Arquivo de Novembro de 2009
Sofrer antes da hora é resistir ao inevitável
7 de Copas é carta de ilusão. Tem muitas formas de explicarmos isso: fantasia, utopia, sonho, irracionalidade, mentira. Parece cruel comparar ilusão com mentira, eu sei, mas estou aqui para explicar como isso pode acontecer quando se trata de análise pessoal. Uma pessoa que se ilude - sabendo que o faz - mente para si mesma. E, ao mentir para si, já se mostra apta a manter esse gesto para com os demais. Isso não significa que o 7 de Copas é maldoso ou tem intenções maldosas. Significa que faz mal a si próprio achando que está fazendo o bem. E, claro, isso reflete em quem o rodeia.
Vamos do começo… A carta indica devaneio, fantasia, uma tendência natural a acreditar (e querer acreditar) na ilusão, no irreal, criando uma utopia, se alimentando de sonhos (aqui me refiro a sonhos sem projeção). Por isso, na prática, a pessoa vive um momento de criar uma realidade paralela, que nada tem de prática e objetiva, se alimentando de ilusão, mentindo para si e esperando realizar algo inviável. Veja bem: não usei aqui a palavra impossível. Porque não é questão de se conseguir o impossível (aquele jargão americano de que “devemos lutar pelo nosso sonho”), mas sim de criar algo que, na prática, é realmente inviável. O 7 de Copas traz à tona uma atitude anti-prática, irreal, o alimento irracional para uma emoção supervalorizada.
O que passou, passou (meio redundante mas é fato)! E ficar alimentando ilusão é mentir pra si mesmo. Mais do que isso, se estamos precisando viver num mundo irreal o sinal é de que não está tudo bem em nosso mundo concreto (e talvez não vá ficar tudo bem usando essas bases), é indício de que nossa própria intuição já sabe que estamos nos desviando e tenta impedir mais sofrimento. A gente sente, sim, antes de sofrer que se iludir não é uma boa saída. A intuição não avisa à toa, os sinais não são em vão, é tudo facilmente percebido se tirarmos as brumas fantasiosas de nosso mundo pessoal.
Sabe aqueles momentos nos quais vivemos uma perda e ficamos acreditando que isso vai mudar? E preferimos ignorar as provas cabais (o tempo que passa, as situações que não modificam, as portas novas que se abrem à frente) para fingir que vamos re-viver o que já foi? São anos acreditando em coisas inviáveis. Inviável porque não está acontecendo, e se acontecer, não será dentro do sonho criado num universo banhado por emoções insólitas e inspirações pouco realistas. Ok, não estou querendo quebrar os corações alheios e fazer o papel da amargurada que não acredita que todos possam vencer as barreiras do impossível. Estou apenas descrevendo como essa carta funciona na vida cotidiana, o momento que ela sugere e, consequentemente, como lidar de forma consciente com tudo isso.
Portanto, mãos à obra. Hora de olhar sem dó para nossas divagações e aceitar o que é mentira. Hora de admitir que, se houve mentira para si (e consequentemente para outras pessoas) é fundamental desmentir. Hora de parar de enganar, iludir, mentir pra si para, então, dar o direito do outro saber a verdade. Hora de largar o que não é mais nosso por puro medo de falar a real. Chega de ilusão. O mundo dá voltas, muita coisa se revive, mas voltar atrás nem sempre é sinal de crescimento. Deixe o que está no sonho ser provado à realidade. Se não vingar deverá ser abandonado. Acredite na Verdade. Acredite em sua intuição. Acredite no que te faz bem. Ficar sofrendo porque já percebeu que algo não vai dar certo é resistência vã. Lide com a realidade. Ela não é tão emocionante quanto parece mas é o que temos para poder viver com dignidade.
Boa Semana todos ![]()
Abração
Kelma Mazziero
Ter saudade não é sinal de arrependimento
Ninguém disse - ainda - que ter saudade ou lembrar de alguma coisa é saudável? Ninguém avisou que o fato de termos memória emocional é bom mas não indica que precisemos voltar a viver no passado, buscando alimento no que não existe mais? Alguém já parou para pensar e perceber que nostalgia oferece poesia à vida mas nem por isso precisa ser parâmetro de felicidade e modelo de futuro?
Chegamos ao 6 de Copas. Fala de passado, do que já foi, daquilo que deixou saudade. Se foi bom, se foi ruim pouco importa (afinal quando a gente relembra destaca apenas o que interessa lembrar e tira qualquer detalhe que atrapalhe a sensação de nostalgia) porque na maioria das vezes a gente recorda daquele namorado es-pe-ta-cu-lar e só não entende o motivo pelo qual tudo terminou. Claro, lembrar do que ele tinha era fácil. Lembrar do que a gente não tinha é que complica. Mas reviver tudo como realmente aconteceu é mais difícil….os olhos não são mais os mesmos, os sentimentos idem, as sensações usam outros parâmetros. O que era ruim fica bom, o que era bom fica sem graça. Eis nossa emoção imprimindo lembranças: nem sempre é prática, objetiva, concreta. E isso mexe muito com a vida de qualquer pessoa.
Sonhar com alguém, acordar com saudade de alguma coisa, pensar em algo, relembrar qualquer coisa que seja dá um gosto de querer reviver. De querer outra chance. De tentar sentir de novo. Mas é bom dizer: o que foi, lá atrás, não é mais o que acontece hoje. E, se aquilo que aconteceu voltasse a surgir (atualmente) seria tudo muito diferente.
Portanto, a saudade é boa de sentir mas não precisa locomover nada além das emoções para colorir um ou outro dia do cotidiano. Nós precisamos ser menos mimados com os acontecimentos, pessoas e circunstâncias, lidar com o tempo de modo mais adulto, aceitar o passado para que o presente faça sentido, sem entupir o futuro com expectativas vãs ou preguiçosas. O que passou, passou. Se foi bom, ótimo, boas lembranças. Se foi ruim, ótimo, porque já passou e teremos (certamente) mil outras chances de fazer melhor. Esperar que se repita, querer que volte, achar que foi a melhor coisa da vida é insistir em erro. O melhor acontece agora e pode ficar ainda mais interessante se a gente conseguir construir maduramente o futuro.
Emoção é para ser sentida… não para ser presa, amarrada, revivida. Muito menos pra virar parâmetro de vida ou base para tudo o que ainda virá pela frente.
Portanto, essa semana coloquemos nossa vida em ordem, curtamos o que foi bom, mas sem achar que saudade é sinal de arrependimento. Nada de se (des)culpar pelo que já foi, nada de ficar lamentando, nada de arrastar padrão velho e antigo pro que se vive no dia de hoje. Bola pra frente. Saudade dá um tom de nostalgia, de poesia, mas nunca foi (e nunca será!) motivo para dar marcha a ré.
Boa Semana a todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Dê uma chance para si mesmo!
Meu irmão sempre diz que detesta as pessoas que não prestam atenção na vida. Para ser mais precisa, ele detesta falar com a pessoa que não ouve, pois ao invés de escutar o que estava sendo dito ela fica pensando no que vai responder. Esse momento, esse instante, no qual a gente conversa ou fala com alguém e sente nitidamente que a pessoa não está interessada em observar e ouvir (mas sim em pensar no que vai dizer por cima do que está sendo falado) gera frustração, desgosto, distanciamento.
O 5 de Copas tem, entre seus atributos, essas palavrinhas-chave. É comum confundir com o 3 de Espadas, que fala de frustração, mas Copas é diferente. Uma coisa é o 3 de Espadas que perde e que dá errado porque simplesmente não flexibiliza o que quer. Outra coisa é a gente sentir na pele a decepção, o desgosto de ver que a situação está ruindo, podendo fazer pouco (uma vez que sentimento não é algo que se prova para as pessoas e acaba sendo visto como apenas aflição e não uma intuição viável), gerando distanciamento natural. Veja bem, não é distanciamento material, físico (ficar longe) mas sim distanciamento emocional (se sentir a milhas de distância de quem está ali ao seu lado). O melhor exemplo é esse: você fala e a pessoa não te ouve.
Isso acontece em tantas esferas da vida que é até complicado exemplificar só algumas. Mas aqui vai umas idéias para ilustrar: a enchente de autodidatas que estudam sozinhos porque não têm paciência de ouvir um professor ou de assimilar conhecimento e sabedoria alheios; as inúmeras pessoas que querem contar sempre uma história melhor que a sua; o parceiro que só sabe se defender mas não consegue argumentar de forma lógica e racional quando surge uma discussão; o amigo que só quer falar mas nunca tem tempo pra te ouvir…e por aí vai. Já reparou como as pessoas conversam hoje em dia? As duas pessoas (ou tres, quatro…) falam juntas, ao mesmo tempo. A pergunta é: para quem elas falam e para quê? O que seria do artista se não fosse o público? O que seria do professor se não fossem os alunos? O que seria de um relacionamento se não fosse o diálogo?
Pois é. O espaço de ouvir e observar está ficando pequeno, minúsculo, quase inútil hoje em dia. Muito cacique e nenhum índio na tribo. E aqui entra a sensação do 5 de Copas que se vê perdendo espaço, perdendo fé, perdendo emoção mas não sabe como fazer para salvar o pouco que lhe resta. Isso acontece em muitas relações (afetivas, sociais, familiares). Mais do que se imagina! A pessoa começa a criar problema devido às próprias inseguranças no 4 de Copas, e no 5 percebe que a coisa está fora de controle. E para dificultar - como se trata de emoção e de sentimento - não sabe o que fazer para reverter aquilo que está escorrendo pelos dedos das mãos.
Levante, respire fundo, lute! Reaja! Não fique olhando a situação te decepcionar ou indo embora, deixando só arrependimento e frustração como lembrança e nem se afaste do problema a ponto de se perder. Aqui a luta é consigo mesmo, não tem espada, não tem idéia, não tem ideal, não tem nada. Só há percepção, só há emoção. O aviso de que nada vai bem e de que é preciso tomar uma atitude é importante!
Sabe como agir em copas? Ouvindo. Sentindo, Observando. Recebendo. Se abrindo.
Aproveite esta semana para ouvir, observar, escutar, prestar atenção, aprender, entender, aceitar. Sem esse estágio não há motivo para troca. Seja o primeiro a facilitar as coisas. Se abra, receba, ouça, preste atenção! De que adianta frustrar-se depois e apontar o que o outro não fez? Invista em seu aprendizado. Os professores são importantes, os idosos são importantes, os que sofreram são importantes, os que te olham e dizem algo de valioso são muito importantes. Aprender não é cafona, ter mestre não é brega, saber ouvir um conselho não é falta de personalidade. Foi-se o tempo em que as pessoas buscavam do outro lado do mundo alguém que estivesse disposto a falar e ensinar pérolas sobre a vida. Hoje tudo isso foi (mal) substituído e está calando os corações e apenas expandido as cordas vocais!
Vamos ouvir o que as pessoas têm a nos dizer. Vamos sentir como elas sentem. Vamos compartilhar. Quer apostar que essa experiência trará muito mais prazer do que discursar sobre a própria inteligência? Não custa tentar.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
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A gente colhe o que planta
Essa frase sempre me pareceu cruel. Imaginava a pessoa dizendo com despeito e olhar de vingança ao decretar essa situação. Porém é interessante notar que as coisas, ao longo da vida, não acontecem isoladamente nem são apagadas da noite para o dia. Como vivemos atribulados e cheio de preocupações, dificilmente paramos para alinhavar os fatos, acontecimentos e desejos que nos assolam diariamente. E acabamos sem fazer aquela retrospectiva fundamental de nossas próprias vidas.
Essa semana é representada pelo 4 de Copas. Uma carta que indica desânimo, insatisfação. Mas vale dizer que não são reações provocadas pelo que está fora de nós, mas sim, por nossas próprias inseguranças. O conceito de que ficamos desanimados ou insatisfeitos sempre vem acompanhado de alguma coisa que tenha acontecido de fato, ou seja, pressupomos que o desânimo seja fruto de alguma situação que tenha resultado em decepção, desapontamento, obstáculo. Mas, e quando isso começa e termina dentro de nossa própria cabeça, como fazer?
Pois é. Quando se trata de sentimento nem todos conseguem administrar com serenidade. Isso não é nenhum crime ou pecado. Porém é fundamental que se conheça as próprias dificuldades para não virar refém ou vítima delas. Explico: às vezes sentir pode deixar a pessoa frágil (por diversas razões que aqui não vale destacar). E, perante a fragilidade, um dos maiores medos é o da perda. Ou seja, muita gente começa a gostar e já fica pensando em como vai ser quando tudo terminar. A pessoa simplesmente não consegue controlar a insegurança, a fragilidade alimenta os pensamentos, fazendo com que imagine o(a) parceiro(a) com outra pessoa, criando situações de sofrimento, ou ainda, atormente a si mesma(o) com idéias de rompimento, desgaste e de abandono. Detalhe: a outra pessoa nem está sabendo desses receios todos, não foi informada de tudo o que acontece dentro da gente, e de repente se vê sabatinada. Onde foi, com quem, como foi. E, se isso não for suficiente, começam os medos do passado. Esses são os piores! Medo de ex, medo de romances secretos, medo de pessoas que provocaram sentimentos no(a) parceiro(a).
Não controlar e não lidar cara-a-cara com esses medos pode causar problemas futuros. E é disso que trata o 4 de Copas. Costumo chamar essa carta de “pêlo em ovo”. É fácil achar problema onde não tem, com fragilidade e emoção à flor da pele, e acabar realmente criando um problema. Porque , de tanto perguntar, chorar, reclamar e desconfiar a outra pessoa vai se cansar. Não significa que a pessoa seja um fantoche e, realmente, acabe ficando com outro porque foi dada a dica durante as discussões. Mas que ela se cansa, isso é fato, e aí sim acontece o que mais se temia desde o princípio: o fim. Pronto. Aí aquela dor que surgia em doses homeopáticas vem de uma vez só e parece que vai sufocar.
É um processo, claro. Mas começa assim, com uma insegurança, um medo, um receio mal trabalhado. E nessas horas vemos a diferença entre Tarô e Terapia. O Tarô ajuda muitas pessoas mas pode fazer mal para tantas outras. Simplesmente porque aos ansiosos o Tarô vira uma arma para criar coisas que ainda não existem, alimentando o medo, disseminando situações imaginárias. São infindáveis perguntas sobre o que ainda nem aconteceu mas a pessoa quer se certificar de que não vai acontecer (o suposto medo de sofrer impede que se viva qualquer coisa). E um 4 de Copas mostra que, se não for bem direcionado, o receio vai tomar conta da vida da pessoa até que seu medo se materialize.
Portanto, essa semana é boa para diferenciar duas coisas: o que é medo e o que é realidade. O que é Tarô e o que é Terapia. Quem quer entender o que se passa lê Tarô. Quem não controla o que se passa dentro de si requer a Terapia. Não significa que um é melhor que outro, são caminhos diferentes apenas (afinal, já foi o tempo em que a gente tinha preconceito com psicólogo, por favor!). Vale olhar para os medos que conseguimos lidar e os medos que não controlamos. Dessa forma saberemos qual o melhor caminho a tomar e o faremos firmes e perseverantes. Caso contrário, a qualquer momento, podemos ser acometidos por uma emoção forte e isso (por incrível que pareça) pode se tornar um problema iminente.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Quando o 2 quer, o 3 não briga!
Adentrando a semana do 3 de Copas é possível perceber uma diferença nítida. Normalmente o número 2 (dependendo o naipe) antecipa uma decisão no número 3. Ou seja, se o 2 confronta é normal ter o 3 como dificuldade. Porém, quando o 2 une e harmoniza, o 3 brilha. Fica até meio óbvia a comparação na vida real: se a gente se entende em dois, um elemento a mais só acrescenta…mas se não há entendimento entre dois, o próximo elemento terá que decidir ou enfrentar uma batalha ainda mais difícil.
Dentro disso o 3 de Copas se mostra como carta de resolução (atenção: resolução não é realização, deixemos de ser monocromáticos), também tem prazer, paz e alívio. Sim, é um alívio conseguir crescer sem ter que cortar, perder, frustrar, escolher. E só é possível chegar num estágio positivo de alívio associado a prazer e paz quando, anteriormente, foi iniciado o processo com boas intenções e flexibilidade. Ou seja, entrar em qualquer processo de vida pensando somente em lucrar, ganhar ou vencer não é indício de satisfação. Veja que curioso: o prazer vem da flexibilidade. Não há paz onde existe imposição.
Já pensou que para usufruir dessa celebração é importante, antes, abrir mão da rigidez? Eis o símbolo do elemento água (Copas) falando sobre a capacidade de se adaptar e moldar. Imagine que libertação seria poder viver sem preconceito! A gente anda tão cheio de limites e padrões que perde o prazer nas coisas mais naturais. Hoje em dia tudo tem uma “tarja invisível”. A tarja da pobreza, da raça, do status, do poder, do gênero, da idade, da roupa, do conhecimento…são tantas tarjas que a gente vive rotulando tudo e todos. Mas depois de um tempo nos tornamos prisioneiros dessas mesmas tarjas. Desconhecemos, portanto, a libertação e com isso o tempo massacra o prazer, a leveza, a alegria, a paz.
Portanto, na semana do 3 de Copas tentemos inovar, ousar e mudar esse contexto. Nos libertemos das tarjas pra conseguir (re)descobrir o prazer. Valerá muito à pena - através da capacidade de adaptação - chegar a um desenvolvimento pacífico (e em dupla ou até em equipe!) para compartilhar o que é bom. Curtir coisas boas sozinho(a) pode ser menos divertido. Vale se unir, maleabilizar, flexibilizar para chegar num crescimento real e também mais prazeroso. Aproveite isso e liberte-se. A celebração da vida vale (muito) à pena!
Boa Semana ![]()
Abraços
Kelma Mazziero