Dois é bom
O 2 de Copas é a carta que todos olham e sorriem de alívio. Isso porque mostra a parte favorável do número dois. No 2 de Ouros vimos que existe dificuldade mas, em nome da realização, as coisas são superadas e definidas. No 2 de Espadas percebemos que cada pessoa tem direito de ter sua opinião mas que isso acarreta conflito (pois gosto, opinião e ideal não se discute). E então vemos que no 2 de Copas isso muda. Muda porque não são duas pessoas tentando realizar a mesma coisa nem duas pessoas tentando convencer uma a outra de coisa alguma. São duas pessoas sentindo. Sem pensar, sem lutar, sem negociar. Simplesmente sentindo.
Não vou aqui falar sobre a noção superestimada de sentimento de que as pessoas costumam ter. Leia-se sentimento como qualquer sensação que brota internamente em alguém, espontânea e livremente, que da mesma forma pode ser compartilhada (ou cobrada, negada, rejeitada e daí por diante). Na carta dessa semana o sentimento flui. Nasce, brota, acontece e é manifestado. Ou seja, temos como prerrogativa a sensibilidade: ítem indispensável para que haja harmonia, entendimento, troca.
E por falar em troca vale à pena (também) lembrar que, a cada dia que passa, a troca entre as pessoas se altera. Fica cada vez mais difícil interagir, se relacionar, compartilhar, trocar… trocando a reciprocidade pelo domínio, poder, autoridade e competitividade afetiva. Quantas pessoas gastam horas de seu dia se preocupando com as quantidades de amor do outro? Pois é, fica cada vez mais forte aquele conceito arcaico (é paradoxo, eu sei, mas o tema antiquadérrimo está voltando à moda) de que o outro gosta mais de mim do que eu dele (ou o inverso). E aqui cabe o questionamento: qual foi a medição para se ter esse pensamento? Existem os casos também que acham (e acreditam piamente nisso) que só vão gostar de alguém e se doar quando tiverem certeza de que serão correspondidos (como se isso fosse possível). Ou o conhecido braço-de-ferro sentimental no qual uma pessoa nunca pode estar em desvantagem em relação à outra (seja no que sente, no que faz, na renda mensal, na ocupação, nas amizades e outros tantos elementos cotidianos). Bom, se eu fosse aqui dar a lista da competição sentimental que se trava ao invés de buscar a verdade da relação iria escrever páginas e mais páginas. E nem por isso resolveria. Pois, assim como o 2 de Copas, é preciso alguém que leia para o que se escreve fazer sentido e transformar qualquer coisa.
Sendo assim, essa é a semana da troca. Uma semana desafiadora. Mesmo parecendo lindo, romântico, fofo e perfeito…quando é preciso abrir mão da vantagem para se entregar à sinceridade afetiva a coisa aperta. Enquanto o indivíduo não perceber que dois é bom, que entregar-se é somar, que interagir é crescer e que trocar é fundamental não vai viver aquilo que tanto almeja no sentimento. Sem mansidão não haverá abertura; sem abertura não haverá entrega; sem entrega não existe troca e esse processo, além de exterminar com nossos verdadeiros prazeres, deixa cada vez mais rara a única qualidade que permite a existência da reciprocidade: a sensibilidade.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
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Uma resposta para “ Dois é bom ”
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A entrega sem ncessariamente controlar a situação. A sensação de liberdade e muito grande… Quando há superação vem a libertação das amarras, das dúvidas. Nos livramos do nosso Ego… Beijos e boa semana.