Hora de lavar a alma
E chegou a tão temida hora. A hora e a vez da Rainha de Espadas. Quem estuda Tarô e gosta da tarologia bem sabe que essa carta é conhecida por seu conteúdo vingativo, cruel, maldoso, ressentido. Uma personagem tida como amarga, mal-amada (detesto esse termo!) e perigosa. A personificação da mulher adulta que viveu coisas as quais considerava injustas consigo mesma. Em se tratando do naipe de Espadas o que não falta nas cartas é pensamento e idéias definidas. Até porque o elemento ar aqui produz imaginação, cria conceitos, reage, rumina a mente que tem idéias.
É lógico que qualquer pessoa, em sã consciência, abomina esses atributos e diz que é uma carta ruim. Julgando, acusando, condenando. Isso é uma forma de, subjetivamente, mostrar que não há identificação com padrões tão insensíveis. Afinal, criticar algo significa ser diferente daquilo. Porém, nesse caso, trata-se de estratégia emocional barata (na maioria das vezes). Explico: todo mundo enxerga a Rainha como alguém mal e muito diferente -portanto- de si mesmo. Mas na verdade ela faz parte do pacote de qualquer pessoa normal. Sabe quando a gente compra um produto e leva outro junto na mesma embalagem? Está escrito no produto: “As partes não podem ser vendidas separadamente”. Quando a gente nasce já vem com a Rainha de Espadas acoplada, não dá pra separar ou negociar isso!
Quando a Rainha é alguém que convivemos fica fácil odiá-la. Ela é manipuladora, estratégica, perigosa, ardilosa. Mas nos momentos em que estamos saturados por tanta chatice e mediocridade alheia, tendo que lidar com gente preguiçosa e ociosa, engolindo sapos diariamente, aturando um cotidiano exaustivo, maçante, desigual e injusto… É fácil assumir a personagem (ou seria persona?) da Rainha de Espadas. Eu costumo dizer que no momento no qual surge essa carta é a hora de lavar a alma. Depois de ser humilhado, desvalorizado, ignorado, incomodado, desrespeitado… Quem agüentaria “oferecer a outra face”?
É aí que essa parte nossa (a que veio junto com o pacote!) entra em ação. Pode ser aquele momento no qual a (o) seu superior insuportável é demitida (o) por não saber conviver e trabalhar em equipe. Ou, ainda, a chance que se esperava de dizer tudo o que estava entalado quando um colega vê seu mundo desabar e te pergunta o que foi que ele fez de tão errado assim… Até aquela figura do colégio que te azucrinava e hoje precisa de você para resolver algum problema… Fala sério, é difícil controlar o sorrisinho no canto da boca.
Por isso, essa semana, não basta simplesmente pensar. É semana de admitir. Admitir que ninguém é de ferro, que todo mundo tem direito de querer desabafar, reclamar, xingar, esbravejar porque afinal de contas se sente soterrado de coisa errada e a maioria das vezes tenta ser educado e passar por cima porque seria o correto a fazer. Isso não significa perder o critério (porque por mais que a Rainha de Espadas seja mão-pesada ela nunca perde a classe). Significa também dar valor à sua justiça para que a noção de “certo-errado”, “bem-mal” nos assole um pouco menos. Significa, ainda, dar importância aquilo que é realmente importante e parar de se incomodar com qualquer bobagem. Divertir-se com essa vontade de chutar tudo pro alto e revidar na mesma moeda é da natureza humana, ou ainda, de qualquer pessoa saudável. Afinal, quem é que não entende a ironia quando lê a célebre frase: “Quando sou boa, sou ótima. Quando sou má sou melhor ainda”…?
Boa semana a todos ![]()
Kelma Mazziero
(Imagem: Gilded Tarot)
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3 respostas para “ Hora de lavar a alma ”
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É da vida… Primeiro abrimos mão, aceitamos a derrota, depois seguimos em frente, mais relaxados, sem exigência de ter que vencer, pois já aceitamos a derrota, e ai vem a volta, o retorno, mostrar para nós mesmos no que estávamos certos o que é correto e verdadeiro.
Um beijo e que tenhamos uma semana tranqüila, porque a vitória é certa apenas se soubermos investir nosso tempo em coisas realmente importantes, merecedoras de nossa atenção.
Abração
Kelma, parabéns! Sempre acompanho o seu blog. Estou adorando essa fase dos arcanos menores, ótimo, pois tem ampliado meus horizontes.
Engraçado que nunca enxerguei a rainha de espadas assim… Pelo contrário achava ela a cara da mulher guerreira e inteligente. Teve um ano que tirei ela no meu plano material e foi ótimo, pois passei o ano todo buscando agir como a “minha rainha de espadas”. O famoso “faca nos dentes” e lutar pelo que quer, agindo racionalmente. Vai ver que tenho uma visão romântica da carta, rs.
Beijocas e uma linda semana para vc!
Meninas queridas
Vi o post semana passada, fiquei de responder, mas nada de tempo sobrando pra escrever como manda o figurino.
Por isso já vou adiantando nos posts dessa semana: obrigada obrigada obrigada pela participação e pelas observações. MUITO importantes, inclusive.
Beijo Grande
;)
Kelma