Arquivo de Dezembro de 2008
Ano novo, vida nova?
Eis uma questão pertinente. Muita gente espera muita coisa nas datas comemorativas. A virada do ano pessoal no aniversário, a virada do ano astrológico, a virada do ano após o Natal…dentre outras datas. Verdade seja dita: não adianta achar que só a data resolve os problemas e supera dificuldades porque isso é ilusão. Pior que isso é achar que a data resolve as coisas ruins e, de quebra, encerra tudo o que foi deixado pela metade para começar algo novo. Em primeiro lugar: só é possível começar algo novo depois que se termina tudo o que era para ser encerrado. Em segundo lugar - e tão importante quanto - nada que está fora do indivíduo resolve ou define o que for preciso em seu lugar.
É nesse contexto que entra a Carta de Encerramento do ano de 2008: a Justiça. Carta que representa definição, ajuste, equilíbrio racional, visão imparcial e sem emoção desnecessária. Nesse clima, torna-se um desafio se inspirar para adentrar 2009, mas vale `a pena o esforço. Uma vez que o habitual é se esperar tudo novo (sem necessariamente fazer por onde ou estar certo de que todos os encerramentos foram devidamente encaminhados) seria bom analisar friamente o que foi feito, o que não foi feito e consequentemente a melhor maneira de definir, ajustar e encaminhar tudo com consciência (frieza até!) e mente objetiva.
Não adianta esperar resultados imediatos no dia 02 de janeiro. Nem achar que tudo vai começar a se resolver a partir do dia 31 `a meia-noite. Muito menos deixar o tempo passar achando que as encrencas esfriaram e quando retornar tuuuudo estará melhor. Da mesma forma, não é aconselhável desanimar antes de começar o ano e achar que vai tudo dar errado e continuar ruim. Ou, ainda, deixar de lado o que precisa ser avaliado, achando que não tem jeito de melhorar ou resolver os problemas. A Justiça ensina a ser prático, equilibrado, cauteloso, realista. Trabalhar em cima do que é real e não esperar chuva de diamantes…nem de canivetes! Saber o que se merece (sem ataques de reconhecimento) e saber o que falta fazer para merecer mais (se for o caso). Que a Justiça se faça - antes de mais nada - dentro de nós e deixe de ser causadora de medo, de receio, tensão ou bloqueios.
Fundamental será aceitar as definições com naturalidade e realismo para encerrar o ano e começar 2009 sem deixar que os outros façam isso em seu lugar, largando tudo para o Universo resolver (porque no momento que o Destino age ninguém gosta das surpresas!). Eliminar o que for preciso e estar participativo na transição é muito mais intenso do que se imagina e vale todo empenho do mundo, já que os resultados surtirão efeitos em sua própria Vida, não é?
Fica aqui meu voto de fé a todos vocês que acompanharam nosso Site e Blog neste ano, e, o mesmo voto para quem acessou pela primeira vez agora nossas páginas. Aproveitem ao máximo o que fizeram até agora e continuem empenhados com sua própria Vida. Que a Justiça doe seu talento em decifrar e definir, ajustando as situações com praticidade, para cada um de vocês. O justo é sempre mais saboroso quando se conhece o caminho que antecedeu o resultado final.
Estaremos sempre aqui para apoiar no que for possível.
Feliz Ano Novo.
Grande abraço
Kelma Mazziero
Não adianta só o Universo querer!
Justamente na semana que vai de 21 a 27 de dezembro - semana esta que agrega o Natal - a Carta de regência é o Carro. Quem conhece um pouco de Tarô ou quem já ouviu falar e olha sua Simbologia percebe que é uma lâmina de determinação, propósito, direcionamento, liderança, carisma (dentre outros muitos atributos). Porém, poucos pensam seriamente como isso se dá na vida prática, pois é sempre mais fácil acreditar que tudo muda num estalar de dedos.
Fala sério, não é muito mais legal imaginar que amanhã vamos ganhar na loteria, receber promoção a presidente de uma empresa (que não esteja em crise), desenvolvermos uma paciência super-elástica para com todos os amigos, definirmos todas as pendências com familiares, rejuvenecermos… e de quebra encontrarmos um par perfeito? Sim, fácil fácil pensar. Mas sejamos francos…um tanto pueril, não? E é esse o pano de fundo do Carro. A liderança e determinação que acabam deixando a pessoa um pouco cega, sem noção de que na vida tudo tem uma razão, um motivo, uma consequência e uma superação também.
Parece irônico cair justo na semana de Natal essa lâmina! Uma carta que fala de propósito mas fala também de cautela. Seu primeiro impacto é a realização. Depois dele vem um conselho básico: o cuidado. Por isso vou aproveitar essa Carta tão paradoxal, a fim de mostrar que não adianta fazer planos mirabolantes, esperar resultados reveladores, querer soluções imediatas. Porque de nada vale o Universo querer que a pessoa seja feliz se ela mesma não quer. Parece um tanto ridículo isso, eu sei. Todo mundo acha que quer a própria felicidade. Mas se for preciso mudar alguma coisa nos próprios planos, adaptar ou até abrir mão de alguma coisa…nada feito. Ás vezes o Universo grita em nossos ouvidos coisas que podem nos fazer melhores e mais fortes. Mas insistimos, como crianças mimadas, na velha fórmula de felicidade temporária.
Portanto, que nesta Semana o Natal signifique mais do que ter o que queremos ou realizar aquilo que -cegamente- achamos ser o melhor. Que seja um Natal de flexibilidade, de sábia cautela com ouvidos e corações abertos para compreender o que o Universo apresenta pra cada um de nós, selando um renascimento real e não imaginário ou superficial. Vou citar aqui uma frase de Einstein (dita por uma querida amiga dias atrás) que ilustra perfeitamente o que deveria iluminar o Natal Pessoal: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.”
Boa Semana
Feliz Natal a Todos!
Kelma Mazziero
A garantia é você mesmo!
Na Semana dos Enamorados vale à pena falar sobre isenção de culpa. Explico: Essa carta é vista como sinônimo de indecisão. E, toda vez que sai num jogo, é de praxe dizer que a pessoa está indecisa. Porém, a incompreensão do que há por trás dessa suposta indecisão, é ler o Tarô pela metade. Os Enamorados - ou Amantes - indica pouca maturidade para decidir um caminho ou rumo na vida. Isso porque é carta de número 6, ou seja, ainda está no começo da jornada, com pouca experiência, tendo que lidar com situações exigentes que pedem - claro - uma certa maturidade. Sendo assim, trata-se de uma “bifurcação” que requer uma escolha (vale lembrar que isso não deve ser interpretado sempre do mesmo jeito pois em planos distintos as análises devem ser também distintas).
Imagine ter que lidar com uma situação nova e escolher sem saber muito sobre as alternativas ou opções que se apresentam à sua frente. Essa é a sensação de viver os Enamorados. Escolher sem ter muita base para isso. E, nessas horas, qual a tendência mais comum nas pessoas? Se isentar da culpa de diversas formas. Só que, mesmo sendo uma reação natural, deve se levar sempre em conta que a agressividade nunca é uma alternativa. Senão, toda vez que houver uma situação de escolha na vida, o cidadão reage mal e foge da situação.
No Tarô isso acontece com muita - muita!- frequência. Algumas pessoas procuram o tarólogo para que ele decida a situação no lugar de quem deveria fazer isso - o consulente - ou ainda esperam respostas precisas e mecânicas para garantirem que sua escolha é a mais adequada. Ilusão pura. Ao ler um jogo, esclarecemos o momento, explicamos muitas razões dos acontecimentos em sua vida, procuramos facilitar entendimento da fase atual com possibilidades futuras…mas garantir que essa pessoa não vá se machucar ou escolher devidamente não é possível, pois isso seria tirar o direito que cada um tem de execer sua liberdade de escolha, transformando-a num fantoche, travestido de sábio. Eu sei que nem sempre é fácil lidar com o medo de escolher “errado” (apesar de que isso não existe quando se opta consciente de que tudo na vida tem reação e consequência). Porém, escolher no lugar de um consulente ou ficar delimitando sua vida pra que ele não erre (e consequentemente não aprenda as lições da vida) seria prepotência minha (e de qualquer tarólogo que tente fazer isso).
Portanto fica aqui a mensagem referente aos Enamorados: escolha! Mas escolha com determinação, com firmeza, consciente dos riscos. Pague os preços necessários sem reclamar. Não fique tentando parecer perfeito(a) evitando erros ou falhas a qualquer custo. Assuma consequências e responsabilidades pelas suas escolhas. Tudo isso é processo digno, verdadeiro, que amadurece qualquer pessoa e impede que se torne alguém vazio, falso, perfeccionista, arrogante, prepotente, imaturo.
Use bem sua semana. Use bem sua vida. Use bem suas opções. Melhor tê-las do que perdê-las.
Grande Abraço
Kelma
Questione seus limites
O Sacerdote - ou Papa - é uma carta que transmite diversas mensagens simbólicas. Apesar de haver dúvidas em relação a esta lâmina justamente por causa de sua estabilidade (afinal ainda existe o conceito de ver os Arcanos como “bons ou ruins”) ela pode, sim, carregar aspectos difíceis de serem trabalhados. Hoje citarei um deles: o padrão. O Sacerdote representa o conceito, o princípio, aquilo que está padronizado, regularizado e “fechado” em algum esquema, sem mudança, sem alterações, sem opções.
Hoje em dia isso é muito mais comum do que se imagina. E como eu sempre dou exemplos pessoais ou afetivos, farei diferente desta vez, falarei de uma situação que acontece sempre no campo profissional. Infelizmente a moda acaba padronizando as pessoas. E quando me refiro à moda não falo apenas das roupas e sapatos que escravizam as pessoas mas sim da moda que está presente em tudo. Hoje em dia todo mundo fala igual, se veste igual, usa o mesmo cabelo e - naturalmente - faz os mesmos cursos e mesmas especializações porque sempre tem a Instituição “x” que é mais conceituada. Tudo padrão. Todos esses conceitos estão presentes na vida da maioria das pessoas. O mais interessante é ver que os funcionários E os patrões seguem a mesma moda. É claro que não estou defendendo a distinção social, intelectual ou qualquer tipo de diferenciação. Porém, é estranhíssimo ver os chefes e patrões afirmando aos funcionários que ninguém é insubstituível, gerando o medo constante que (na cabeça deles) faz o rendimento melhorar. E, mais interessante ainda é ver os funcionários aceitando a padronização que este mesmo chefe impõe, justamente para deixá-los escravos e padronizados. Assim - claro - realmente serão substituídos facilmente. Todos falam do mesmo jeito, se vestem do mesmo jeito, agem do mesmo jeito. Ótimo. O patrão não se sente ameçado pelas mentes mais brilhantes e os funcionários acham que agradam e viram um imenso rebanho de ovelhas idênticas prontas para ser substituídas quando se tornarem problema (leia-se: quando casarem, tiverem filhos, ficarem doentes ou pedirem aumento).
Sendo assim, o padrão - que parecia uniformizar e unir as pessoas - virou uma praga. Muita gente se vê preso nele, sem conseguir se livrar ou ser minimamente livre para pensar, criar, liderar. E o Papa fala sobre carregar padrões que se aprendeu na vida sem nunca ter se questionado o quanto é realmente útil mantê-lo vivo. Esta semana, portanto, fica em homenagem àqueles que não fazem parte do rebanho, que não aceitam a moda sem antes ver se combinam e se identificam com ela, que não deixam o receio de encontrar uma boa saída quando o patrão não dá aumento justificando que deve-se agradecer a Deus por ainda não ter acontecido um corte no setor e acabar com todos de uma só vez. O padrão pode emburrecer, se for aceito sem restrições e sem questionamentos, o padrão ameaça, limita e corta tudo o que é criativo desde que não seja escolhido de consciência limpa.
Aproveite esta Semana, escolha seus padrões. Não seja escolhido por eles.
Uma ótima semana a todos
Kelma Mazziero
