Arquivo de Agosto de 2008
Falar é (sempre mais) fácil
É curioso notar o quanto a expressão verbal pode ajudar e atrapalhar uma pessoa ao mesmo tempo.
Muitas vezes, por falta dela, não se esclarece coisas fundamentais entre as pessoas. Porém, por excesso dela, acaba-se deixando de agir. Digo isso porque é comum ver as pessoas se satisfazerem simplesmente em falar, prometer, anunciar (até reclamar, como dito semana passada!) mas na hora de fazer algo real a energia vai-se embora. Explico: o desabafo, o falar e emitir opinião sem freios pode gerar a sensação de satisfação, antes de que algo seja efetivamente cumprido, à respeito da situação. É muito mais comum do que se imagina ver as pessoas prometerem coisas: choramingando, desabafando, bradando…mas na hora “H” não fazem nada porque já gastaram energia e vivenciaram o processo falando sobre ele. É o bom e velho “se ele estivesse aqui, eu diria que não passa de um covarde“. Muito bem, se ele realmente estivesse aqui você diria isso mesmo? Ou já disse na hora errada e deixará passar mais uma vez o que lhe incomoda? Ou - melhor ainda - vai mudar alguma coisa prometer, dizer, esbravejar? Isso vale mesmo à pena? Sim, essa (semi) atitude é realmente questionável.
Nesta Semana, representada pela Morte, o que verdadeiramente urge é a necessidade de começar os processos de desapego que já deveriam ter sido iniciados. A Morte ceifa. A Morte corta. A Morte escancara. A Morte não manda recado.
Naturalmente não me refiro à morte física, mas sim, à simbologia da Carta XIII, que remete ao desapego e à noção de que o velho ditado “antes tarde do que nunca” funciona. A Morte gera uma lucidez que faz a pessoa ver tudo sem ilusão, e naturalmente, incentiva o desapego de tudo que passou. Sem lamentos ou dramatizações.
Muitos acham que é uma carta que indica o fim. Não. É transformação, um tipo de transição, de algo que acabou e dará espaço ao que está (logo ali!) na porta para começar. Portanto, ela (A Morte) semeia! Ela (A Morte!) prepara terreno para o novo! Ela (Sim, a mesma Morte!) faz renascer. Só que para isso é preciso que o desapego deixe espaço livre, senão o renascimento é protelado, deixado de lado e sonegado por um apego sem sentido, por algo que não será mais como antes era. Nunca mais será como antes.
Hoje fica a mensagem de incentivo: deixe que as coisas sigam seu curso. Aceite os caminhos que o Destino oferece. Não recue. Não resista. Não se apegue. Não tome posse. O conhecido é bom, mas nada impede que o desconhecido seja melhor. Dê uma chance à Vida.
Sem Morte o desapego não existe. E sem desapego a Vida esmorece.
Boa Semana a Todos;
Abraço!
Kelma Mazziero
Quando um ideal se torna uma cômoda idéia
A zona de conforto mais comum é a reclamação.
Iludidos pela idéia de que reclamar é sinal de atitude - e também ludibriados pela sensação de desabafo - muitos acreditam piamente que reclamar resolve problemas. A moda pegou. Todo mundo reclama de tudo. E quando tem alguém que questiona a efetividade dessa reclamação ouve como resposta uma frase sem o menor valor: “Resolver não resolve, mas pelo menos eu faço alguma coisa”.
Pendurado. A Carta da Semana (temida e detestada por muita gente) contém diversos atributos mas, o que se destaca nela, é a estagnação opcional. Alguém que está dependurado, sem tentar se mexer ou mudar de posição, remoendo e pensando coisas antigas (afinal, quem não vive o presente não se desapega do passado!)esperando da Vida (e dos outros) muito mais do que ela pode dar. Infelizmente, nesse grupo se encaixam os “reclamões”. Aqueles que reclamam de tudo mas, principalmente, se queixam das outras pessoas. “Fulano não me dá atenção, Beltrano não se empenha, Fulano nunca se esforça para que a gente se entenda, Beltrano nunca age como eu acho certo…” e assim por diante. Reclamar do outro é o que há de mais desnecessário: quem reclama se incomoda, quem é reclamado se chateia e quem escuta se cansa. Totalmente inútil. Mas acaba se tornando cômodo para quem faz a reclamação. Porque vira um desabafo, um recado, uma solicitação que pode - um dia - ser considerada. Invade o espaço do outro, desrespeita o ritmo das pessoas, deixa a sensação de rejeição no ar, além de escancarar que o que o outro fez não foi o suficiente.
Isso porque, às vezes, sonhar e esperar tudo das pessoas ou das situações pode se tornar cômodo. E, quando não acontece o que se esperava (a utopia e a fantasia não se realizam) a sensação de reclamar parece legítima! Mas não é. Porque reclamar torna o “sonho” que foi criado ainda mais distante. Basta imaginar - criar uma expectativa - não ser correspondido e…voilá! Reclamar se torna a solução, a reação mais natural. Porém tem um pequeno detalhe esquecido nesse padrão: ao olhar para outra pessoa, apontando e julgando-a (através das eternas reclamações) exige-se que essa pessoa faça o que o acusador não consegue fazer: mudar. Sair do comodismo. Deixar a zona de conforto!
Esta Semana, portanto, deve ser dedicada para a conscientização das exigências e também das reclamações. Nem sempre sonhar e idealizar faz bem. Ainda mais se o tal sonho nos dá “direitos” imaginários. Se apenas ler um artigo como este já parece pesado, então, basta fazer uma idéia do desgaste que é ouvir reclamações e exigências geradas na inércia do pensamento repetitivo.
E aqui não falo como taróloga ou conselheira que ouve reclamações (na maioria das vezes) legítimas e reais. Falo como pessoa, como ser humano, que na sua forma mais pura valoriza a liberdade de TODOS. Até de quem não faz o que lhe foi solicitado!
Pensar pra frente, olhar para o dia de hoje, aspirar o que está por vir é a receita infalível pra deixar um sonho mofado de lado e admitir uma transformação valiosa e real na Vida. Sem comodismo, sem expectativas utópicas, sem desrespeito, sem reclamação.
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma Mazziero
Não tente. Faça!
Esta Semana entramos na Carta XI, A Força, adentrando também numa fase de testes e provas. Isso não significa que surgirão problemas ou turbulências mas que será necessário usar de firmeza e segurança para realizar o que for preciso. Sendo assim, quando normalmente se acha que não dá mais pra aguentar a pressão ou o medo, o Destino pode mostrar que dá para suportar mais um pouco, e inclusive, superar ou resolver coisas que desgastam nosso cotidiano, nossa mente e emoção.
Para se conectar à essa Força (a da Carta e a Força Pessoal) é preciso usar serenidade, destreza, firmeza. Nada de reclamar, desanimar, desistir ou pensar que não é mais possível continuar neste Caminho. É importante “segurar o leão no laço”, mantendo domínio e controle, sem com isso se tornar autoritário. A certeza da própria capacidade já é um bom passo para domar o medo. Conhecendo a própria habilidade, evitando crises, concentrando a própria força em benefício próprio a fim de superar barreiras, a possibilidade de resolver o que incomoda é grande, o controle se torna uma consequência natural e não algo que se adquire no grito ou na apelação.
Portanto, a Semana permite que se use da serenidade e da segurança para a realização e resolução do que for preciso neste Momento.
Não tente imaginar que, o que está vivendo agora, poderia ser melhor.
Não perca tempo se iludindo de que algum dia resolver problemas foi mais fácil.
Não fique pensando que deveria ter escolhido outra coisa.
Não fantasie, aumentando ou diminuindo valores e perdas, desmerecendo o próprio intento de ter feito o melhor que podia.
Não olhe para trás com olhos atuais, pois você mudou.
Não olhe para frente com os olhos atuais, porque ainda vai mudar bastante.
Viva o hoje. Respire, concentre-se e realize, não apenas tente.
Viva e aprecie o que você tem e o que você se tornou.
Reencontre e aceite sua própria Força!
Boa Semana ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Gira-Girô
Quem nunca se sentiu inseguro que atire a primeira pedra!
Essa frase resume situações comuns da Vida mas, nem por isso, menos desagradáveis. Muito se fala em pensar no outro, em se “colocar no lugar da outra pessoa”, mas pouco se faz na prática essa tentativa. Vejamos… quem nunca se sentiu inseguro? Quem nunca deixou seu mundo desabar por conta de pensamentos e ruminações mentais? Pode ser no trabalho, na família, no amor. Tanto faz.
“Aquele meu ex-colega ficou com raiva de mim, agora foi promovido, não me chamou para sua equipe e já avisou que semestre que vem haverá corte…tenho certeza que serei um dos funcionários demitidos!”
“Minha filha agora está saindo com amigas mais velhas, começou a namorar um rapaz que é líder da turma, ficou rebelde e não me faz tanta companhia…será que ela vai se afastar e não conseguirei fazer nada para abrir seus olhos?”
“Estou caindo de amores por uma pessoa, já saímos algumas vezes… mas nunca se fala sobre compromisso, sobre o dia de amanhã, quando nos veremos novamente…nos encontramos por acaso, sempre rodeados de gente, já ouvi dizer que não é o tipo de pessoa que gosta de relação duradoura, há dias não me liga e quando ligo dá caixa postal…será que terminou e não ficarei nem sabendo? Já surgiu outro alguém?”
“Fiz confissões para um conhecido, não somos tão íntimos, mas estava com tanta vontade de desabafar que acabei falando tudo na hora errada, talvez com a pessoa errada e agora tenho certeza de que minhas confissões e confidências serão espalhadas, muita gente vai saber segredos meus, não tenho como evitar. Será que devo perguntar para as pessoas se já ouviram rumores sobre mim ou fingir que não percebi que todos já estão sabendo?”
A lista é grande. Muito grande. Situações assim acontecem todos os dias com (quase) todo mundo. É natural que um ou outro não admita. Mas quem convive consigo mesmo sabe que a cabeça cria braços, pernas, corpo e movimento sozinha, parece outro ser-vivo habitando o mesmo corpo, alimentando imaginações que produzem novas emoções, deixando o indivíduo desorientado, vulnerável, estranho. Instável. Isso se chama insegurança. E quando se está no auge do momento perde-se o controle e tanto a mente quando a emoção parecem conduzirem a si próprias sem o menor pudor. Quem já viveu isso sabe o quanto é complexo. Porém, depois que se decifra o enigma muitas vezes a sensibilidade e tolerância com os outros fica menor, parece que as pessoas esquecem que passaram por isso um dia! E é disso que trata o artigo de hoje.
A Roda da Fortuna: uma roda que gira, sobe e desce sem parar. Quando alguém perde o controle e se deixa envolver pelos ciclos turbulentos percebe o quanto é difícil assumir o comando da situação e aprender com os altos e baixos normais do cotidiano. Mas quando outra pessoa entra no mesmo ciclo, poucos entendem, julgam até falta de caráter ou pouca vontade. Interessante é notar que todos passam por isso mas poucos assumem e entendem quem vive o tão exaustivo momento, ainda mais quando é alguém que está por perto. Para compreender os que vivem isso basta fazer a si mesmo algumas perguntas: “Qual a utilidade de uma discussão agora?” “Cobrar responsabilidade é o melhor que posso fazer?” “Esperar uma atitude determinada e segura, agora, é viável?” “Querer dar a solução para a pessoa vai realmente ajudá-la?”. Questionamentos assim ajudam, e muito, aos que querem apoiar o momento difícil do outro. Não adianta ficar impaciente, exigir segurança do outro, tentar resolver coisas delicadas em meio às atribulações…o outro simplesmente não pode agir como se espera que ele haja!
Sendo assim, nesta Semana, fica a mensagem de compromisso com a tolerância. A Roda da Fortuna, carta X, sempre gira e sempre vai girar. Não podemos esquecer que ela gira igualmente para todos, e portanto, quem um dia está em cima…no outro poderá estar embaixo. Por isso, por respeito aos outros e a si mesmo, é fundamental se comprometer com a tolerância e os limites alheios, não impondo o ritmo próprio como se fosse uma referência, mostrando cumplicidade e não acusação. A Roda pede domínio sereno, não cortes ou definições radicais e dolorosas.
Todos passamos por fases, sempre, e enquanto estivermos vivos assim será. Respeitar, portanto, o ritmo da Vida é sinal de tolerância e não sinônimo de passividade.
Boa Semana a Todos
Abraço Forte!
Kelma Mazziero
Compreender é proteger-se
Entramos na Semana do Eremita, Carta IX, no Tarô. Como a maioria das cartas, esta também tem seu atributo mais conhecido, normalmente vista como Lâmina de Sabedoria. Acho importante relembrar que decorar uma carta por seu significado é uma receita falível e quase sempre empobrece o trabalho simbólico. Aqui escrevo para deixar uma mensagem sem me concentrar em “ensinar”, apenas refletir, sobre o que tanto se comenta delas.
O Eremita transmite paz, serenidade, maturidade, solidão, espiritualidade, sabedoria. É comum se pensar que uma coisa leva a outra (a paz traz serenidade, através da maturidade que surge com solidão e leva à espiritualidade e sabedoria). Muito bonitinho, mas no fundo, um remendo horroroso, não é? Porque são coisas bem diferentes. Sempre digo, inclusive, que a espiritualidade é vista de forma tão abrangente que muitas vezes está longe de ser o que dizem ser. Por isso cito aqui o primeiro ponto importante: sabedoria não é espiritualidade. Pode haver ligação, pode haver conexão (e é disso que escreverei hoje) mas nem por isso há obrigatoriedade de serem idênticas. Outra coisa que se confunde muito com espiritualidade é a necessidade de proteger-se. É normal as pessoas quererem proteção, e, para justificar a sensação de insegurança e medo, dizem que buscam “proteção espiritual”. O que seria, exatamente, essa proteção que buscam?
Enquanto a espiritualidade for vista como algo externo, a proteção também o será. Explico: quando alguém se sente desprotegido, inseguro, receoso e acredita que “alguém fez alguma magia, bruxaria ou simpatia/trabalho contra ele” costuma buscar ajuda externa. E nem sempre é possível resolver as coisas desse modo. Sentir-se aberto e suscetível à “ataques” alheios requer muito mais envolvimento da “vítima” do que simplesmente pagar para alguém resolver e “limpar” o trabalho feito. É preciso compreender. Sem olhar para si mesmo, para a situação, para quem supostamente o ataca e entender (de verdade) a situação não haverá proteção duradoura! Se este reconhecimento for desenvolvido, a proteção naturalmente virá de dentro (e não de fora).
Por favor, quero deixar claro que não estou criticando ou julgando quem trabalha com limpeza espiritual e segmentos afins, sempre gosto de deixar muito transparente o quanto respeito quem trabalha seriamente com terapias, cura e espiritualidade. Acredito inclusive ser uma ferramenta excelente o apoio terapêutico e espiritual, porém, desde que o envolvido não seja visto como um “alvo” mas como parte integrante e fundamental para o processo de auto-proteção. Antes que os fanáticos me critiquem, já vou documentando aqui meu respeito pelas curas energéticas e espirituais, feitas de forma competente. Porém, alerto aqui a importância de se fazer também um processo de amadurecimento interno, simultaneamente, no qual a pessoa consiga entender o que está acontecendo consigo e, ela mesma, criar sua proteção energética/mental/espiritual/emocional.
Isto posto, podemos ver que a sabedoria-de-livrinho-de-cabeceira atribuída ao Eremita pode ser muito mais profunda e real do que se imagina. Compreender que uma pessoa nos faz mal e a razão pela qual isso acontece é criar uma proteção natural contra qualquer ataque da mesma. Entender o que aconteceu e o que ocorre toda vez que somos atingidos, é praticar a Sabedoria do Eremita em favor próprio, criando uma couraça de proteção pessoal intransponível, brilhante. E o melhor de tudo: conseguir compreender a pessoa em questão, proteger-se de sentimentos mal-qualificados e não estar disponível aos ataques é, sem dúvida, ligar-se à própria serenidade no Caminho de Vida.
Desejo a Todos uma ótima Semana!
Que a compreensão traga a verdadeira proteção!
Abraços ![]()
Kelma