A Arte da Temperança
Já começamos a semana em ritmo de Temperança. Debater essa Carta do Tarô é fácil. Quem gosta de exibir conhecimento e gastar horas a fio em papo-cabeça adoraria falar dela, afinal, é a representação da ponderação, do chove-não-molha, da reflexão excessiva, da falta de atitude por preferir se misturar à multidão passando desapercebida. Pois é, pode parecer ruim. E, sinceramente, quando precisamos fazer isso, muitas vezes, é ruim mesmo. Mas analisemos outro lado da Temperança: ela sabe ser estável. Não me refiro aqui a ser seguro ou ter garantias (isso são paranóias das pessoas medrosas) porém conseguir manter uma estabilidade interna é algo invejável.
Costumamos absorver informações e conceitos alheios com mais facilidade do que imaginamos. Por exemplo: todo mundo fala, escreve e repete que é na hora do “aperto” que vemos os verdadeiros amigos. Dizem também que nos momentos ruins ou de maior pico em nossas vidas é que sabemos quem são os amigos e podemos contar com a família (pois eles sempre estão lá). Eis um conceito medíocre. Estar ali nas fases mais destacadas de vida é fácil, afinal, não é sempre que passamos por grandes problemas. Estar disponível nos grandes obstáculos é obrigação de quem se envolve com outra pessoa: faz parte do pacote-relacionamento-á-moda-antiga. Porém, estar ali nos pequenos momentos é uma Arte. E a Temperança, eventualmente, vem com este nome: a Arte. Pode ser que seja referente à Arte da Alquimia, sim. Mas não seria uma alquimia perfeita conseguir transformar o corriqueiro em pérola?
Pois então, aqui podemos ver uma parte muito rica da Simbologia da Temperança: ela está ali. Sempre. Não precisa alardear, aparecer dando tchauzinho pra câmera na hora do escândalo, prefere até deixar seu nome fora dos falatórios e comentários. Ela prefere SER, não apenas FAZER. Sabe a diferença de permanecer. É por isso que participar dessas descobertas na Vida dá - para todos nós - uma sensação mágica de alegria e bênção por viver e ter momentos inspirados. Melhor que isso, sermos inspirados por estas pessoas que sabem permanecer, ficar ali, mesmo sem chamarem tanta atenção assim…e fazem toda a diferença do mundo. Matam o jargão pobre de que ” é nas horas difíceis que vemos quem é quem”. Não, não é nada. Vemos quem é quem na hora do cafezinho, na hora de repartir um pedaço de bolo, de rir da televisão, de lembrar algo e chorar junto ou de ficar entediados lado-a-lado. Esta é a Arte da Alquimia: transformar o tédio em melodia, como diria Cazuza. Aproveitemos essa semana para homenagear as Temperanças de nossa vida. E aproveitemos também para pensar (já que é o tema dela!) se sabemos e aguentamos ser como ela. Será?
(Esta eu dedico especialmente à minha mãe, que segura todas e continua ali. Inteirinha.)
Boa Semana a Todos
Kelma Mazziero
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3 respostas para “ A Arte da Temperança ”
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“….ela fez uma comparação lindíssima, não merecida mas, eu agradeço muito, mesmo porque eu a amo demais”!
Vovó Naide
Eu não li ainda pq tenho déficit!
hahahahahahahahha
Viva a Vovó!
Nós a amamos muito e é muito bom poder demonstrar nossos sentimentos a quem gostamos.
Desse mal ela não morre!!