Arquivo de Novembro de 2008
Sempre o protocolo…
Na semana de 30/11 a 07/12 teremos a regência do Arcano IV - O Imperador - conhecido por diversos atributos ligados a rigidez e inflexibilidade. É comum encontrarmos pessoas que dizem que “não entendem o Imperador desse modo, mas sim, como alguém benevolente e amoroso“. Mas, como símbolo não é uma questão de opinião, fiquemos com os aspectos mais citados do Arcano IV que são: estrutura, praticidade, objetividade. Contudo hoje abordarei um tema ligado a essa Carta, pouco desbravado, e nem por isso menos importante: o protocolo.
O Imperador é aquele cara meio quadrado. Não é à toa que é o número 4. Ele nasceu, cresceu e vive num esquema pronto, previamente preparado, desde sempre. Sendo assim novidade e mudança não são seu forte. Essa mesma pessoa acaba virando um protocolo ambulante. Faz tudo o que acha que está certo e precisa da aprovação alheia porque é uma figura que demanda interação com os outros. Isso faz pensar em quantas pessoas, atualmente, repetem esse padrão sem ao menos se tocarem disso. Vou dar um exemplo da vida cotidiana pra não parecer tão filosófico. Ontem vi uma cena comum que - por estar me preparando para falar sobre o Imperador - me atingiu como uma flecha. Um casal estava com seu filho num local público. O menino se machucou, o rosto sangrava, a mãe resolveu lavar seu rosto. Até aqui tudo normal se não fosse o protocolo. Vi nas atitudes da mãe todos os conselhos de livros que explicam “como educar seu filho(a) de uma forma melhor“. A mãe perdera sua naturalidade. O menino tremia, assustado, com o sangue. O pai, mais instintivo, mostrou na hora sua preocupação…mas como os livros “condenam” a naturalidade, a mãe dizia que era normal, que isso acontecia com todo mundo e insistia pro menino voltar a fazer aquilo que o havia ferido. Nesse momento pensei “Poxa, vida, mas nem dar um tempo pro menino se chatear com sua própria dor?”. Então ela tinha o texto certo e pronto, na ponta da língua, mas nada de mostrar uma certa apreensão (que seria normal) nem dar um abraço no filho e dizer que sabia que estava doendo, que isso era muito desagradável, esperando o menino desabafar antes de ter que cumprir o bendito protocolo dos livros (inúmeros, milhares, infinitos) que viram cartilhas de pais e mães enlatados? O pai, que estava preocupado, defendeu o filho. E a mãe, em público, gritava com o pai e mandava que ele se calasse. Que maravilha. O protocolo venceu a naturalidade, a espontaneidade, o instinto. O filho querer ir embora é feio. Mas gritar com o marido (na frente do menino) não é feio.
É por isso que o Imperador pode ser uma ótima forma de retratar o protocolo. Nem sempre aquele protocolo educado e útil, mas sim, aquelas “cartilhas” um tanto absurdas que as pessoas seguem e não páram pra pensar que dentro de cada ser humano há, sim, uma certa sabedoria e deve ser levada em conta para a vida. Essa nova mania de aprender a ser funcionário através de livro, de aprender a ser amigo através de livro, de seguir guia para ser bom de cama, de aprender os passos de uma carreira de sucesso por manuais ou, ainda, aprender a ser pai ou mãe seguindo protocolo é o fim da picada! Desde quando um manual ensina a amar e entender a dor do outro? Onde foi parar o uso da metáfora para instigar a criatividade, deixando que cada um sinta e perceba a sua melhor forma de aprender as coisas da vida ou resgatar a própria sabedoria? Esses guias podem ajudar a compreender melhor uma função, talvez, mas deixar tudo de lado para fazer o que é politicamente correto (e pior: numa relação de afetividade!) é perder tempo e perder vida. Fico imaginando o Alexandre Nardoni lendo um livro desses, a Ana Carolina Jatobá e todos esses pais, mães, babás desequilibrados se sentindo aptos a cuidar de filhos e de pessoas ou ainda terem uma carreira de sucesso. Valha-me Deus! Hoje em dia não se diz mais “não”, não se pode mostrar sentimento, não se aceita a naturalidade. O que conta é o protocolo. Protocolo antiquado revestido de glitter (que no meu tempo chamava purpurina) para ficar enfeitadinho.
Por isso, O Imperador pode representar essa parte que invade nossas vidas: o protocolo. Mas poderia ser bem utilizado se não fosse para padronizar a todos e deixar todo mundo igual. Essa semana nos remete à reflexão do quanto carregamos protocolos desnecessários, que ao invés de ajudar a gente e aos outros, acabam tirando o “real glitter” da vida. Poderíamos tentar rever esses conceitos, todos, em prol de um cotidiano mais interessante, não? O protocolo serve como parâmetro mas nunca deveria servir como Bíblia.
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma
Se conselho fosse bom…
Mais uma semana começa e com ela temos a Carta da Imperatriz.
Virou moda as mulheres quererem adotar algumas características dessa Carta ou se compararem a ela. Isso porque, normalmente no aspecto comportamental, remete à uma simbologia de comunicação, dinamismo, otimismo, criatividade, fertilidade e maturidade. Porém a Imperatriz não é só essa imagem “bem resolvida” de pessoa. Falar e pensar dessa forma delimita demais a parte difícil que ela exige: dedicação.
Vou dar um exemplo simples: jogo Tarô há muitos anos (por volta de 15 anos se não me falha a memória). Depois desse tempo todo percebi um fato curiosíssimo sobre as consultas e jogos de cartas. A maioria das pessoas se interessa e arregalha olhos enormes quando falo que sou taróloga. Vejo nitidamente na expressão dessas pessoas a curiosidade. Me forram de perguntas, querem saber se “funciona”, se “dá certo”, se eu “consigo viver disso”. Tempos depois me procuram, algumas delas, para perguntar “como funciona”. Explico e mais da metade desaparece (outro fato que já me acostumei também e todo tarólogo que se preze acaba acostumando-se). Os poucos que restam perguntam valores e o esquema. Mais tempo passa. Até que, aquela mesma pessoa que arregalara os olhos de curiosidade, quando me procura decidida a jogar, mostra outro perfil. Mais preocupada, tensa…às vezes quase desesperada porque quer achar solução para um ou mais problemas. É nesse momento que entra meu trabalho. Direcionar e explicar tudo, da melhor forma possível, com franqueza, para que a pessoa saiba muito bem o que vai receber em troca de um pagamento pela leitura. Não posso prometer prever nada, nem garantir alguma coisa, muito menos acertar o que ela quer saber. Tudo na vida tem limites e o Tarô mostra isso com clareza. Nada de achar que eu sou demais e sair metralhando clientes. Esse processo se repete, incansavelmente, e é a base da procura pelos meus serviços. A pessoa quer respostas, quer saídas, quer previsões. Eu posso dar conselhos (e nem são conselhos meus, são aspectos analisados de uma configuração simbólica que eu traduzo, naquele jogo e naquele momento).
Parece que fugi do assunto, não é? Mas aqui vem a semelhança: assim como a Imperatriz (que parece perfeita e a “mulher” ideal para se copiar) ninguém quer ter muito trabalho para chegar em sua meta. Porém a vida não funciona dessa forma. Para ser tudo aquilo que expressa a Imperatriz sacrifica-se muito (basta pensar que ela é a soma da carta 12, O Pendurado, uma vez que 1+ 2 = 3). Ela sacrifica sua liberdade, sua independência, sua liderança para ser parceira, para nutrir aos outros, para desenvolver o que nem sempre será dela. E esse exemplo vale para todos e qualquer um que almeje adquirir essas qualidades! Não basta pagar um jogo de Tarô e achar que vai sair dali com soluções! Não tenha dúvida de que o (bom) tarólogo vai devolver seus problemas, pois o livre-arbítrio jamais deveria ser-lhe tirado, apenas esclarecendo as situações a fim de aconselhar a forma ideal de agir.
Sendo assim, a Imperatriz e um Conselho têm algo em comum, quero deixar isso claro aqui. A prosperidade não cai no colo de ninguém, de graça… o mesmo acontece com qualquer Conselho. Além do que, ambos requerem trabalho e dedicação. E, para finalizar o mais importante: achar que a Imperatriz leva à finalidade é ingenuidade, porque trata-se de um começo apenas. E achar que um conselho vai resolver sua vida também é ingenuidade, porque ele trará ainda uma imensidão de coisas que você precisa fazer antes de apontar para os outros e querer que façam e mudem antes de você. Nada na vida é de graça. Somente os talentos e dons. Cada um deve usá-los como pode e da melhor forma. A abundância e alegria da Imperatriz têm preço. E querer que sua vida mude, melhore e se ajeite também tem preço (e não falo aqui do valor da consulta, não!). É preciso começar por si e não ter medo de encarar as responsabilidades. Afinal só domina com serenidade aquele que não mede esforço nem espera garantia para obter o que deseja!
Boa Semana a Todos
Kelma Mazziero
Nunca é demais insistir no que é certo
A Papisa (Carta da Semana) possui como um dos seus atributos a passividade. Lembra muito o comportamento irritantemente recorrente nos dias de hoje: as pessoas que baseiam tudo, sempre, pelo mínimo. Explico. Quanto mais o tempo passa e o consumismo vira sinal de poder, mais as pessoas deixam de lado coisas que são importantes. É comum, é trivial, é banal ver quanta gente trabalha em cima desse padrão. Preferem fazer o mínimo, não ter envolvimento, não ter “dor de cabeça” nem se desgastar. Estranho pensar que para eles se dedicar e fazer as coisas direito é se estressar. E a cada dia os consultórios médicos se enchem de mais e mais gente com problema sérios ocasionados pelo stress. Será que fazer de menos é garantia de qualidade de vida? Ou será que deixar de fazer incomoda ainda mais do que fazer direito? Eis a questão.
Em todos os lugares está presente este hábito moderno. E afeta todas as classes sociais e todos os tipos de trabalhadores, inclusive. Faxineiras que limpam apenas a sujeira que os olhos vêem, secretárias que fazem o essencial, funcionários que preferem a morte a se disponibilizar para algo que não esteja pré determinado, trabalhadores que não se mexem caso não sejam designados e até gente que ocupa cargos elevados se restringe a fazer apenas “o que foi combinado, nada além do que é a sua função”. Desse jeito vamos mal. Eu sei que sempre tem um patrão ou alguém que aproveita da boa vontade alheia. Mas deixar de ser 100% porque não se sabe administrar os aproveitadores é sinal de pouca inteligência.
Muitos querem saber qual a razão, qual a causa dessa mania. Simples. É a paranóia pelo reconhecimento. E, como o mundo está cada vez mais consumista (já mencionei isso, inclusive) para as pessoas reconhecimento virou dinheiro. Ou vice-versa. Então, para ser melhor é preciso ganhar mais. Não se faz serviço nenhum que não seja pago. E em hipótese alguma realiza-se qualquer coisa que não esteja prescrita na folha de pagamento. ” Pra quê? Meu chefe não reconhece mesmo!” (traduzindo: eu não, não ganho mais por isso). Isso quando não se ouve, em voz alta, a frase “Ai, gente, ninguém merece, eu não ganho pra isso”. Depois, ainda, surgem filosofias contra quem se vende. Depois, ainda, as pessoas têm rompantes de dignidade. Depois reclamam e dizem que nem tudo tem preço. Não é o que parece.
Sendo assim, essa Semana fica em homenagem aos que fazem sempre o mínimo achando que só dinheiro - ou reconhecimento - poderia justificar qualquer trabalho “extra”. A Papisa, que fala da passividade, remete ao comodismo estressado e pouco dinâmico que deixa a todos sempre insatisfeitos e reclamões. Porém, a mesma Papisa pede reflexão. Juntando uma coisa à outra poderia se tornar um idéia útil: refletir sobre quantas coisas estão sendo feitas pela metade por esperança de um reconhecimento que não paga, na verdade, o que vale um esforço feito com coração e vontade. Ninguém impede que se escolha o caminho mais fácil e menos “trabalhoso”. Mas verdade seja dita: o stress não mora na casa da satisfação!
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma Mazziero
OBS. Um recado para o pessoal que escreve pedindo leitura aqui no Blog (no link Atendimentos): por favor, não divulguem nem enviem dados pessoais, íntimos, expondo-os num Blog ou Site público. Recebo as mensagens com situações íntimas, pessoais e apago por respeito. Porém, como não atendemos dessa forma - nem via Blog nem de forma pública - vale dizer que, para quem deseja consulta personalizada, escreva para taro@kelmamazziero.com.br. Evitem divulgar coisas pessoais, dados, situações delicadas! Protejam sua privacidade, não vale à pena expor-se (ou até expor outras pessoas) dessa forma. Trate seus problemas, dificuldades e até vitórias com respeito e discrição. Preservamos o sigilo e pretendemos continuar assim
O começo do fim
Mais um ciclo (re)começa esta Semana. A Carta do Mago - lâmina número I - naturalmente fala do começo, do princípio. Pode ser algo novo mas também pode ser o já conhecido (que precisa ser recomeçado). Na vida material chamamos isso de investimento, nos contatos pessoais chamamos de iniciativa, na vida sentimental denominamos como aposta num recomeço, na vida espiritual percebemos como o interesse por novas filosofias.
Independente do plano ou aspecto lido e vivido da carta, o que importa é que vem cheia de energia, de vitalidade, de vontade de dar certo e requer bastante cuidado para que não apareça desânimo no primeiro obstáculo ou problema que porventura surgir no decorrer do caminho. Isso é comum de acontecer no começo de qualquer coisa na Vida. Quando começa o interesse por alguém mas percebe-se que o outro tem ritmo diferente, já vem o desânimo. Em fases de buscar entendimento com alguém, também, ao menor sinal de dificuldade há a tendência de achar que tudo de ruim vai acontecer de novo porque o “outro não mudou”. Na vida financeira, ao sinal de melhora, também é comum gastar “por conta” antes de ter certeza de que a melhoria vai durar mais tempo. E assim acontece em outros setores da Vida. Começar é bom, mas é preciso lembrar-se de que todo começo pede tempo, nem toda promessa vira realidade, nem sempre aquilo que tinha tudo para dar certo chega ao final com a mesma força que iniciou. Portanto, esta semana pede energia para (re)começos mas pede também consciência de respeitar o tempo e persistência para superar obstáculos.
Sendo assim, vale à pena começar a pensar no fim. 2008 terminará em breve e pede essa preparação, indica a necessidade de se encaminhar desde já alguns projetos e metas, sugere noção do que foi e do que se espera para entrar 2009 com pé direito: prontos, preparados, disponíveis e dispostos.
Prepare-se, desde já. Comece a pensar no fim, na virada do ano, em tudo o que pretende fazer ou começar. Essa energia de princípio vai afetar e transformar cada um dos próximos dias que tanto aguarda e projeta. Afinal, é para isso que servem os projetos. Para começar do começo, seguir confiante pela trilha, se manter versátil caso precise adaptar-se, mas não abandonar o fim: a realização.
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma Mazziero
Para onde vai a ousadia?
Entramos numa semana entre-ciclos. A Carta do Louco - que regerá os próximos dias - está entre o fim (Mundo) e o começo (Mago). Portanto esta poderá ser uma semana extremamente proveitosa ou acabar se tornando bastante exigente. Dentre tantos atributos mencionados no Louco (tirando os comentários óbvios de que ele se assemelha a um bobo da corte e que é maluco) os aspectos mais analisados e usados em interpretações são: independência, liberdade, coragem, displicência, ousadia.
Analisando essas características numa situação - ou seja, pegando um tema para trabalhar mais precisamente esses aspectos - podemos perceber que o Louco acaba se tornando a Carta mais “veloz” do Tarô. Não porque seja uma lâmina que indique tempo acelerado mas que, no cotidiano e na vida de muita gente, seus atributos são instantâneos e passageiros. Vamos ao exemplo para ilustrar didaticamente esse Arcano: uma relação afetiva. É comum as pessoas passarem pela Carta do Louco como um raio. Normalmente, quando um romance começa, tudo é possível. Desde o flerte até a relação se efetivar. Ninguém reclama de ninguém, tudo é permitido, nada é contra as regras. O fato de um dos dois (ou ambos!) ser comprometido é usado para mostrar o quanto a atração foi fulminante, as ligações sem hora marcada nem dia certo se tornam um jogo de sedução, os encontros intensos são motivo de sonhar acordado o resto dos dias…ela não liga para o fato de ele ter amigos chatos, ele não liga para o fato de ela ser pegajosa. Como diria uma amiga…isso tudo até a página 2!
Quando esse rompante se vai e o cotidiano insiste, teima em chegar, até na vida de dois seres abençoados por um amor fulminante, tudo o que era característico vai-se embora. O que sobra? Cobrança. De todo lado, sobra cobrança. Dele, dela, dos (ex) parceiros, dos amigos e confidentes. Veja bem, isso não é uma apologia à fidelidade ou uma crítica sobre o pecado da traição. Isso é mais um lembrete para quem abraça algumas causas sem pensar o que está realmente fazendo.
A política de que “um dia ele vai mudar” ou “ela vai deixar tudo por mim daqui um tempo” sempre é furada. Por que? Porque se um deles não fizer o que prometeu virará covarde aos olhos do outro. E se fizer terá que passar pelo próximos estágio da relação: a evolução para algo maduro que não incorpora loucuras diárias. Enfim, o mocinho que vira bandido (ou seria o amor-bandido que vira rotina?). E aquilo que era proibido vira oficial. De novo: não é uma apologia à fidelidade e infelicidade eternas. É apenas um lembrete: o Louco é uma carta que mostra justamente este “entre-ciclos”. Sendo assim, não tem conteúdo duradouro. Um dia, terá que se transformar em alguma coisa. E talvez esse “alguma coisa” não seja o que a alma libertária espera e deseja.
Portanto, fica aqui o recado dessa Carta intensa e desafiadora: dar um salto é atitude para poucos. Porém, quem acredita que vai ficar a vida toda se atirando perigosamente - pelo prazer da emoção do salto - acabará se machucando e caindo do precipício. É bom saltar. É bom inovar e arrojar. Ousar é ainda mais interessante, incentiva a liberdade e a independência, faz qualquer um se sentir parte do Mundo. Mas toda inovação precisa virar alguma coisa. Senão deixará de ser inovação e se tornará risco constante, iminente. E é aí que entra a segurança e o objetivo. É aí que entra a próxima semana. O Mago. Prontos pra ele?
Abraços
Kelma