Arquivo de Fevereiro de 2010
Trabalhando com a sorte
No 5 de Paus adentramos temas que nem sempre caminham de mãos dadas em nossos conceitos: dedicação e sorte. É interessante notar que muitas pessoas acreditam que a sorte acontece de maneira “avulsa”, “sozinha”, sem nenhum esforço. E, se acreditam que a sorte ocorre gratuitamente, a tendência é acharem que aquele que precisa se esforçar não tem os mesmos resultados daquele que tem sorte. Bom, isso acaba tirando mérito, tanto de quem tem sorte quanto de quem trabalha duro para conseguir o que quer. Através do Arcano Menor da Semana - o 5 de paus - podemos perceber que esforço e sorte caminham juntos e podem valorizar um ao outro.
Quando estamos num processo de buscar alguma coisa, atingir qualquer meta ou reconstruir nossa vida, não adianta nos dedicarmos achando que somos mais fracos que as forças externas. Ou seja, ter fé no que existe fora de nós é tentar se livrar do trabalho inerente a qualquer objetivo. Não estou dizendo que a fé é uma bobagem ou que respeitar as forças externas seja perda de tempo. Mas, como tudo na vida, deve haver um limite. Esperar que o amor, o dinheiro, o trabalho e a solução venham “do nada” é conferir poder maior a qualquer coisa (ou pessoa, ou evento, ou acontecimento) que não seja a nós mesmos.
É claro que não dá pra achar que podemos tudo, pois isso seria uma afronta ao próprio Destino. O Destino explica muita coisa: um encontro, uma surpresa, uma “coincidência”. Mas também não dá pra achar que tudo é culpa do Destino e que basta torcer, mentalizar, rezar pra conseguir. Ao Destino devemos respeitar sua parte. E à nós, trabalharmos para que façamos a nossa.
Portanto, nessa Semana, a sugestão é conciliar sorte com trabalho. Manter a dedicação, o esforço, a boa vontade para que a sorte ajude. Podemos correr o risco, naturalmente, de fazermos tudo o que pudermos e - ainda assim- não vermos a sorte chegar. Porém, facilitar esse encontro feliz seria o mais sensato a fazer. Poder acreditar que tivemos sorte porque colaboramos para isso é uma sensação incrível, além de ser um gesto otimista. Por isso, vale sempre à pena trabalhar e fazer a sua parte, sabendo que esforço e sorte podem caminhar de mãos dadas, e por isso, nós mesmos abrimos os caminho para melhorar nossa vida.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
A maturidade pede coragem
Na semana do 4 de paus temos diversos temas interessantes. Dentre eles: benefício, aliança, superação de conflitos, resultados por esforços e dedicação. Mas é carta “baixa”, ou seja, o ciclo não termina por aí. Não é porque se ganha benefícios que será pra sempre desse jeito. E aqui temos um gancho perfeito para falar a respeito de maturidade.
Explico: o ser humano tem mania de achar que problema dá direito à paz. Ou seja, bastou viver uma fase mais complicada que já se espera a recompensa ou algum ganho pelo bom desempenho. Só que a vida não é assim. Conforme amadurecemos percebemos que os problemas (aparentemente) aumentam. E por que será? Parece que o descanso fica cada vez menor, que o intervalo entre uma encrenca e outra diminui…parece perseguição! Mas não é isso. Na realidade, a maturidade oferece resistência e base para lidarmos com problemas mais complexos. E não tem intervalo, não tem prêmio, nem sempre tem recompensa. É assim que as coisas funcionam. Mais velho, mais maduro, mais preparado.
Tudo bem, isso parece mais uma praga do que uma conclusão. Porém é mais comum ver gente de idade avançada e alma imatura (assim nunca será preciso encarar as dificuldades da vida adulta) do que ver gente de idade compatível cronologica e mentalmente. Não é uma crítica, é mera constatação. E o 4 de Paus fala justamente disso: momento de ganhar, momento de ver frutos, e nem por isso achar que a coisa vai ser pra sempre assim. Aproveite a fase, invista em si mesmo, semeie mais, se fortaleça porque a vida continua, os processos cotidianos também, portanto, problemas sempre estarão presentes para enriquecer e dar mais experiência para quem está a fim de viver pra valer.
Quem não está a fim de viver fica ali, parado, fingindo que cresceu no papo, mas agindo como sempre (ou não agindo como sempre). Nesses casos, não adianta reclamar: a pessoa não cresce, não enfrenta problemas sérios porém em contrapartida não ganha experiência nem maturidade. Porque para ser maduro é preciso ter coragem! É preciso encarar a vida, o tempo, a velhice. As dores de cabeça, a flacidez, a canseira, a impaciência… e também o riso fácil, o tempo pouco que se tem pra admirar uma árvore,para se reconhecer nos olhos dos filhos, sobreviver com o que se ganha sem ter que fingir que é seu o que vem de outro. Não é fácil mas vale à pena.
Na dúvida sempre escolha a maturidade e seu alto preço. Porque parar na vida não garante longevidade, garante apenas um vazio, que não se preenche nunca (nem com grana, com pose ou sobrenome pomposo). E é por isso que num 4 de Paus podemos respirar, aliviados, curtir o que já foi feito e conquistado, sabendo que a vida não é tão simplória a ponto de nunca mais nos mandar problemas. Assim como o ganho faz parte, a dificuldade também faz. Precisamos saber viver tudo, cada um a seu modo, para que nosso ciclo nunca se acabe e deixemos algo realmente valioso nessa existência, além de nossas pequenas necessidades e ilusões.
Boa Semana a Todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
(Deixo esse texto em homenagem ao Sr. Felizberto, que foi corajoso e autêntico pacas, deixando um legado sem igual para todos nós).
2 comentários »Cooperar é trocar
3 de Paus é carta que sabe interagir. O próprio número 3 já é símbolo de comunicação, criatividade, difusão. Unido a um naipe de altruísmo, consciência e maturidade, se torna um número ainda mais dinâmico, interativo, fértil em criar e expandir. E o mais interessante é notar que viver o 3 de Paus nem é tão complicado assim. Basta estar disposto, conseguir trabalhar em equipe e se manter aberto para agregar idéias, atitudes, projetos, possibilidades.
Por exemplo: quando queremos algo e percebemos maior dificuldade em realizar o que desejamos, nunca pensamos em questionar esse desejo, para então abrir espaço de pessoas próximas sugerirem outras alternativas. É mais comum vermos as pessoas super irritadas com sugestões que lhes dão do que ouvindo e pensando sobre elas. Dizem que a Vida fala através de outras pessoas para nós. Se fosse isso, a Vida já deve estar cansada, porque é muito difícil ouvir qualquer coisa que venha de fora e que não tenha nascido no íntimo de nossas vontades.
Outro exemplo: o conselho. Muitas pessoas criticam os profissionais que cobram para aconselhar e orientar. Porém, quem leva a sério um conselho dado despretenciosamente? Poucos. Para pedir conselho já é uma luta. Aí, ouvir e considerar, é praticamente impossível. Tanto que muitas pessoas se sentem mais seguras de pagar para ouvir um aconselhamento (e mesmo assim poucas levam a cabo, por incrível que pareça!). E isso é natural, a gente tende mesmo a defender nossas idéias com unhas e dentes.
Por isso essa semana inspira a troca. Pois a troca facilita a cooperação. Trabalhar juntos, em equipe, é muito mais rico do que se pode imaginar. E, vale dizer, a “equipe” à qual me refiro pode abranger muitas possibilidades, tais como: um relacionamento afetivo no qual se vive em parceria, uma amizade que permite bom convívio, uma relação profissional que favorece trabalho em conjunto, o processo criativo que fica cada vez melhor quando se pensa acompanhado, uma decisão que pode ser tomada conjuntamente, e assim por diante.
Aproveitemos a semana para trocar, cooperar, acompanhar. Nascemos sós, sentimos a sós, mas podemos agir em parceria em alguns bons momentos. E, sempre que tivermos essa chance, devemos aproveitá-las, elas nos permitem crescer, fortalecer, evoluir.
Boa Semana a Todos e um bom carnaval ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Esperar nem sempre gera prejuízo
2 de Paus é conhecido como carta de espera. Quem nunca ouviu a frase ” Fiquei ali esperando feito um 2 de Paus” ? Pois é. Porém, a forma de lidar com a espera muda toda a situação, dependendo o que surgir à sua frente.
Hoje em dia qualquer tipo de espera é “pagar mico”. Esperar na fila é perda de tempo, esperar o farol é absurdo, esperar para ser atendido é falta de respeito. E esperar outras coisas? Esperar resposta de trabalho, esperar para ser convocado, esperar para ser solicitado, esperar alguém ligar, esperar uma pessoa se tocar…pior ainda. Por que isso acontece? Porque fica cada vez mais difícil entender (e aceitar!) o ritmo das outras pessoas. As necessidades e tempos alheios são cruéis com nosso ego e nossa vontade de “quero resolver agora, já!”.
Tudo bem, eu sei que é um inferno ver gente dando murro em ponta de faca ou escondendo sol com a peneira. Mas a questão é: será que na nossa vez será diferente? Porque pra gente é fácil pensar que o outro tem que resolver tudo logo? E quando a gente é que tem que resolver fica tudo simples como parece quando é com o outro? Claro que não. Dizer que não liguei porque não estava a fim é magoar. Admitir que não quero ir até alguém pode estremecer o relacionamento. Demitir, desistir, separar, confrontar, decepcionar …são situações delicadas e cada um leva seu tempo para fazer isso da melhor forma possível. Ouço sempre perguntas clássicas, como: “Poxa, mas se ela não gosta de mim porque não fala logo?”. E eu tento explicar, toda vez, que a gente pode não estar mais apaixonado por alguém, mas sempre há sentimento e consideração, e justamente por isso não fica fácil abrir o jogo e virar as costas definitivamente. Aliás, consideração é também uma palavra que pega mal atualmente, é sinal de pena. E, na verdade, se trata de algo valioso, pois é um termômetro que impede qualquer maluco de sair metralhando quem gosta simplesmente porque não está mais apaixonado ou envolvido como antes.
Por isso, esperar é chato sim, concordo. A gente tem sempre aquele desejo meio ilusório de entrar no banco e ser atendido na hora, de fazer entrevista e ser aceito (em meio a fogos de artifício de preferência), de receber a ligação tão esperada na primeira hora do dia seguinte, de saber tudo o que está acontecendo com a outra pessoa no mesmo instante. Mas não é bem assim porque as relações, as pessoas, as situações precisam de suas sutilezas e seus detalhes. E às vezes o tempo é sinal de consideração (não consideração que parece ofender, mas consideração que inclui afeto e respeito).
Essa semana façamos como o 2 de Paus. Olhemos para o outro e para o seu ritmo de forma mais compreensiva. Essa carta só consegue negociar porque busca compreender antes de reclamar e de apontar o dedo. Conseguindo interagir e respeitar o tempo do outro (a espera, o ritmo alheio) poderemos controlar também nossos anseios, desejos, ego e autoritarismo. É uma boa negociação! Assim, quando for a nossa vez de resolver será possível ter o respeito das outras pessoas para refletir, definir e expor a decisão ou um resultado. Toma lá dá cá. Se eu dou compreensão posso recebê-la de volta. E isso cultiva a relação madura e uma busca real por entendimento em qualquer tipo de interação.
Boa Semana a todos ![]()
Abraços
Kelma Mazziero
Enfim a compreensão!
Essa semana mudamos de naipe. Entramos no naipe de Paus, que representa o elemento fogo, trata da parte espiritual. Claro, essas informações são as mais básicas e também as mais batidas, porque falar tudo isso e decorar é fácil. Difícil é compreender. Como precisamos começar do começo, é sabido que Paus = fogo = espiritualidade. Porém, o que seria mesmo essa tal espiritualidade?
Já escrevi em outros artigos que as pessoas ainda confudem espiritualidade com religião. É comum ouvir frases prontas como essas: “Ah, fulana é super religiosa, é ligada a assuntos espirituais”. Ou ainda: “Aquele moço gosta de papo cabeça, vive falando de religião e espiritualidade”. Eu, pessoalmente, nem ligo mais quando ouço isso. Aliás, ouço tanta coisa sem sentido que estou aprendendo a abstrair e não levar tudo a ferro e fogo. Só para não deixar de apimentar um pouco o tema, tem a frase principal, que define espiritualidade para muita gente: “Ah, ele é estranho…gosta de ler sobre espiritualidade, religião…não sei se acredito nessas coisas“. Essa é a melhor.
O que vale aqui é tirar tudo isso da mesma panela. Porque tem muita gente religiosa que não estuda, nem sabe nada sobre espiritualidade. E muita gente que exala espiritualidade, mas sem vínculo religioso (em tempo: não estou generalizando, por favor, me poupem de escrever me xingando). Portanto, não é porque saiu o naipe de Paus num jogo que teremos que dar um jeito de falar sobre espírito no tema dinheiro. Certo? Senão ficam aquelas leituras assim: “Olha, você precisa aprender a lidar melhor com dinheiro, porque se você trabalhar melhor sua espiritualidade, vai ganhar mais e vai se dar melhor na vida financeira”. Afora o detalhe de que ninguém sabe ao certo o que significa “trabalhar melhor a espiritualidade”, a leitura em si não faz muito sentido. Eu sei que vou receber vários posts e mensagens reclamando desse comentário. Vivo recebendo mensagens mal educadas de gente que fica irritada com meu conteúdo de forte racionalidade. Mas paciência. A verdade é que ler Tarô misturando as bolas está errado. Pode me xingar, contra fatos não existe argumento.
Sendo assim, é importante ver espiritualidade como uma qualidade muito mais sutil do que mero segmento religioso ou crença dogmática. E por isso, Paus não fala só de espírito, mas abrange temas extremamente relevantes (que são apoio para a verdadeira espiritualidade) como maturidade, equilíbrio, harmonia, altruísmo. Tendo essas qualidades (ou aspectos, como preferir) a comprensão parece muito mais acessível. Compreender fica menos doloroso. E Paus possui essa característica, pois o pano de fundo tem um aspecto maduro, mais equilibrado, consciente, busca e tende à harmonização, pensa no outro além de pensar apenas em si próprio. Uma coisa é termos um conflito entre duas pessoas que não abrem mão da própria idéia (Espadas), outra coisa é termos conflito entre duas pessoas que querem chegar a um acordo (Paus).
Portanto, o Às de Paus vem coroar um novo tempo. Mostra que possuindo sabedoria (ou pelo menos querendo encontrá-la) já é possível uma caminhada menos dolorosa. Carta de desejo, de poder, energia e criatividade, o Às de Paus nos ensina a começar o que quer que seja com vontade, da forma apropriada, prontos para lidar com qualquer coisa já que não queremos excluir ninguém, mas sim, agregar. E é nesse tom que deixo a mensagem da semana: todo começo assusta ou gera tensão, mas, estando pronto para isso é possível superar melhor as fases difíceis. O impacto inicial sempre gera abalo, contudo, se houver a consciência (e a maturidade) de que é preciso esperar a reação inicial passar para pensar e então buscar um acordo justo com um resultado sem prejuízos alheios certamente haverá mais ganhos e também mais alegria. A espiritualidade está nas pequenas coisas. Trabalhando com equilíbrio, buscando o entendimento, tentando compreender a si e aos outros sempre haverá chance de evolução.
Boa Semana ![]()
Abraços
Kelma Mazziero