Cartas na Mesa: Tarô Virtual

Artigos, programação e workshops do Site Tarô Virtual - www.kelmamazziero.com.br

Arquivo de Fevereiro de 2009

A inversão da lei

Muito se comenta da lei da ação e reação. Porém é mais fácil ver a execução dessa lei na vida das outras pessoas e nem sempre em nosso cotidiano. Isso se dá porque fica mais fácil enxergar o ponto “falho” quando não aconteceu conosco. Por estarmos envolvidos e participando de nossa própria vida, normalmente não percebemos com tanta clareza, nos confundimos com o que é certo e o que é errado, ficamos perdidos na hora de detectar um equívoco cometido ou uma escolha mal feita. Nas fases mais delicadas da vida dificilmente paramos para analisar o motivo pelos quais os problemas estão pipocando. Ficamos perguntando e questionando o que fizemos de errado…mas perceber nitidamente é complicado.
Essa é a Torre. Um interferência do Destino nos mostrando que há algo errado, que falta estrutura ou firmeza em alguma coisa, que fizemos algo sem estarmos preparados, nos equivocamos… e por isso a situação (ou pessoa, aspecto, momento) deverá ser removida(o). Aceitar isso sem ficar confuso é muito difícil (mais difícil do que ver acontecendo com a vida alheia e achar imediatamente qual o aprendizado da pessoa naquela situação complicada). Contudo o ponto crucial nem é conseguir ver melhor o outro do que nós mesmos. O que realmente importa é que devemos ver tanto a ação quanto a reação como lições de vida. Se percebemos que o vizinho está tendo problemas financeiros porque gastou todo o dinheiro que tinha viajando (e não pagando as contas), jamais devemos julgar e achar que a questão se encerra aí, porque a verdade é que detectar o fator gerador do problema é apenas o começo. Depois de achar a causa (a ação) é fundamental encontrar também a saída (e não apenas analisar a reação como o fim da história). Tudo isso é lição de vida, é aprendizado, não uma pedra para atirar em quem vemos passar por isso.
Portanto, esta semana reservemos para pensar sobre a tal lei de ação e reação. Aceitemos as lições (nossas e alheias!) com respeito, para que a Torre deixe de ser um fardo ou um sofrimento e se torne uma limpeza abençoada que o Destino faz pra gente, quando não estamos enxergando o passo em falso que demos. Sabendo usar pesos e medidas iguais para nós e para os outros, entenderemos que não dá pra saber tudo sobre todos o tempo inteiro, porque estamos aqui aprendendo, individual e coletivamente.
Boa Semana a Todos!
Abraços :D
Kelma Mazziero

(Carta: Radiant-Rider Waite Tarot)

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Consciência ou Capricho?

A carta do Diabo sempre gera polêmica. Desde e-mails extremistas que recebo, afirmando que é uma carta negativa, a pessoas que gostam de se mostrar “do contra” e garantem que o Diabo é tudo-de-bom. Bem, dentro dessa esfera egocêntrica, a carta do Diabo trata também dos caprichos. Ali, quase tudo é capricho. Tanto a matéria quanto a mente, sentimento e espiritualidade. Se isso é bom ou ruim, não há como julgar pois cada um tem sua moral (outro tema do Diabo, inclusive). Sendo assim falarei aqui de um assunto que atinge muita gente sem, necessariamente, julgar se o aspecto é positivo ou negativo (não sou fotografia pra me preocupar tanto com positivos e negativos).
É comum ver uma pessoa ficar confusa com seus próprios valores e conceitos. Por exemplo: alguém do sexo masculino está tentando salvar uma relação com outro alguém do sexo feminino. Conforme a mulher do caso escorrega pelas mãos do homem, ele começa a fazer concessões. De repente surge aquela situação complexa: ele não está mais conseguindo segurá-la e quer saber do Tarô se a relação vai sobreviver. Num caso como esse, ficar `a mercê dos próprios caprichos é fácil, acreditando piamente que a emoção é verdadeira mas, no fundo, não é. Explico: se uma das partes não está mais interessada e se mostra de saída, tentar segurar é um equívoco. Primeiro porque nunca saberá se o outro ficou por gostar mesmo e querer ou se ficou por falta de opção e pena. Segundo porque a partir do momento que é nítida a vontade do outro de partir, querer que ele fique é uma vontade pessoal, se torna unilateral e isso é uma “bomba” contra qualquer relação. Uma vontade que sobrepõe qualquer atitude é egoísmo, capricho, pouca consciência. O mais interessante é ver que a pessoa jura de pé junto amar loucamente a outra e a quer ali por amor. E amar a SI mesmo? Cadê?
Veja bem a diferença de capricho e consciência: a pessoa que pensa em seu ego quer a outra ali, para ela, como tinha programado e previsto. A pessoa que pensa conscientemente percebe que não deve (nem merece) se humilhar e fazer concessões demais para manter algo que não está bom para o casal. Isso é pensar em si com consciência. Se humilhar, engolir sapos, fingir que não percebe a perda…é capricho. Normalmente nessa hora vem a questão: mas e o que sinto pela pessoa? Bom, aqui falamos de outra coisa. Não há como evitar a dor do afastamento. Mas é menos terrível encarar a dor do afastamento do que sofrer homeopaticamente, dia após dia, passando o terror de imaginar quando a bomba vai explodir de vez. Fugir da dor gera o sofrimento e causa ainda mais dor.
O fato é que muita gente acredita pensar em si mesma mas está se deixando em último plano. Quem pensa em si de verdade e se ama profundamente jamais permite sofrimento para manter algo que não seja uma relação feliz. Até porque sofrer cansa. E, uma bela hora, quem se omite vai acabar sentindo raiva, desejo de vingança, ressentimento… tornando a tão idealizada relação uma verdadeira tourada. Por isso, antes de tentar se agarrar com unhas e dentes a qualquer coisa, pense (de verdade!) em si mesmo. Pense se vale a pena, se continuar não seria afetar a auto confiança, se futuramente a vingança não será mais um fantasma na relação. Pense em sua Vida, em seu merecimento, em seu amor próprio e não apenas o que chama de amar o outro. Não deixe de ser quem é para ser quem o outro quer que você seja. Isso não é amor, é escravidão, é paixão cega…tudo o que o Diabo prega como importante e, na realidade, sabemos não ser verdadeiro. Vale esclarecer que não critico aquelas pessoas que lutam pelo que acreditam ou sentem, mas sim, aqueles que perdem a personalidade para ter nas mãos algo que não é uma fórmula perene de felicidade.
Esse artigo vale para relacionamentos afetivos, familiares, profissionais, sociais e qualquer elo ou vínculo que possa existir. O Diabo pode ter paixão, pode ter fogo, pode ter desafio, conquista e intensidade…mas lhe falta algo que qualquer ser humano não vive sem - pelo menos não por muito tempo - que é dignidade.
Esta semana invista e aposte no que é digno para você e sua Vida. Pense em si com consciência, não por capricho.
Boa Semana a Todos :)
Abraços
Kelma Mazziero

(Imagem: Jane Austen Tarot)

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Tempo, tempo, tempo, tempo

A Temperança diz muito. Porém, por trás de qualquer mensagem dessa Carta, existe o Tempo. Aqui não falamos do tempo cronológico, aquele tempo-dia-mês-ano. Falamos do tempo que o mundo lá fora precisa para mudar, crescer, desenrolar, acabar, começar.
É interessante notar que as pessoas vivem de prazos. Quanto tempo, quando, pra que dia? E, a partir do momento que percebem que algumas coisas são independentes desses prazos, as mesmas pessoas se desesperam. Porque nem tudo dá pra prever, pra definir, limitar ou cronometrar e elas precisam dessa “certeza”.
Quanto tempo leva pra se esquecer um amor? Quando voltar a viver depois da perda de um ente querido? Qual a hora certa pra terminar uma relação? Quando é que serei valorizado(a)? Que dia conseguirei ter minhas finanças resolvidas e prósperas? Esses prazos inexistem. E é deles que a Temperança cuida. Por isso não adianta jogar Tarô pra tentar ver prazo, tempo, duração, longevidade daquilo que está fora do controle humano. Não se deve tentar dominar tudo. Muito dessa espera traduz resultados que são justamente especiais por não aceitarem determinações pessoais!
A mesma dor que nos faz esperar pode ensinar muita coisa. É como estar numa sala de espera de um consultório: a maioria das pessoas fica impaciente, irritada e conta os minutos de atraso por não ter pronto atendimento. O tempo urge e elas não admitem o tempo do outro. Porém, se durante essa espera qualquer coisa for feita, a situação muda de figura. Perceba uma criança. Na sala de espera do consultório do pediatra elas normalmente brincam enquanto esperam. Estão se adiantando, usando o tempo a seu favor, mesmo sabendo que serão examinadas e que poderão chorar ou se incomodar na hora do exame. Não sofrem antes, não ficam ansiosas. Simplesmente fazem outra coisa, aproveitam a espera (já que não há remédio pra irem embora dali e usufruírem o dia de outro modo).
Essa semana testa - mais uma vez - o conceito de tempo que se criou na mente as pessoas. É possível viver enquanto se espera. É viável aceitar que os indivíduos possuem ritmos e tempos distintos. É totalmente normal saber que nem tudo se controla. E, a partir daí, aproveitar qualquer tempo que pareça mais extenso para adiantar outras coisas, harmonizar-se com o que for possível, respirar um pouco, olhar a chuva cair, caminhar até a esquina e tomar um café. Qualquer coisa que te coloque em sintonia com o Tempo que existe além da conta e mostre como lidar com aqueles resultados que nem sempre foram construídos pelas suas próprias mãos.
Boa Semana a Todos ;)
Confie sempre na Vida!
Abraços
Kelma Mazziero

(Imagem: Touchstone Tarot)

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Nada deveria ser tão radical quanto a Morte

Durante toda a vida pessoas tentam fugir da Morte. Muita gente não entende, não aceita, não gosta nem de pensar no assunto. É normal, pois trata-se de uma situação imutável, sai do controle humano. Se é impossível alterar a morte percebemos um pano de fundo no tema: o radicalismo. Não há o que ser feito, inexiste negociação, nem sempre ela acontece com prévio aviso…simplesmente acontece. Extremo. Radical. Sem permissão para reação.
Dentro dessa constatação muitos se sentem acuados e percebem o quanto a presença do radicalismo sufoca e - por fim - cala qualquer um. Porém, mesmo tendo noção de que o radicalismo é unilateral e assustador, ele está na vida (e na mente) da maioria das pessoas. Isso indica que o extremo é ruim quando se é vítima dele, mas, caso tenha chance de fazer isso com outras pessoas (ou com a própria vida) a oportunidade dificilmente é desperdiçada. Estranho. O radicalismo, é mesmo, unilateral. Ou fazem com a gente ou fazemos com os outros.
Justamente nesse clima de radicalizar surge a carta da Morte no Tarô. Longe de ser a carta que indica morte física ou catástrofes (afinal quem ainda quer ver isso num jogo de Tarô?) é uma lâmina que simboliza tudo o que está ligado à morte - qualquer tipo de morte - e provoca aridez emocional gerando perguntas importantes: Por que o radicalismo é detestado e temido mas continua sendo usado no cotidiano? Para quê serve a atitude extrema e radical? Qual a razão para ser radical e perder o senso de equilíbrio nas situações? O que faz alguém pensar que somente através do extremismo conseguiria o resultado desejado? Onde vai parar a visão holística quando se usa, cada dia mais, um comportamento radical e pensamento extremista?
Sendo assim, esta Semana pede que ao lidar com a Morte seja usado seu antídoto: a flexibilidade. Não há como ter razão sem ter flexibilidade. Nada dura para sempre. Nem tudo muda para sempre. Ninguém sai de um ponto e nunca mais retorna ou passa por ele. A vida é ciclo, é círculo, não um simples caminho em linha reta. Vale à pena deixar o radicalismo para a Morte - que já existe mesmo - e sempre lembrar que tudo o que não tem volta é assustador, unilateral, frio e sufocante.
Boa Semana a Todos;
Abraços :D
Kelma Mazziero

OBS. Para os fervorosos (radicais!) em defender a vida após a morte, lembro aqui que o artigo não ataca diretamente nenhum de vocês. Quando cito a morte, cito o evento, não o seu conceito ou valor espiritual. Evitemos manifestos calorosos, afinal, tudo o que é radical se torna irracional ;)

(Imagem: Golden Tarot)

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