Cartas na Mesa: Tarô Virtual

Artigos, programação e workshops do Site Tarô Virtual - www.kelmamazziero.com.br

Arquivo de Julho de 2009

Uma grande lição sobre fracasso

Semana passada dei uma pequena prévia sobre o Arcano Menor dessa semana, o 3 de Espadas, como continuidade e resultado do 2 de Espadas. Quando há inflexibilidade de opiniões ou situação de confronto sem negociação o resultado comum é um dos lados acabar perdendo. Veja bem, não estou falando em “ceder”, mas me referindo à perda especificamente. Já disse anteriormente, também, que hoje estamos codicionados a pensar em perda como algo material que nos deixa e causa prejuízos no aspecto material. Sendo assim, é normal vermos o medo latente das pessoas direcionado ao campo da matéria, como o medo de perder dinheiro, trabalho, namoro, casamento, família, bens e assim por diante. Mas, antes de perder o que é palpável, o maior incômodo surge da perda mental.
O 3 de Espadas se refere a muitas coisas, como a maioria das cartas, porém seria arrogância tentar resumir tudo aqui para ensinar as coisas de modo superficial. Prefiro me ater ao que mais incomoda nesse Arcano, já que o próprio naipe (representante do elemento ar), indica o pensar, a mente, a idéia, o ato, o movimento. E neste caso, o 3 seria o resultado da soma do 1 + o 2 de Espadas. Se o 1 (o Às) fala de intensidade e potencial, o 2 continua essa intensidade mantendo a idéia e a opinião com veemência e inflexibilidade. Porém, assim como eu tenho o direito de defender o que penso com unhas e dentes, a outra pessoa também tem esse direito. E o 2 acaba se tornando uma situação de estanque, pois não há como achar saída para duas mentes opostas. Sendo assim, o 3 (como número de difusão ou equilíbrio) surge para mostrar um resultado dessa situação. E, claro, na inflexibilidade do 2 mora a resposta do 3: a perda. Mas não perda de dinheiro e sim perda da expectativa.
Todos devem lembrar do ditado “Quem apela perde a razão”. O 2 de Espadas não indica, necessariamente, essa apelação. Mas, qualquer posição radical, antecipa uma chance de perda. São 2 opiniões distintas, portanto, 50% de chance de ouvir um “não” como resposta. E o 3 é esse “não”. O mais interessante é notar que a fixação é se preocupar com o plano material, mas, pelo próprio 3 de Espadas vemos que a parte realmente dolorida na perda não é a matéria em si, mas o que ela representa, e aqui sim falamos da perda mental. A idéia de perder, a opinião que estava equivocada, a postura que foi exagerada, a posição que não rendeu frutos, a frustração e a sensação de fracasso por não ver resultado a partir de uma idéia que parecia genial anteriormente!
Por isso, essa Semana será dedicada à reflexão sobre a perda. Perda mental, não material. Nem sempre estar errado é perder a razão. Não é porque o outro se saiu melhor que perdemos tempo com aquela situação. A matéria só reflete o valor moral, e por isso, sentimos revolta quando as coisas não dão certo. Porque, ao misturarmos as estaçoes, acabamos também perdendo a auto estima. Se uma pessoa não quer ficar mais comigo não significa que perdi tempo ao lado dela. Se uma relação acabou não quer dizer que fracassei. Se não consegui resolver uma dívida não indica que sou um marginal. Se fui demitido não representa que sou incompente. Se eu quero mas o outro não quer não indica que sou mal amada. São somente opiniões, posturas, idéias, pensamentos. Cada um tem a sua, é normal não ganharmos sempre. Por isso assumir o próprio erro é saudável! Justamente porque faz parte do “jogo”. Quanto mais a gente se enxerga melhor fica para entender o que houve e lidar sem drama com o processo de perda (que está implícito em muitas coisas da vida).
Dedique-se a refletir sobre sua noção de perda. Empenhe-se em valorizar sua auto estima e não misturar um fato com uma idéia. Procure compreender que algumas perdas fazem parte do caminho de quem mantém a opinião ou quer algo com muita intensidade. E acima de tudo: lembre-se de que ninguém morre por frustração. Saímos mais forte dela, mais conscientes e com uma idéia bem diferente do que é versatilidade.
Boa Semana a todos :)
Abraços
Kelma Mazziero

(Imagem: Greer Tarot)

5 comentários »

Palavra contra palavra

Na semana do 2 de Espadas os temas a tratar são delicados. Carta conhecida e estudada como símbolo de obstáculo intransponível, provoca num jogo ou análise certa tensão, pois indica a dificuldade intrínseca em negociar idéias e flexibilizar opiniões. Frases manjadas, tais como: ” Eu não acho”, “Eu não concordo”, “Eu não quero”, “Para mim não é assim”, “Como você não percebeu ainda?” ou “Você ainda não entendeu? Não acredito!”… são apenas exemplos de posturas inflexíveis do dia a dia.
Pode ser que esse comportamento inflexível venha enfeitado com alguma frase complementar: “Mas essa é minha opinião, nada contra a sua, só estamos conversando e expondo pontos de vista!”. Porém o que se diz após a opinião real não exprime a realidade mental. Quando alguém não concorda e não aceita alguma idéia, opinião ou situação de outra pessoa, simplesmente não absorve nem convive com aquilo de modo flexível. E, neste momento, surge a velha discussão (que permeia o naipe de Espadas constantemente) do quanto a inflexibilidade é algo mutável. Se não mostramos o que pensamos somos taxados de covardes ou tidos como quem vive “no muro“. Se falamos o que pensamos não temos como fazê-lo sem soar inflexível ou mostrar apenas um lado da questão (o nosso!). Se é apenas um lado é parcial. Se é parcial é inflexível. E se é inflexível não tem negociação se tornando radical e socialmente delicado.
O fato é que o 2 de Espadas mostra tudo isso. Indica o pedido que não foi aceito, a idéia diferente que cada um faz da mesma coisa, a situação que não possui ponto comum, o problema que surge quando alguém quer algo e não é possível, o momento diferente de cada um, o ritmo distinto em cada indivíduo, a boa e velha “questão de gosto e opinião” que não se discute (se lamenta).
Por isso, essa semana fica dedicada ao momento ultra delicado e inevitável, o instante no qual a flexibilidade inexiste e torna aquele ponto intransponível. Nem sempre é um problema material (porque sempre que falamos em obstáculo todo mundo corre se calçar pra não ter problema de dinheiro, de trabalho, de família…) mas sim, problema de ordem mental, quando não há forma de definir quem está certo e quem está errado. Como descobrir quem está correto, se cada um viu e passou (e sentiu) a mesma situação de forma diferente? Como detectar erro de julgamento quando cada um sofreu por motivos diferentes mas viveu a mesma situação? De que forma saber se o prometido foi realmente compreendio pelos outros? O que foi dito chegou aos ouvidos de quem estava atento da forma como deveria? O outro entendeu o que eu queria dizer ou traduziu, a seu modo, o que foi falado?
Para lidar com isso somente a boa vontade e o coração aberto. Não há como mudar a opinião, a experiência de cada um, a percepção, a lembrança pessoal. Cada um tem impresso em si a própria história e carrega suas marcas compreendidas em sua linguagem individual. Aceitando isso fica mais fácil passar pelo 2 de Espadas e cair no 3 (de Espadas), que mostra o simples fato de algumas coisas só conseguirem a definição na perda. Porque perder a razão e aceitar estar errado pode ser uma boa forma de viver e aceitar as pessoas como são!
Boa Semana a Todos ;)
Abraços
Kelma Mazziero

(Imagem: Devian Tarot)

2 comentários »

A imposição inevitável de uma idéia

Chegamos, enfim, ao naipe de Espadas. Muita gente esperando por este momento. Espadas é um naipe comentado e temido por haver tensão e conflito implícitos nas cartas. Verdade seja dita: é um naipe de luta, de briga por aquilo que se acredita, de confrontos (exatamente por ser o momento de defender seu ponto de vista). É correr atrás, agir, reagir, pensar, exaltar, cair, levantar. São muitos aspectos representados pelo elemento Ar tratando do movimento frequente, da velocidade, da dispersão, das inconstâncias, da inconsistência. Mas também do conhecimento, intelecto, atitude, informação, agilidade. Intenso, é fato, com todos os detalhes que qualquer ser humano merece e carrega consigo ao longo da jornada pela própria vida.
É comum vermos e ouvirmos as pessoas dizendo que Espadas é um naipe tudo de ruim. Porém não há como ir atrás do que se quer sem batalhar, agir, enfrentar dificuldades e - por que não? - se manter irredutível nalguns momentos. E é justamente essa inflexibilidade que permeia o naipe. Qual o momento de manter-se inflexível? Como definir uma opinião, uma idéia e qual será o momento de desistir dela?
O Ás de Espadas, por ser o primeiro (o número 1), carrega consigo toda essa energia de potencialidade e começo certo. Não há como iniciar qualquer coisa se for com seu intento pela metade. Não há como iniciar qualquer coisa se a idéia é incerta ou se a ação não está coerente com o intento. E, acima de tudo, não há como apostar em coisa alguma se já no início houver desistência. Por isso, no Às de Espadas, a inflexibilidade além de provável acaba se tornando útil. Porque tem coisas na vida que precisam ser inflexíveis.
Ao longo do naipe de Espadas veremos que a mesma inflexibilidade constrói e destrói. Isso acontece porque dificilmente sabemos quando parar, não entendemos que algumas desistências devem acontecer em nosso próprio favor, temos dificuldade de distinguir o que é egoísmo e o que é justiça.
É por isso que deixo aqui a mensagem de uma Semana voltada para essa reflexão. O que deve ser inflexível e o que deve ser flexibilizado no cotidiano? Quais as suas crenças e expectativas que merecem decisão irredutível e quais são aquelas que pedem para ser abrandadas, amenizadas e revistas? O que é excesso de egoísmo na vida e o que é de direito? Pensando sobre isso a inflexibilidade toma outro rumo, mostra outras utilidades e funções além de simplesmente fechar caminhos ou gerar angústia.
Desejo uma ótima semana, cheia de certezas e cheia também de concessões necessárias, para que aquilo que vale à pena tenha toda a força de começar bem e aquilo que não for fundamental seja flexibilizado favorecendo acertos e superação.
Boa Semana a Todos :D
Abraços
Kelma Mazziero

(Imagem: Tarô Mystic Dream)

2 comentários »

Cartas Marcadas

Rei de Ouros é sinal de realização. Quando surge num jogo, normalmente, indica que há chance de concretizar ou realizar o que se quer. Mas seria um desperdício ficar resumindo e encurtando a representação das cartas desse modo. A união entre um naipe material (ouros - elemento terra) com um personagem que mostra atributos de poder e domínio leva a crer que haja, na situação, a tão perseguida realização. Mas qual seria o sentido dessa realização?
Sim, é preciso ter um sentido. Não é porque estamos no naipe de Ouros, falando de elemento terra, que não há necessidade de sentir entender, acreditar, perceber. Na verdade tudo é uma questão de manifestação. No caso do elemento terra é importante que a concretização aconteça dentro de algo que tenha sentido, que seja coerente, que ofereça resultados práticos ou reais e -acima de tudo- mostre-se sólido e durável. O Rei é aquele que domina e reina por um povo, que precisa pensar no coletivo para ser justo a fim de manter-se no poder, ao menos, ser aceito pelas pessoas. E vale dizer que não me refiro à noção equivocada de poder atual, ao ver políticos corruptos e egoístas atuando, pois a noção de nobreza e soberania estão há anos-luz dessa politicagem de quinta. Aqui falo de valores, herança soberana, administração consciente (absolutamente diferente do poder que se vende hoje).
Por isso vemos a carta do Rei e sentimos nela proteção, segurança, firmeza. Realmente isso faz parte da carta. Não adianta simplesmente conquistar à força, não resolve nada ter um rótulo ou uma plaquinha na porta, não significa nada ter um “Dr.” ou um “Exmo.” na frente do nome. Nada. Pode até assustar ou dar crédito pra quem é inseguro e acha que título indica sabedoria e ética. Mas para quem vive de perto o drama de ver tanta gente “reconhecida” fazer um serviço pouco ético e oferecer quase nada para quem o rodeia é nítida a insignificância do status que o poder compra.
Portanto essa Semana fica dedicada ao Rei de Ouros. Aquele que representa o poder verdadeiro, que pensa no coletivo, que realiza o justo, que mantém a ordem e acredita nos valores, que não se deixa levar por uns troquinhos a mais (ou um título diferente pra ilustrar seu nome). Quem realiza consciente sabe que dá um trabalho imenso ter solidez, manter e conquistar a durabilidade, criar raízes, ter a confiança das pessoas.
Para todos que gostam apreciam ou se identificam com o Tarô desejo uma semana de proteção e solidez. Não a proteção superficial que se busca em simpatias, num pote de sal grosso ou numa coleção de espadas atrás da porta. Mas a proteção interior, que dá calor e conforto, promovendo segurança e consciência de que o poder nada mais é do que um jogo de cartas marcadas.
Boa Semana a Todos :)
Abraços
Kelma

(Imagem: Paulina Tarot)

2 comentários »

Próxima Página »