Arquivo de Julho de 2008
Por que a definição incomoda?
O ser humano é engraçado. Quando vive uma fase de calmaria e poucas realizações, reclama, pois quer mais ação e dinamismo. Porém, nos momentos nos quais precisa definir, se queixa, pois nada está resolvido e precisa de sua atitude ser esclarecido. Ou seja, se a gente não precisa definir nada, não está bom, afinal esperar o outro definir é insuportável (mistura um pouco de impotência com ansiedade e gera um desespero tremendo). Mas, se a gente é que precisa definir, o mesmo desespero acontece, porque dá um medo terrível de perder de vez a chance que anteriormente existia (ou pelo menos que supúnhamos existir).
É bom deixar claro: decisão não é o mesmo que definição. Quem está indeciso não sabe o caminho que vai escolher. Quem está indefinido, não sabe o que poderá acontecer, não vê o que existe atrás do muro. É bem diferente. A decisão está em nas mãos de quem escolhe. A definição nem sempre.
A Justiça, Carta da Semana, é uma representação espetacular de definição. Fria, racional, prática, direta, imparcial. Ela ensina como definir. Claro que, nem sempre, a gente quer agir assim. Mas, infelizmente, é preciso fazê-lo eventualmente. Ajustar situações, aparar arestas, ver com praticidade os conflitos é prática fundamental pra termos uma vida (interior) mais saudável. Não falo aqui de briga, discussão, nem da moda atual em “discutir relacionamento”…muito menos daquele esquema agressivo no qual se prega o “doa a quem doer: diga o que pensa”. Não. Aqui falamos de cabeça fria, mente objetiva, razão equilibrada, postura perfeita entre pesar e cortar o que for preciso. Sem choro nem vela…fazer o que precisa ser feito.
Portanto, através desta Carta aprendemos a fazer nossa parte, sermos justos, agirmos dignamente, entendermos sem medo nossos conflitos e, enfim, definirmos o que faz sentido atualmente e as coisas que já não soam tão importantes. Difícil, mas útil e necessário, não é? Uma Semana forte, que pode abrir espaço para definições internas, refletidas no mundo externo. Para quem gosta de arriscar, este é o momento de resgatar o senso de justiça interior. Para quem gosta de pensar é o momento perfeito de rever bases e direcionar o que vale à pena. Já no caso de quem prefere deixar pra depois…infelizmente resta esperar e aceitar que outros façam o que, um dia, a Vida deu chance de ser definido e não foi devidamente resolvido.
Boa Sorte à todos e votos de uma excelente Semana!
Abraços
Kelma
PS. Vou aproveitar o clima de Justiça e deixar aqui um recadinho para os meus queridos “griefers”. Para quem não sabe, griefers são as pessoas que se aproveitam do anonimato da internet para deixar recadinhos grosseiros e agressivos em Blogs, Orkuts e sites comunitários da vida. Os comentários do Blog são moderados, portanto, não publicaremos mensagens toscas para que se divirtam sem mostrarem suas carinhas. Aproveitando a Carta da Semana, inclusive, fazer o que deve ser feito escondendo o rosto é prova de pouca razão e nenhum conhecimento. Por isso, todas as mensagens que, porventura, agredirem os leitores serão deletadas sem piedade (como a Carta 8 faria) e seu IP devidamente anotado para encontrarmos quem escreveu. Confundir estudo com materialismo é coisa de gente ignorante, e, infelizmente, daqui pra frente, serão tratados como merecem: com pouca atenção e nenhum reconhecimento. A Justiça tarda. Mas NUNCA falha.
2 comentários »E se eu fizer e me arrepender?
A indecisão tem 2 pontos importantes: o primeiro é o temor das consequências/resultados provenientes da escolha. O segundo é recear o arrependimento. Tanto um quanto outro se tratam de insegurança, pois, o despreparo acaba dando a sensação de que errar não é humano.
O Carro - Arcano VII - Carta da Semana, fala disso. Mostra na simbologia um homem determinado a alcançar seu objetivo, seguindo um rumo incerto, porém nem por isso, descrente do que pretende realizar. Eis o “x” da questão: o caminho sempre será tortuoso, a Vida sempre impões desafios, a trajetória costuma se mostrar nebulosa por alguns momentos. Mas quem conduz o veículo ou aquele que trilha o caminho não deve esmorecer ou duvidar de si mesmo. Duvidar dos resultados é uma coisa, duvidar de si mesmo é perigoso.
Tem momentos nos quais tanta gente fala, opina, invade e sugere que ficamos com medo. Medo de fazer errado. Medo de se arrepender. Mas eis o detalhe: esse medo pode ser pela platéia e não por nós mesmos. Basta lembrar daquela vez que decidimos romper uma relação doente ou do momento que aceitamos uma proposta de emprego. O mundo pode ter gritado em nossos ouvidos, mas a gente sabia antes de qualquer outra pessoa, o que deveria ser feito. Naquele momento, “ouvimos nosso coração” (frase muito usada mas pouco compreendida quando é realmente necessária).
Sendo assim, basta reencontrar dentro de si essa determinação. Lembre-se de sua meta e seu objetivo, esqueça o medo de se arrepender. Ter cautela é uma coisa, brecar no meio do caminho e estacionar é outra.
Enfim, esta semana está propícia para resgatar a determinação. Esqueça um pouco o que os outros dizem e pensam, siga seu Caminho com fé e propósito. Estar consigo mesmo(a) é um presente da Vida, manter seus propósitos é um direito, estar acompanhado(a) não deve ser vinculado a errar ou acertar em suas escolhas. A rédea de sua Vida está em suas mãos. Conduza-a com paixão.
Boa Semana a Todos;
Abraços ![]()
Kelma
Qual a opção correta?
Mais uma vez estamos passando pela Semana dos Amantes (ou Enamorados), a Carta VI, que fala de opções. É óbvio que este Arcano também sugere outras tantas coisas, mas, sempre é citado pelas escolhas e decisões.
Já que é assim não vou fugir do tema (como gosto de fazer normalmente). Falarei algumas coisas sobre a indecisão. O que significa a indecisão para nós? Uma chance ou um problema? Na maior parte do tempo um problema. E por que isso acontece? Porque queremos “acertar” a decisão. Mas, agora, vem a pergunta crucial: o que seria acertar na decisão?
Baseamos nossos erros e acertos, culpas ou vitórias, através dos resultados obtidos. Se o resultado for bom significa que optamos corretamente. Se for ruim, é sinal de que erramos feio. Será? Não seria simplesmente a chance que a Vida tem de nos mostrar que temos livre-arbítrio, independente de acertarmos ou errarmos em nossa opção?
Veja bem, ganhar ou perder nem sempre é uma resposta para sua escolha. Podemos dizer que uma pessoa que tem opinião sobre algum assunto e só se manifesta de forma covarde, essa pessoa sim, fez uma péssima escolha. O mesmo acontece ao apunhalarmos ou sermos apunhalados pelas costas (essa escolha, também, bastante infeliz). Porém, se fizemos uma escolha e vimos que não chegamos onde esperávamos, ganhamos de qualquer jeito, pois aprendemos que podemos escolher e que, daquela forma, não obtivemos o que esperávamos. Não seria um ganho, poder aprender? Fruto de nossa própria escolha, fruto positivo.
Portanto, escolher não tem lado certo/errado: é um ato abençoado pela Vida através do uso do livre-arbítrio. Não importa o resultado, afinal, o foco é a escolha em si. A decorrência dela se trata de um próximo capítulo. Desde que possamos usufruir desse direito, já vale (muito!) a pena optar!
Desejo a todos uma Semana de opções verdadeiras, independente de consequências certas ou erradas, pois isso será do encargo de cada um. Mas que, a cada decisão, todos possam se lembrar de que não somos marionetes da Vida, e sim, peças legítimas de um jogo real e consciente ![]()
Abraços a Todos;
Kelma Mazziero
Pacote da Amizade
O Papa (ou Sacerdote) é uma daquelas Cartas que ficamos em dúvida quanto à melhor forma de interpretar. Isso acontece porque estamos condicionados ao esquema de cartas “positivas” e cartas “negativas”. Quando surge um símbolo mais social, com apelo religioso, fica aquela indecisão pairando no ar e costuma-se interpretar como “legalidade” ou “acertos espirituais”. É comum nos depararmos com estes clichês em leituras e explicações prontas.
Porém, se analisarmos as cartas pela ótica familiar/social (ambiente e situação comuns na época próxima ao Renascimento, quando o Tarô ganhou espaço na Europa) temos o Mago como a representação do homem jovem, a Papisa como uma mulher também jovem, a Imperatriz como a mulher/mãe, O Imperador como o homem/pai e o Papa como a figura religiosa, de ligação familiar, o amigo e conselheiro da família.
Sendo assim, seguindo esse esquema, o Papa/Sacerdote representa, dentre outros atributos, o amigo/parceiro/conselheiro. Esse conceito, há séculos atrás, era mais claro do que é hoje. Atualmente, bastou saber o nome e algumas informações de outra pessoa ou trabalhar junto, que já denominamos o outro de “amigo”. E chovem e-mails/correntes de amizade, de agradecimentos, elogios, além das mensagens piegas ou dramáticas que posicionam a amizade como a “família que a gente pode escolher”. É interessante avaliar, usando a simbologia das Cartas, a forma superficial que se lida com o tema hoje. Antigamente era a figura de maior confiança, o representante religioso da comunidade, aquele que ouvia em sigilo os problemas e dificuldades, ajudava em conflitos familiares e passava grande parte de seu tempo aconselhando, apoiando e dando suporte. Uma figura única, não se tratava de uma turma grande ou de um colega que simplesmente troca idéias ou fala de si mesmo, seus problemas e vitórias. A figura de amizade era tida como apoio, companheirismo, parceria, aconselhamento e principalmente neutralidade. Isso existe? Difícil saber. Aliás, o que mais se escreve é que o amigo de verdade vemos nas horas difíceis, pois quando estamos numa boa fase, todos são “amigos”. Tenho cá uma pergunta: “Não seria o contrário”? Quando estamos com dificuldades o que mais ouvimos é solução, conselho e recebemos “apoio”…já quando tudo caminha bem a situação nem sempre fica bacana, pode surgir competição, despeito, conflitos sem sentido. Enfim, dentre tantos chavões sobre amizade, a figura do Papa se perde, parecendo mais uma carência emocional humana, do que alguém realmente importante e que muda toda a estrutura de quem pode contar com uma presença tão valiosa e precisa quando a do Sacerdote.
Tudo se torna tão fragmentado e superficial que nem se consegue unir o sentido da família com o amigo, dando a impressão de que uma coisa “salva” a outra, fazendo com que pulemos de galho em galho sem sabermos o que é verdadeiro, legítimo, sincero. Talvez tudo isso possa existir numa única pessoa. Talvez o amigo verdadeiro seja a família. Ou a família vire uma grande amizade. Ou, quem sabe, seja possível ter ambos em nossas vidas sabendo valorizar em igual proporção e potencializar um ao outro com honra e honestidade. Interessante notar que a maioria dessas características estão na Carta V, O Papa.
Sendo assim, nessa Semana o Papa inspira o resgate da verdadeira amizade. Não a amizade passageira, superficial, “enlatada”. Mas a parceria que dá certo e ressalta tudo o que há de melhor em nós e naqueles que fazem parte de nossa vida. É natural, sincero, tranquilo e leal. Aproveite para pensar nisso e se comprometer de verdade, aceitando e compreendendo tanto as diferenças quanto as igualdades nos outros, compreendendo e se posicionando com tudo isso. Não me espantaria saber que, dentro disso tudo, você vai (re) descobrir pessoas fundamentais e (re)definir outras que estão sobrecarregadas com expectativas excessivas. Aceitar o outro como ele é nos ajuda a entender qual o papel de cada um em nossa vida e qual o nosso papel em toda a bela história que criamos a cada dia.
Boa Semana ![]()
Kelma Mazziero