Cartas na Mesa: Tarô Virtual

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A gente colhe o que planta

Essa frase sempre me pareceu cruel. Imaginava a pessoa dizendo com despeito e olhar de vingança ao decretar essa situação. Porém é interessante notar que as coisas, ao longo da vida, não acontecem isoladamente nem são apagadas da noite para o dia. Como vivemos atribulados e cheio de preocupações, dificilmente paramos para alinhavar os fatos, acontecimentos e desejos que nos assolam diariamente. E acabamos sem fazer aquela retrospectiva fundamental de nossas próprias vidas.
Essa semana é representada pelo 4 de Copas. Uma carta que indica desânimo, insatisfação. Mas vale dizer que não são reações provocadas pelo que está fora de nós, mas sim, por nossas próprias inseguranças. O conceito de que ficamos desanimados ou insatisfeitos sempre vem acompanhado de alguma coisa que tenha acontecido de fato, ou seja, pressupomos que o desânimo seja fruto de alguma situação que tenha resultado em decepção, desapontamento, obstáculo. Mas, e quando isso começa e termina dentro de nossa própria cabeça, como fazer?
Pois é. Quando se trata de sentimento nem todos conseguem administrar com serenidade. Isso não é nenhum crime ou pecado. Porém é fundamental que se conheça as próprias dificuldades para não virar refém ou vítima delas. Explico: às vezes sentir pode deixar a pessoa frágil (por diversas razões que aqui não vale destacar). E, perante a fragilidade, um dos maiores medos é o da perda. Ou seja, muita gente começa a gostar e já fica pensando em como vai ser quando tudo terminar. A pessoa simplesmente não consegue controlar a insegurança, a fragilidade alimenta os pensamentos, fazendo com que imagine o(a) parceiro(a) com outra pessoa, criando situações de sofrimento, ou ainda, atormente a si mesma(o) com idéias de rompimento, desgaste e de abandono. Detalhe: a outra pessoa nem está sabendo desses receios todos, não foi informada de tudo o que acontece dentro da gente, e de repente se vê sabatinada. Onde foi, com quem, como foi. E, se isso não for suficiente, começam os medos do passado. Esses são os piores! Medo de ex, medo de romances secretos, medo de pessoas que provocaram sentimentos no(a) parceiro(a).
Não controlar e não lidar cara-a-cara com esses medos pode causar problemas futuros. E é disso que trata o 4 de Copas. Costumo chamar essa carta de “pêlo em ovo”. É fácil achar problema onde não tem, com fragilidade e emoção à flor da pele, e acabar realmente criando um problema. Porque , de tanto perguntar, chorar, reclamar e desconfiar a outra pessoa vai se cansar. Não significa que a pessoa seja um fantoche e, realmente, acabe ficando com outro porque foi dada a dica durante as discussões. Mas que ela se cansa, isso é fato, e aí sim acontece o que mais se temia desde o princípio: o fim. Pronto. Aí aquela dor que surgia em doses homeopáticas vem de uma vez só e parece que vai sufocar.
É um processo, claro. Mas começa assim, com uma insegurança, um medo, um receio mal trabalhado. E nessas horas vemos a diferença entre Tarô e Terapia. O Tarô ajuda muitas pessoas mas pode fazer mal para tantas outras. Simplesmente porque aos ansiosos o Tarô vira uma arma para criar coisas que ainda não existem, alimentando o medo, disseminando situações imaginárias. São infindáveis perguntas sobre o que ainda nem aconteceu mas a pessoa quer se certificar de que não vai acontecer (o suposto medo de sofrer impede que se viva qualquer coisa). E um 4 de Copas mostra que, se não for bem direcionado, o receio vai tomar conta da vida da pessoa até que seu medo se materialize.
Portanto, essa semana é boa para diferenciar duas coisas: o que é medo e o que é realidade. O que é Tarô e o que é Terapia. Quem quer entender o que se passa lê Tarô. Quem não controla o que se passa dentro de si requer a Terapia. Não significa que um é melhor que outro, são caminhos diferentes apenas (afinal, já foi o tempo em que a gente tinha preconceito com psicólogo, por favor!). Vale olhar para os medos que conseguimos lidar e os medos que não controlamos. Dessa forma saberemos qual o melhor caminho a tomar e o faremos firmes e perseverantes. Caso contrário, a qualquer momento, podemos ser acometidos por uma emoção forte e isso (por incrível que pareça) pode se tornar um problema iminente.

Boa Semana a Todos ;)
Abraços
Kelma Mazziero



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2 respostas para “ A gente colhe o que planta ”

  1. Carla Novembro 10th, 2009 13:14

    Nossa ! caiu como uma luva. A gente realmente desperdiça um tempo procurando cabelo em ovo, você tem toda razão.
    bjs,
    Carla

  2. Kelma Novembro 10th, 2009 18:46

    Oi Carla!
    Muito lega receber seu post.
    Quando os artigos puxam a orelha nem sempre são bem vindos…mas não tem jeito, faz parte do trabalho, né?
    Ainda bem que você aproveitou ;)
    Beijo e volte. Sempre.
    Kelma

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