Arquivo de Março de 2009
O Mundo é pequeno e redondo
Na última carta numerada do Tarô - O Mundo - chegamos às interpretações comuns de seu simbolismo: conclusão, perfeição, plenitude, mudança consciente e evolutiva. Como imaginar isso na vida cotidiana? Porque é lindo de morrer falar numa consulta ” Você está super bem! O Mundo é carta “boa”! Você está pleno(a), perfeito(a), consciente“. Tudo muito lindo até que temos que experimentar na pele essa plenitude. Explico: na mentalidade comum é natural achar que a perfeição é agradável e faz bem. Porém estar pleno é fechar um ciclo, e, fechar um ciclo é concluir ou encerrar algum processo.
Quando encerramos coisas “ruins” ficamos aliviados, não plenos. Quando encerramos coisas “boas” ficamos tristes, não perfeitos. Portanto, a conclusão à qual a Carta se refere é a conclusão natural das coisas, quando não mais tentamos controlar tudo, mas sim, abraçamos sem pestanejar nossa natureza e aceitamos o curso das coisas. Não é tão fácil quanto parece.
Terminar uma amizade de anos porque já desgastou e cada um precisa tocar a vida separadamente, terminar um relacionamento no qual há compatibilidade mas não existe mais amor, deixar um trabalho porque ali a sua história já foi encerrada, sair da casa dos pais porque é preciso ter seu cantinho…situações que requerem aceitação, consciência, plenitude da parte de quem as atravessa e ao mesmo tempo geram dor e dificuldades para quem está à nossa volta. Infelizmente, nem por isso devem ser estancadas ou bloqueadas, porque é sabido que são necessárias, fazendo parte do processo da Vida.
Por isso é vital respeitar o próprio momento mas também tentar respeitar o momento alheio. Digo tentar porque não é nada fácil mesmo. Por exemplo: aceitar um convite do outro pra viajar com tudo pago é ótimo. Mas aceitar que ele leve seu parceiro ou parceira e não te leve é bem mais complicado. E é nesses momentos que a Carta pede consciência evolutiva e maturidade. Para conseguir aceitar a mudança no outro ou fazer o que for necessário sem contudo feri-lo desnecessariamente.
Equilíbrio delicado, medidas sutis, união de tato e ciência. Não é à toa que se trata da última carta…a que fecha e encerra um ciclo com perfeição. Não é à toa também que ela (a Carta) acontece e dura segundos dentro de nós e se desfaz em meio ao cotidiano maçante, cheio de mesmices. Mas os poucos segundos que dura valem muito à pena porque dão aquele “flash” de compreensão que nos acompanhará por todo o novo ciclo.
Na próxima semana deixe que o Mundo te mostre o que será fechado e o que será recomeçado. Use delicadeza, sutileza, tato, ciência (no sentido de estar ciente e não coberto de explicações) e não abandone o equilíbrio. Será uma transição bela e segura… se feita de peito aberto.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
(Imagem: Golden Boticelli Tarot)
Deixa a Vida me levar?
O Julgamento - assim como a Carta da Lua - possui muitos detalhes e representações simbólicas. Portanto fica fácil escrever cada dia sobre um aspecto diferente da lâmina. Dessa vez falarei sobre a interferência que surge claramente na Carta, simbolizada pelo anjo que toca trombetas para as lápides, com mortos ressurgindo da terra. Nem preciso dizer que muita gente “acha” que a Carta é “negativa”, porque tem a representação de mortos saindo de seus túmulos, obedecendo ao chamado do Alto. Porém, tirando essa visão rasa de bem-mal que insistimos em carregar para deixar a vida limitada, trata-se de um simbolismo até poético para mostrar que - nalgum momento - a Vida nos chama a atenção. Nos chama para acordar, para renascer, para superar ou transcender. Seja lá o motivo que for, a Carta atesta que o Destino (ou a Vida ou Universo…) atua na vida de todos… mais dia, menos dia.
Dentro dessa constatação normalmente há duas escolhas: aceitar o chamado da Vida ou ficar atarracado à terra e ao próprio espaço tentando se garantir do que foi - até então - “conquistado”. Ora, chega a ser irônico, uma vez que nos momentos de livre-arbítrio todo mundo reclama porque quer ajuda nas decisões a serem tomadas…e quando surge a hora de deixar a Vida decidir as reclamações acontecem porque não foi como se esperava. É a velha frase do Diabo: Nunca se está satisfeito.
De qualquer modo, quando passamos pelos Amantes (ou Enamorados) tivemos a chance de decidir por nossa conta e risco (reclamando ou não). Agora, no Julgamento, é hora da Vida mostrar a resposta. Óbvio que na maioria das vezes não veremos o resultado que queremos…a Vida não está ali pra nos servir ou ater-se às nossas vontades, mas sim, para mostrar a Verdade. Mas, se deixarmos de lado a expectativa e os falsos valores, o Julgamento é a única chance de recebermos um sinal! Senão, como saber se está tudo como deveria estar?
Portanto, na Semana do Julgamento, a reflexão está associada ao fato de aceitarmos a resposta da Vida. Recebemos o que merecemos, achando justo ou não, e a única forma de sabermos é deixando a Vida “falar com a gente”. Sabe aquele dia que temos que tomar uma decisão sem ter a menor noção de que a opção é a mais adequada? Sabe aquela hora que aperta o peito porque não temos certeza de que nosso próximo passo é o que deveria acontecer de verdade? Sabe aquele medo de ter que arcar com consequências desfavoráveis por não ter feito a escolha ideal? Pois é. Agora é hora de saber a Verdade. Para lidar bem com tudo isso, fica aqui uma dica: a Vida jamais quer o nosso mal. O Destino não se diverte fazendo a gente de palhaço. O Universo não vai falar com a gente pra humilhar porque simplesmente acha a crueldade o máximo. Aceitando a resposta e o merecimento como verdade e realidade a que temos direito tudo fará MUITO mais sentido. Dê um tempo pra Vida falar, dê um tempo para si, a fim de entender o que foi mostrado. Os sinais são valorosos quando ouvidos com humildade e receptividade.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma
(Imagem: Pictorial Key Tarot)
2 comentários »Como ficar “bem resolvido”
Esta Semana temos a regência da Carta XIX, O Sol. É comum as pessoas relacionarem seu simbolismo com sucesso, realização, alegria, amor. Normalmente se esquece (ou deixa-se de lado, tanto faz…) de analisar aquele muro que está desenhado na carta. Relembrando a figura: temos duas crianças brincando, se tocando (a primeira vez que os personagens se tocam nas ilustrações, inclusive) com atitude leve e feliz. Atrás dessa cena, um muro, acima de suas cabeças o sol a brilhar. É normal darmos ênfase ao sol, às crianças, à disposição, à alegria. Mais comum ainda ouvir aquele papo de “criança interior”. Porém…o que dizer sobre o muro? O que ele faz ali? O sol, sabe-se, é representação de inúmeras coisas, dentre elas a clareza, a consciência, a vivacidade, a energia. Mas (de novo) e o muro?
Bem, o muro pode ser diversas coisas. Mas hoje vamos nos ater a uma delas para compor esse artigo: limites. Delimitar, limitar, definir território ou terreno. Sendo assim, podemos então dizer que o Sol, acima da cabeça daquelas crianças alegres, energiza, otimiza, acrescenta, aquece, dá brilho e clareza, além de promover a consciência…em dois seres puros e cientes um do outro, que sabem trocar e compartilhar, valorizando aquilo que realmente é importante na vida…conscientes de seus próprios limites, responsabilidades, conhecendo seus parâmetros. Pode parecer redundante mas não é. Ser feliz por ser feliz é situação passageira. Ser feliz conhecendo os limites e respeitando tanto os nossos quanto os dos outros é ser feliz com durabilidade e base real.
Isso é ser bem resolvido. Quem deseja ser bem resolvido ou admira aqueles que denomina dessa forma pode verificar e constatar que, normalmente, bem resolvida é a pessoa que tem consciência de seus próprios limites e os respeita (fazendo exatamente a mesma coisa com todos os seres que habitam este planeta). Tendo tudo claro e bem delineado a vida fica menos complicada, pois será possível dar valor àquilo que realmente tem importância e também descartar as coisas que não são tão complexas quanto parecem.
Aproveitemos a Semana do Sol para descomplicar. Quando paramos e pensamos que tudo (absolutamente TUDO) o que existe e nos cerca, amanhã, poderá mudar sem o nosso consentimento entendemos - imediatamente - que no fim das contas muita coisa não é tão importante quanto parece… que as coisas e pessoas realmente relevantes podem estar relegadas ou sobrepostas pelo que não deveria ser prioridade.
Boa Semana todos;
Abraços ![]()
Kelma Mazziero
(Imagem: Akron Tarot)
1 comentário »O Dia da Lua. Dia da Mulher.
Certamente a chuva e enxurrada de e-mails, mensagens, ofertas, promoções e textos especiais sobre o Dia da Mulher já circularam até ninguém aguentar mais. E justamente aos domingos costumo atualizar o Blog. Imagine meu dilema: se escrever sobre o Dia da Mulher muita gente -já de saco cheio de ver tanta coisa sobre- vai sair e nem dar bola pro artigo da semana… se eu não escrever sobre o Dia da Mulher os mais tradicionais ficariam incomodados e reclamariam. Dilema total. Como escrevo para todos e quero (lógico!) que o Blog seja lido penso sempre em assuntos que interessem e façam alguma diferença na vida dos meus visitantes. Não uso o Blog para vomitar desabafos ou sabedoria (e ficar vendendo meu trabalho sem critério). É para que os outros possam ler, usar, aproveitar de algum jeito, senão não vale.
Para tentar solucionar o dilema, portanto, decidi fazer 2 coisas ao mesmo tempo (sou relativamente habilidosa pra fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, característica feminina que combina inclusive com o dia 08 de março). Escreverei aqui sobre a Carta da Lua - Arcano XVIII - analisando através dela cada mulher que existe nesse planeta. Assim resolvo dois problemas num dilema só.
A Lua é carta de simbolismo complexo e profundo. Difícil achar quem entenda realmente suas representações. Um dos motivos é porque se trata de uma lâmina bastante feminina. Não quero aqui fazer um paralelo simplesmente e dizer que toda mulher é complicada, seria pouco inteligente . Quero afirmar que a vibração, o tom, o que envolve a mulher é profundo, complexo e cheio de detalhes. Nem adianta eu bater na tecla de que toda mulher é guerreira, que lutamos e conseguimos nosso lugar ao sol, somos poderosas e auto suficientes (bla bla blas enfim). Saindo dessa mesmice repetitiva e cansativa de auto afirmação o fato é que mulher tem uma gama de detalhes e sutilezas dentro de si que poucos compreendem. Não é preciso crucificar os homens por isso, até porque, tem algumas mulheres que não são compreendidas nem por outras mulheres. Isso é “ruim”? (lá vem os rótulos…). Não. Isso é SER.
A Lua possui fases, tem ciclos, é intensa, não sabe fazer nada sem se apaixonar, fica louca-de-pedra sem dificuldade, cria mil histórias em sua mente, inventa, re-cria, imagina, sonha, sorri e chora ao mesmo tempo, bate o pé e teima, depois pede desculpas sem perder a classe, dá barraco, sabe ser elegante quando quer, deixa quem quiser maluco, se entrega, exige envolvimento de qualquer criatura que a rodeie, pergunta, responde, pensa pra burro…tudo o que mulher faz bem `a beça. A Carta da Lua representa, aqui, a Mulher de verdade. Aquelas que não têm medo de aparecer descabeladas na portaria do prédio, que não ficam com vergonha de dar uma bronca em quem merece no meio do Shopping, que gritam de alegria, que gargalham altíssimo, que abraçam e beijam, mas que somem quando dá na telha e nunca mais dão as caras. Essa Lua é a que dá gosto de trabalhar, de se relacionar, porque ela é de verdade. Ela é real. Eu costumo inclusive dizer que são essas Mulheres-Lua que gosto de atender, de ensinar Tarô, porque riqueza (interior) ali nunca vai faltar.
A mulher que temos que ser hoje em dia acaba se tornando cansativa com o tempo. A gente bem sabe o preço que paga pra ser tudo isso. Não adianta vir no dia 08 falando maravilhas, porque no dia-a-dia é dinheiro, trabalho, família, comida, roupas, unhas, cabelos, ginástica, padaria, mercado, sobrancelha, make up, varizes, óculos e lentes, secadores, absorventes, contraceptivos, camisinhas, livros, animais, flores, cabos e fios, computador, carro, biquínis, listas, agendas, celulares. E nessas não sobra espaço pra ser a Mulher - a Lua - de verdade. Que ri e chora, se entrega, sabe viver a dor e sabe viver o amor. Selvagem e instintiva.
Portanto, comemoremos a Lua, a Mulher, mas tudo isso com verdade e transparência. Esse papo fiado de ser empreendedora só cansa. Pode empreender sim. Mas precisa também ser quem é sem medo de ser chutada, odiada, falada, comentada, criticada, rejeitada. Porque mulher é forte mas é super frágil. Mulher aguenta tranco, mas se magoa. Mulher quer controlar tudo e saber de tudo mas precisa tanto de colo…sejamos mulheres, sejamos Lua, sejamos gente.
Sem medo (algum) de ser feliz, né?
Feliz Dia 08, mulherada!
Boa Semana de Lua a Todos (e isso vale pro meninos também!) ![]()
Abração
Kelma
(Imagem: Deviant-Moon Tarot)
Acreditar virou defeito?
Quase tudo, hoje em dia, é categorizado. Gostar é bom, duvidar é ruim. Ganhar dinheiro é bom, emprestar dinheiro é ruim. Ter companhia é bom, aguentar as crises de relação é ruim. Da mesma forma os comportamentos: ser generoso é bom, pensar em si mesmo é ruim. Fazer política é bom, ser franco é ruim. E assim por diante… só que essa mania acaba gerando (pré)conceitos complicados. Digo isso porque tenho percebido crises de auto estima e inversão de valores constantemente nas pessoas. Elas se condenam sem perceber!
É cada vez mais frequente ouvir: “Eu estou até lidando bem com essa situação…mas sabe qual é o meu problema Kelma? Eu sou otimista!”. E eu fico aqui pensando o quanto os julgamentos e condenações deterioram o que há de mais bacana no ser humano. Porque, à medida que a pessoa começa a achar que seu potencial e características são problemas, surge a possibilidade de ter ocorrido inversão de valores. A pessoa deixa de se amar como uma criatura única que é. Principalmente não estima os próprios aspectos e afirma que qualidades são defeitos. Como chegar ao ponto de achar que otimismo, alegria, leveza, irreverência e esperança são defeitos?
Claro, tudo que é excessivo se torna nocivo, e nesse caso, basta equilibrar os aspectos para usufruir deles com medida e bom senso. Tentar afogar a alegria, escurecer a leveza, sapatear o otimismo, ignorar a irreverência e acorrentar a esperança é um gesto de auto punição sem igual!
Portanto, na Semana da Estrela, vamos brincar de acreditar sem ter medo. Tentemos evitar o pensamento receoso e limitante de que toda vez que queremos algo e acreditamos naquilo nos damos mal. Procuremos romper o padrão de destruir os próprios agrados para mostrar que somos experientes. Principalmente: não nos curvemos perante o primeiro obstáculo ou desafio achando que é sinal de que tudo vai dar errado. Façamos diferente uma única vez! Vamos acreditar até o fim. Não custa tanto assim… afinal, não há nada a perder.
Tente diferente e acredite.
Quem sabe dá certo? ![]()
Abraços a Todos!
Boa Semana
Kelma Mazziero