Nem tudo que é mal atrapalha
Durante anos de minha vida lutei para conquistar tudo o que achava que seria bom pra mim. Lutei para estudar piano (e fazer o curso até o fim), para ser boa dançarina, para passar de ano na escola, para entrar na faculdade, para sair de minha cidade e morar na capital, depois para fazer a Faculdade, para encontrar meu primeiro emprego, principalmente para conseguir me realizar na carreira que escolhi quando ainda era uma menina. Sendo assim, como toda luta que se preze, em tudo isso tive meus bons inimigos (e aqui entenda-se como inimigos as pessoas e também eu mesma em muitos momentos). Fiz muita coisa ao longo do tempo. Lutei muito para conseguir todas elas. Hoje me encontro numa situação totalmente diferente da qual imaginava naquele tempo. Sou casada, tenho filhos, trabalho com Tarô. Absolutamente fora da programação tão “sonhada e almejada” por mim. Mas só consegui chegar aqui depois de - claro - ter me colocado a prova no que achava ser o melhor pra mim (só podemos abrir mão do projeto quando percebemos que, ao realizá-lo, não parece ser nosso verdadeiro lugar).
Você deve estar pensando: e o que eu tenho a ver com tudo isso? De que me interessa saber essas coisas? O que deu na Kelma pra sair falando coisas pessoais no Blog, agora? Pois bem. Na verdade não interessam mesmo os fatos, mas sim, a mensagem. Estou aqui me usando como cobaia para dar exemplo de uma situação delicadíssima que acontece com todo mundo e não tem como falar dela se não me expondo (não faria isso com qualquer outra pessoa). Por isso, cá estou, tentando mostrar que nem tudo aquilo que é maldade (ou o que é ruim) atrapalha. Às vezes (até)ajuda. Ao longo de anos e anos pude ver que cada uma das pessoas chatas, impertinentes, reclamonas, cri-cris e maldosas que passaram pelo meu caminho tiveram uma importância incrível. Cada crítica que me fizeram, cada maldade, cada intriga, cada veneno…foram transformados em lição para que eu superasse tudo isso e me tornasse alguém melhor, mais forte, menos sensível. Para que eu me levasse menos a sério e considerasse como importante a jornada (e não apenas as pessoas que fazem parte dela ou o que acham dessa minha trajetória).
E onde fica o Rei de Espadas, afinal? Fica justamente aqui. Aquele que realiza pela luta, pelo esforço, a despeito de outros, de acontecimentos, de dificuldades. É carta difícil porque não mede muito limite (ou seja, se ele tiver que fazer nem pensa muito, vai e faz!). Mas em contrapartida é resistente à beça. E é por isso que escrevi aqui parte de meu caminho. Nele tive pessoas que gastaram um tempo imenso procurando defeitos em mim. Defeitos que (hoje) defino como relevantes (alguns) e irrelevantes(outros tantos). Mas que, na época pesaram, doeram, me colocaram de frente para mim mesma e para a guerra que se trava para lutar por qualquer coisa: seja dinheiro, posição, trabalho, amor, amizade. Qualquer coisa. Já vi gente mentir para ter uma amiga minha menos próxima de mim. Encarei complô em trabalho para perder promoção. Ouvi absurdos de pessoas que conviviam comigo sobre minha vida pessoal por não aguentarem meu jeito de lidar com as situações. Acreditei ser muita coisa que não era pra que outras pessoas conseguissem ser qualquer coisa por poucos minutos. Mas nada disso foi em vão. Nada. Tudo me serviu. Não para alimentar arrogância mas para me mostrar que aqueles pontos, todos, eram frágeis e precisavam ser fortalecidos. Inclusive a necessidade que eu tinha de ser aceita, que me derrubou por anos, até que eu pudesse entender que não dá pra depender de ninguém quando se trata de amor-próprio.
Por isso, na semana do Rei de Espadas, deixo a mensagem para todos da luta, sobrevivência, resistência e realização. Cada parte ruim é importante numa trajetória em busca de algo muito maior do que aquilo que se vive no momento. Para saber o que temos pela frente é preciso ser resistente, superar as dificuldades, fortalecer fraquezas, aceitar as falhas e principalmente não achar que isso que se vive hoje é o melhor que poderia ser feito. Sempre poderá haver melhoria, sempre haverá crescimento, sempre haverá coisa boa no caminho. Basta não ter medo do (que parece ser) ruim.
Boa Semana todos
Abraços ![]()
Kelma
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 266
8 respostas para “ Nem tudo que é mal atrapalha ”
Deixe uma resposta.
Ola Kelma
Hoje, levantei-me com a sensacao de que havia de receber noticia importante. A tarde recebi noticia que me fez mal. Durante todo o dia fui dormir para nao sentir e pensar que tudo o que consegui e consigo na minha vida foi ou e por meio de tanta luta e esforco.Cansada da vida abri hoje a noite o meu email e li o que voce escreveu. Voce tem razao. As vezes esquecemos de que o que somos hoje e um producto do que o pasado nos deu.
Obrigado pela sua historia
Maria Santos
Querida Kelma
Achei maravilhosa sua mensagem….serve muito pra mim e aposto que para muita gente também..
beijo
Obrigada pelo carinho, Maria e Diana
É difícil lembrarmos dessas coisas quando vivemos fase difícil. Mas são elas que nos fazem mais fortes e humildes também.
Abração!
Kelma
pra mim, esse foi um dos textos mais inspirados.
foi bom ouvi-lo, digo ouvi-lo pois assim que sinto quando leio suas cronicas… eu as escuto.
bjos,
e vivendo e aprendendo… pois é assim que a vida tem graça
Esta tua leitura das cartas são ótimas mesmo. Este desenvolvimento a cada carta, para quem usa como terapia e auto conhecimento como eu, são maravilhosos. No início fiquei pensando como algo de ruim, pode me trazer algo de bom???? E hoje, quinta feira dia 15, entendi tudo, foi como se uma porta se abrisse na minha frente. Um fato muito ruim q aconteceu, trará com certeza um acerto. Brigadu!!!!!!
Os céus acertaram em escolher você para ser emissária e divulgadora destas lições…
Nunca me identifiquei tanto. Com a interpretação para o todo e com a interpretação para o momento. Obrigado.
Obrigada, de coração. Estou com muito medo de revirar meus sentimentos, abandonar velhos padroes e me abrir para esse fim que acredito ser certo. Enfim,….obrigada
só hoje pude ler o Rei de Espadas. Tudo isso que vc passou, já passei tbm. Eu estou aprendendo a também não dar importância pro que os outros pensam do meu jeito. Aquilo que eu não gosto em mim, já consigo ver no espelho. Faz parte do aprendizado
bjs,
Carla