Arquivo de Janeiro de 2009
As lembranças batem à porta daquele que teme o novo
Levamos conosco as lembranças, memórias e recordações. Elas retomam os mesmos sentimentos e trazem o cheiro de tudo o que aconteceu pro nosso cotidiano atual, fazendo-nos reviver o que já passou. Por vezes isso é bom… por vezes nem tanto. É maravilhoso conseguir voltar pro mesmo lugar e pro exato momento em que nos sentimos plenos ou descobrimos algo novo e percebemos ali a presença divina. Porém é assustador lembrar de alguma experiência dolorosa, incômoda, desagradável e sentir a impotência de não ter conseguido mudar aquele episódio. Fácil sentir raiva, ódio, amargura e rancor de novo. Fácil também sentir leveza e alegria, rir sozinho olhando pra trás. Como tudo na vida é uma questão de escolha: olhar e ver a parte boa ou…olhar e sempre bater na mesma tecla que incomoda. A gente faz o que quer com a própria mente, portanto, basta ser seletivo com o que relembra.
Fazemos isso com mais frequência do que imaginamos. É usual (parte do cotidiano, já!) ouvir uma pessoa dizer: ” Não vou mais àquele lugar, pois tenho péssimas lembranças” ou ” Estou interessado em alguém, mas não vou me animar, porque estou traumatizado”. Colocamos nosso passado em tudo o que vivemos, afinal, é assim que lidamos com o que chamamos de experiência de vida. Porém é interessante notar que fica mais viva a memória que incomoda do que a memória que faz rir. A que incomoda marca e impede que saiamos daquele ponto (até porque, se mantemos o trauma, levamos o ocorrido conosco pra onde quer que possamos ir). A memória que faz rir na maioria das vezes é boa no começo, quando aparece, mas acaba gerando aquela expressão “Puxa, que pena que não é mais assim”. Ou seja, não se lida bem mesmo com memórias.
O Pendurado fala dessas lembranças. Mostra a forma apegada que convivemos com essas chamadas dores do mundo. Coisas boas dão saudade (incomodam, de alguma forma) e coisas ruins reforçam os medos. Ou seja, ficamos um pouco sem saída, não é? O fato é que, como disse anteriormente, não sabemos lidar com as recordações. Não fazemos delas experiências avulsas, que podem ser superadas, melhoradas ou esquecidas até! Acabamos nos tornando reféns de emoções geradas pela mente pouco condicionada a trabalhar em nosso próprio favor. E assim acaba se tornando sempre uma chateação relembrar. Não deveria, pois a função de termos o poder de usar a memória é para melhorar e crescer na vida, não para estancar e lá ficar.
Portanto, como segunda parte e continuação do artigo da semana passada (no qual já resgatei o assunto sobre o passado e caí hoje aqui, na própria carta que fala disso) fica a mensagem de reverter sua história de vida em seu próprio favor. Ao invés de dizer “Não farei mais isso porque já me dei mal” prefira dizer “vou tentar novamente, pois hoje estou diferente, quero ver no que vai dar. Mesmo que não dê certo de novo encararei de outro modo”. Olhe para trás e, ao invés de dizer “Ai, como dói” diga “Puxa, a dor me enriqueceu, estou mais forte e resistente”. Não é papo demagógico, não, é pura mentalização e controle de vida.
Aproveitem a semana do Pendurado para produzir - mesmo que essa produção seja interior - encontrando uma forma de repaginar a si mesmos e o que foi vivido. Isso não apenas movimenta uma energia que estava parada (símbolo claro na carta XII) mas prepara para uma renovação plena e verdadeira.
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma
Real ou Ideal?
Qual dos dois temas é parte mais ativa na Vida das pessoas?
Comum ver muita gente optando e dizendo que prefere o real, mas, na prática faz sentido? Vamos aos fatos:
a) Quantas pessoas você conhece que não desfrutam das relações que possuem porque não é do jeito que queriam?
b) Quantas pessoas você conhece que criam situações ideais e não aceitam a realidade?
c) Quantas pessoas você conhece que vivem no passado e querem, a qualquer custo, trazê-lo para o presente?
d) Quantas pessoas você conhece que vivem pensando no futuro e não enxergam o presente nem aceitam o passado?
Teriam muitas perguntas, ainda, pra fazer. Porém o ponto crucial é o mesmo: poucos vivem a realidade com vontade. A maioria vive se iludindo, idealizando ou cobrando coisas inviáveis pois o que possuem não é o que queriam possuir. Se enganam, dizendo que não querem se conformar com o que conseguiram até então. Mas não é isso. Aceitar as coisas como estão é o primeiro passo para ter a consciência do ponto de chegada. Aceitar o outro como ele é indica respeito e também abre espaço para que a relação tenha a cara que deveria ter (e não a cara que a gente achou ou queria que ela tivesse). Viver o dia de hoje é fundamental para que se tenha certeza de que o passado foi como foi porque não éramos como somos hoje (e portanto fizemos o que podíamos), além de poder criar diariamente um futuro realista e condizente com o que somos.
A Força, carta do Ano e da Semana, fala disso tudo também. Porque não dá para dominar coisa alguma se não lidar com a realidade. Ficar idealizando é a receita para a insatisfação. Viver no Mundo de Caras só é legal pra quem está fazendo unha e não tem nada pra distrair a cabeça (porque nem para quem sai na Revista é legal quanto parece).
Por isso, viva o dia de hoje. Faça no hoje um amanhã mais concreto e coerente. Olhe para o passado sabendo que fez o que fez porque suas ferramentas eram outras e não tem como mudar o que passou. Olhe para o futuro com alegria. Deixe as pessoas serem como são e veja a maravilha que pode acontecer em seus relacionamentos. Ache a unicidade em cada relacionamento. Encontre a personalidade de cada história que viveu e vive hoje. Divirta-se com o que tem. Não se preocupe nem entristeça com o que não tem. A felicidade não é um estado de espírito, é a consciência de estar pleno hoje e agora.
Boa Semana a Todos
Abraços
Kelma Mazziero
Faltando eixo
A Roda da Fortuna - carta regente dessa semana - tem diversas interpretações. Isso não significa que ela possa simbolizar qualquer coisa mas a leitura se torna versátil pois é uma carta de reciclagem e transição. O aspecto que pretendo abordar da Roda é a suscetibilidade. Se é uma carta de transição é claro que faz parte do processo tornar-se suscetível. A rigidez neste caso seria nociva. Interessante é notar o quanto uma característica pode ser excelente em alguns momentos e péssima noutros. A mesma rigidez que nos ensina a ter disciplina e ordem se torna um perigo em potencial se for preciso reciclar alguma coisa na Vida.
Porém o aspecto que quero abordar sobre a suscetibilidade da Roda da Fortuna é outro: a falta de limites. É difícil, realmente, achar um ponto de equilíbrio ou eixo que nos mantenha firme sem perder flexibilidade. Só que oscilar entre os extremos de qualquer situação pode ser um movimento equivocado. Ou ficamos concentrados em acertar e ordenar (e nos tornamos rígidos) ou soltamos totalmente os freios e perdemos a noção dos limites. Aqui a suscetibilidade vira uma arma.
Um bom exemplo disso é ver que, atualmente, os relacionamentos não se baseiam mais nos atos, gestos e - principalmente - na confiança do diálogo. Ficou mais fácil descobrir se o parceiro (ou parceira) está “aprontando” através do Orkut ou MSN do que percebendo se existe algo diferente no convívio. Aqui vão 2 questões para refletir:
1 - Onde foi parar o diálogo e a conversa, que geravam intimidade e cumplicidade entre duas pessoas, a fim de solucionar questionamentos ou dúvidas um do outro?
2 - Quem é mais suspeito: aquele que procura informações na rede ou aquele que expõe as próprias intimidades na rede?
Antes de escrever mais sobre o tema já vou deixando claro que não estou criticando quem faz isso, apenas analisando o fato isolado como exemplo, portanto não vale à pena dispersar do tema levando para o lado pessoal. O importante dessa citação é avaliar o quanto a perda de limites e a suscetibilidade podem afetar as pessoas sem que elas se dêem conta disso. É notória a influência desses serviços virtuais na vida (íntima) de muita gente. Não se usa mais esses Sites ou Programas como ferramenta de trabalho ou mesmo como meio de conversar ou manter contato. Hoje em dia o Orkut faz com que rompam-se relações, amizades, criem desconfianças e brigas entre gente que por vezes mal se conhece! E vira aquele entra e sai do Orkut porque Fulano escreveu uma mensagem dúbia para Cicrano (quem ele pensa que é?)…depois de uns dias passa o surto de indignação virtual e tudo recomeça. No MSN é a mesma energia, só que a briga começa porque alguém bloqueou outro alguém ou saiu sem dizer tchau ou não chamou pra dizer oi…enfim! Não existe mais a relação de duas pessoas que falam sobre o que está acontecendo e resolvem de forma madura.
Ficar suscetível a ponto de precisar da rede para ter certeza de que outro me ama!? Isso é perder limites. Criar perfil falso para tentar pegar informações de quem supostamente se chama de namorado(a), marido/esposa, noivo(a) é o símbolo da superficialidade. Volto a dizer: deixe o lado pessoal de fora, analise friamente, veja se faz sentido. Não sou do tipo defensor de que tudo tem que ser dito na lata ou resolvido pessoalmente (eu mesma trabalho na internet e uso todas as ferramentas disponíveis!). Porém o que alerto aqui é ao fato de fazer desses serviços um sistema de espionagem sem autorização de quem está sendo avaliado. Claro, a pessoa que se expõe também deixa a desejar! Mas se ler agenda do outro já é feio…quem diria entrar no e-mail, Orkut, celular, MSN para checar fidelidade! E tem gente que diz que “Orkut serve pra isso mesmo!”. Não, não. Não, não.
Por isso a mesma Roda que rege a suscetibilidade também pede o mínimo de eixo. Não é porque recicla que não deve haver limites. Não é porque pede transição que atropela o adequado. Fica aqui a mensagem para todos : é possível ser versátil sem se tornar vulnerável a ponto de não ter medidas. Aposte nas relações com verdade e não na espionagem. Saia dessa roda de emoções virtuais totalmente surreais que avançam sobre a vida pessoal sem reservas. Transitem, mas sem perder as estribeiras, para que possam vivenciar as alterações conscientes e com valores importantes individuais.
(Sei que esse tópico vai ofender muita gente, mas como disse acima, levar as coisas para o lado pessoal às vezes só faz tampar o sol com a peneira e dispersa o que é mais importante. Preferi correr o risco a escrever o que agrada mas não ajuda de fato.)
Uma boa semana a Todos;
Abraços
Kelma Mazziero
Um Ano de Força
Ao descobrir a carta que rege 2009 – a Força – muita gente pode respirar aliviada e dizer “até que enfim, este ano será bom”. Antes de mais nada vale relembrar que o ano pode ser melhor, igual ou até pior que os outros pois os resultados nem sempre dependem dos fatores externos. Os dias correm da mesma forma, as coisas continuam como estavam e nenhum milagre faria isso mudar a não ser você mesmo. Já está ficando fora de moda colocar expectativa nesse tipo de suposição. Não é o ano que faz as coisas melhorarem. Além disso, olhando para a lâmina XI (A Força) dá para imaginar que tudo será cor-de-rosa em 2009, afinal, tem uma bela mulher dominando um leão na carta indicando serenidade, habilidade, segurança. Maravilha. Porém, a simbologia crua acaba ficando simplista se não for pensada, analisada, observada e transposta para a realidade que se vive. Ou seja, para dominar o leão é preciso realmente segurança, firmeza, habilidade. Mas sejamos francos: na teoria isso é mais fácil do que na prática. Fazendo um paralelo, a bela mulher pode ser você. Pode ser sua parte forte. Pode ser a parte que mais gostaria de mostrar aos outros. Pode ser parte de sua alma (continua soando lindo e romântico, não?). Porém o leão representa uma série de coisas às quais normalmente não se domina facilmente. Medo, receio, instinto, desconhecido, situações diferentes, linguagens opostas… dentre outras coisas. Portanto, não basta ser a bela mulher. O leão continuará sendo ameaçador e um desafio assustador também.
Para que nós (a bela mulher, no caso) possamos dominar este leão (nossos medos) não adianta fazer aquela expressão de natureza morta que aparece nas ilustrações da maioria dos Tarôs. Ninguém agüenta fingir que está tudo bem enquanto o desafio lateja ás costas. Percebemos nesses momentos que visualizar e mentalizar a carta só vai deixar a sensação de impotência ainda mais forte. É preciso saber que o domínio de si mesmo e dos próprios anseios requer tempo, dispêndio de energia, luta, atenção e cautela, firmeza constante. Não cabe desanimar, esperar o problema passar sozinho, deixar pra depois, lamentar. O que se faz é, trocando em miúdos, segurar a própria vida na rédea curta, para conseguir conviver com o leão diariamente, sem titubear.
2009 pede garra. Pressupor que a Força fará qualquer coisa no lugar da gente é perda de tempo. Esperar que o medo suma sozinho, então, não fará a menor diferença. Para dominar é preciso se dedicar 24 horas por dia ao ato do controle em si sem pensar nas dores, nas angústias, nos problemas e nas incapacidades. Dominar e ponto final.
Este ano pede Força. Não é o ano que te dará forças muito menos o ano que gerará forças. Este ciclo pedirá a sua força. E força requer olhar e gesto realizadores. Sem falha, sem desculpa ou justificativa, sem margem pra erro. Aquele papo de que errar é humano, que o erro pode dar lições e ensinar coisas, jamais deve se tornar uma bengala pra uma vida meia-boca. Agora, mais do que nunca, é hora de ver tudo o que foi mal feito, assumir as próprias falhas mas nem por isso achar que pode errar de novo nos mesmos pontos. Não há espaço pra isso.
Naturalmente a Força pede pulso firme. Inspire-se e vá a luta. Vamos todos sair das ilusões sem ganho, parar de achar que um dia poderemos ganhar na loteria ou resolver problemas do dia pra noite ( vulgarmente conhecido como acordar e ver a vida exatamente como se sonhava). Faça sua parte - faça até mais se puder - e verá resultados claros. A Força cobra domínio mas dá, em troca, realização e sucesso. Basta trabalhar em prol de si mesmo que aí sim, será um bom, um novo e verdadeiro ano.
Desejo a todos um 2009 forte.
Muita garra e realização.
Abraços
Kelma Mazziero