentários. Ela prefere SER, não apenas FAZER. Sabe a diferença de permanecer. É por isso que participar dessas descobertas na Vida dá - para todos nós - uma sensação mágica de alegria e bênção por viver e ter momentos inspirados. Melhor que isso, sermos inspirados por estas pessoas que sabem permanecer, ficar ali, mesmo sem chamarem tanta atenção assim…e fazem toda a diferença do mundo. Matam o jargão pobre de que ” é nas horas difíceis que vemos quem é quem”. Não, não é nada. Vemos quem é quem na hora do cafezinho, na hora de repartir um pedaço de bolo, de rir da televisão, de lembrar algo e chorar junto ou de ficar entediados lado-a-lado. Esta é a Arte da Alquimia: transformar o tédio em melodia, como diria Cazuza. Aproveitemos essa semana para homenagear as Temperanças de nossa vida. E aproveitemos também para pensar (já que é o tema dela!) se sabemos e aguentamos ser como ela. Será?
(Esta eu dedico especialmente à minha mãe, que segura todas e continua ali. Inteirinha.)
Boa Semana a Todos
Kelma Mazziero

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